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Folha de S.Paulo

São Paulo interrompe ajuda às companhias de teatro

9.3.2005  |  por Valmir Santos

São Paulo, quarta-feira, 09 de março de 2005

TEATRO
Novo diretor do Departamento de Teatro da capital aguarda parecer jurídico sobre a Lei de Fomento

VALMIR SANTOS
Da Reportagem Local 

Há seis dias no cargo, o novo diretor do Departamento de Teatro da Secretaria Municipal da Cultura de São Paulo declarou anteontem que o sexto edital da chamada Lei do Fomento, lançado em janeiro, “está suspenso”.

A comissão para selecionar os 71 projetos inscritos chegou a ser apontada pela equipe de transição do governo anterior, do PT, mas não foi homologada. “[O Fomento] está à espera dessa homologação ou do parecer do conselho jurídico que analisa a lei com lupas como a da jurisprudência”, diz José Carlos dos Santos Andrade, 51, dramaturgo e educador que estréia em cargo público como homem de confiança de Emanoel Araújo, o secretário municipal da Cultura, na administração PSDB.

Sancionado em 2002, o Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo foi aprovado na Câmara Municipal com dotação orçamentária da prefeitura (atualmente R$ 9 milhões distribuídos em dois editais por ano). Segundo a lei, o subsídio é destinado a grupos voltados para a pesquisa continuada. Foram contemplados conjuntos como Oficina, Vertigem, Cia. do Latão, Tapa e Parlapatões, alguns deles até três vezes, como previsto. Isso gerou reclamações no cerne da própria classe. Em entrevista à Folha, no final de 2004, o diretor Antunes Filho acusou o processo de seleção de “compadrio”.

“Não há como questionar a excelência da idéia da lei, até mesmo porque cultura, na França, por exemplo, é feita assim. Peter Brook saiu da Inglaterra para se radicar em Paris porque lá encontra apoio e subsídios. Agora, dentro da nossa logística aqui, algumas coisas precisam ser entendidas. Há pontos favoráveis e outros a serem discutidos. Parte expressiva da comunidade teatral acusa insatisfação. É preciso dar ouvidos a ela”, diz Andrade.

A exoneração da coordenadora do Fomento, Sula Andreato, na sexta passada, complicou ainda mais a situação do programa que responde por boa parte dos cerca de R$ 3,5 milhões que a Secretaria da Cultura deve a artistas e grupos que prestaram serviço em 2004 (incluindo projetos de Formação de Público e Teatro Vocacional).

“Não há interesse por parte do Emanoel, que acima de tudo é um artista, em abortar nada. A preocupação é a de não criar falsas expectativas”, diz Andrade.

Sentado em sua sala, no nono andar do prédio da Galeria Olido, no Centro de São Paulo, o diretor olha de esguio para o livro-ata no qual já preencheu 14 páginas sobre pendências. Ele apela: “Isso aqui é uma avalanche, um tsunami cultural”. Há mais de 30 anos coordenador pedagógico numa escola privada e, recentemente, também coordenador do curso de artes cênicas numa faculdade, Andrade quer manter alguns projetos, “até porque são bons”.

É o caso do Vocacional (criado em 2001 e voltado para o teatro amador; ação de artistas orientadores que resultou na formação de 348 grupos até 2004) e o Formação de Público (também a partir de 2001, parceria das pastas da Educação e da Cultura focada sobretudo nos espectadores adolescentes e adultos, com ênfases nos 21 teatros dos Centros Unificados de Educação, os CEUs).

Andrade quer enfatizar o casamento do teatro com a educação, e vice-versa. “É impossível pensar educação sem cultura. A dificuldade é encontrar a forma de como realizar, de como dar prosseguimento a essa interatividade”, diz.

Quer levar espetáculos de formação de atores vindos de escolas públicas ou privadas, regulares ou livres, aos 21 teatros e respectivas salas multiuso dos CEUs, além dos sete teatros distritais (João Caetano, Paulo Eiró, Cacilda Becker, Arthur Azevedo, Martins Pena, Flávio Império e Alfredo Mesquita), todos sob o guarda-chuva de seu departamento.

Valmir Santos

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