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Folha de S.Paulo

Fábrica São Paulo estréia amanhã adaptação inglesa de “Brás Cubas”

10.2.2005  |  por Valmir Santos

São Paulo, quinta-feira, 10 de fevereiro de 2005

TEATRO 
Monólogo é inspirado em romance de Machado de Assis

VALMIR SANTOS
Da Reportagem Local

O mais recente Machado de Assis (1839-1908) convertido para o teatro estréia amanhã depois de cumprir o seguinte ciclo: um professor canadense que vive em Londres leu a tradução em inglês do romance “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, adaptou-o na forma de monólogo e este, finalmente, foi trazido de volta à língua-mãe por um diretor brasileiro, ex-aluno do professor.

Powell Jones, 70, conheceu o clássico no início dos anos 2000, pelas mãos do paraense Zadoque Lopes, então estudante de arte dramática no City Lit Institute, em Londres. Primeiro, fez adaptação para uma peça radiofônica. Depois, trabalhou na versão para o palco, “Brás Cubas, Últimas Palavras”, que ganha temporada no teatro Fábrica São Paulo.

“O Machado tem uma coisa bem inglesa: a ironia, o humor, o escracho que instigam e fazem pensar”, diz Lopes, 39. É sua primeira direção no Brasil após 13 anos na Inglaterra. Quem interpreta o espetáculo é Éderson José, que também estudou em Londres, onde conheceu Lopes.

Enquanto aguarda o próprio funeral, Brás Cubas narra a sua história para a platéia. Rememora a família, as paixões, em especial a musa Virgília e o amigo Quincas Borba. “A peça é fiel ao romance”, diz Lopes. “Vejo o personagem Brás Cubas em vários setores da sociedade, uma pessoa extremamente egocêntrica e universal.”

Foram apenas cinco semanas para montagem do espetáculo. Apesar do tratamento realista da encenação, a cenografia (Paula di Paoli) traz elementos surrealistas: “Uma cama com cabeça e pernas de hipopótamo”.
No final dos anos 90, São Paulo também assistiu ao solo “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, com Cássio Scapin no elenco e direção de Regina Galdino.



Brás Cubas, últimas palavras

De: Machado de Assis. Adaptação: Powell Jones. Direção: Zadoque Lopes. Com Éderson José. Onde: teatro Fábrica São Paulo (r. da Consolação, 1.623, tel. 3255-5922). Quando: estréia amanhã, às 21h; sex. e sáb., às 21h; dom., às 20h; até 1º de maio. Quanto: R$ 25.

Valmir Santos

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