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Folha de S.Paulo

Ciclo expõe cenas e idéias do teatro de rua

2.5.2005  |  por Valmir Santos

São Paulo, sábado, 02 de maio de 2005

TEATRO 
Projeto Três Vezes Rua promove debate com artistas e pesquisadores e programa peças em três regiões de SP

VALMIR SANTOS
Da Reportagem Local

“Em primeiro lugar vem a pança, logo depois venho eu. Que o povo não perca a esperança de ter sua pança também.”

Era uma espécie de Fome Zero, francamente brechtiano (em primeiro lugar a pança, depois a consciência), a cutucar a ditadura militar à época, 1976, lembra o então ator e hoje professor da Unicamp, Rubens Brito, 54, sobre os versos de uma das canções do espetáculo de rua “A Vida do Grande D. Quixote de La Mancha e do Gordo Sancho Pança”. Tratava-se de uma adaptação de Antônio José para a obra-prima de Miguel de Cervantes, que o extinto grupo Mamembe (1976-1986) estreou na praça da República, no centro de São Paulo, com duração de três horas e platéia espontânea de até 2.000 pessoas.

Em que medida o teatro de rua no Brasil comporta, hoje, essa capacidade de intervenção no espaço público, essa arte cuja extensão política foi contemplada pelo pesquisador norte-americano John Downing no livro “Mídia Radical – Rebeldia nas Comunicações e Movimentos Sociais”?

Eis uma das questões a nortear o projeto Três Vezes Rua, que dá início, hoje, à edição do Reflexos de Cenas 2005, uma iniciativa do Sesc Consolação que envolve ainda as unidades de Pinheiros e Santo Amaro.

O projeto, que entra no quinto ano, é um foro para a troca de experiências e para o debate tanto de processos de criação e pesquisa, como de trabalhos que tenham pouco ou nenhum espaço para a divulgação. No plano das idéias, acontecerão debates em torno da relação ator/obra e ator/espectador, a retomada do espaço público, a atualidade do teatro de rua, o redimensionamento do trabalho do ator enquanto técnica e discurso, o ator-dramaturgo, a questão espetacular e a função social.

Debates
Hoje, às 20h, no teatro Sesc Anchieta (r. Dr. Vila Nova, 245, tel. 3234-3000), o debate “A História, a Atualidade e a Importância do Teatro de Rua” reúne os diretores Amir Haddad (grupo carioca Tá na Rua, com 30 anos de história) e Lucciano Draetta (Circo Navegador), além de ex-integrantes do grupo Mambembe do Sesc (Brito, Calixto de Inhamuns, Flávio Dias, Suzana Lakatos, Eunice Mendes, Douglas Salgado, Noemi Gerbelli, Wanderley Martins, Júlio de Moraes, Rosi Campos, entre outros). O dramaturgo e diretor Carlos Alberto Soffredini (1939-2001) também foi um dos fundadores do grupo Mambembe do Sesc, que nasceu assim, integrado à entidade.

Amanhã e quinta, às 20h, no Sesc Consolação – sala Ômega, serão debatidos, respectivamente, os temas “Espaço Público: Reflexões” e “Formação de Público: Ações e Desdobramentos”, com participações de artistas e pesquisadores.

Nos mesmos dias, uma hora antes de cada encontro, a Cia. Seres de Luz (Campinas) promove intervenções cênicas (“A-la-pi-pe-tuá”) em vários espaços do prédio do Sesc Consolação.

Amanhã, às 20h, Andréa Macera media um debate no Consolação sobre o espaço público. No dia 4/5, às 18h, a atriz e diretora Georgette Fadel (Cia. São Jorge de Variedades) dará aula-espetáculo no hall do Consolação, expondo parâmetros para encenar um espetáculo de rua.

Paralelamente, até o final do mês, estão programados espetáculos gratuitos em três regiões da cidade (veja programação no quadro ao lado).

Foram escalados grupos que desenvolvem pesquisa na área, alguns deles premiados, como o carioca Teatro de Anônimo; o Fora do Sério, sediado em Ribeirão Preto; os paulistanos Cia. do Feijão e Tablado de Arruar; além do ator e palhaço Alexandre Roit (ex-Parlapatão).

A curadoria do Reflexos foi realizada por Andréa Macera e Roberto André.
 

 

Valmir Santos

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