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Folha de S.Paulo

Satyros recria obra de Nelson Rodrigues

9.5.2005  |  por Valmir Santos

São Paulo, segunda-feira, 09 de maio de 2005 

TEATRO 
Em “Rua Taylor”, com direção de Alberto Guzik, o grupo recorta personagens do autor e os insere em outras tramas

VALMIR SANTOS
Da Reportagem Local 

Publicações dedicadas ao teatro contemporâneo ganharam novas edições no fim de 2005 e neste começo de ano no Rio, em São Paulo e em Belo Horizonte.
Iniciativa do grupo carioca Teatro do Pequeno Gesto, a revista “Folhetim” nº 22 é dedicada ao projeto “Convite à Politika!”, organizado ao longo do ano passado. Entre os ensaios, está “Teatro e Identidade Coletiva; Teatro e Interculturalidade”, do francês Jean-Jacques Alcandre. Trata da importância dessa arte tanto no processo histórico de formação dos Estados nacionais quanto no interior de grupos sociais que põem à prova sua capacidade de convivência e mestiçagem.
Na seção de entrevista, “Folhetim” destaca o diretor baiano Marcio Meirelles, do Bando de Teatro Olodum e do Teatro Vila Velha, em Salvador.
O grupo paulistano Folias d’Arte circula o sétimo “Caderno do Folias”. Dedica cerca de 75% de suas páginas ao debate “Política Cultural & Cultura Política”, realizado em maio passado no galpão-sede em Santa Cecília.
Participaram do encontro a pesquisadora Iná Camargo Costa (USP), os diretores Luís Carlos Moreira (Engenho Teatral) e Roberto Lage (Ágora) e o ator e palhaço Hugo Possolo (Parlapatões). A mediação do dramaturgo Reinaldo Maia e da atriz Renata Zhaneta, ambos do Folias.
Em meados de dezembro, na seqüência do 2º Redemoinho (Rede Brasileira de Espaços de Criação, Compartilhamento e Pesquisa Teatral), o centro cultural Galpão Cine Horto, braço do grupo Galpão em Belo Horizonte, lançou a segunda edição da sua revista de teatro, “Subtexto”.
A publicação reúne textos sobre o processo de criação de três espetáculos: “Antígona”, que o Centro de Pesquisa Teatral (CPT) estreou em maio no Sesc Anchieta; “Um Homem É um Homem”, encenação de Paulo José para o próprio Galpão, que estreou em outubro na capital mineira; e “BR3”, do grupo Teatro da Vertigem, cuja previsão de estréia é em fevereiro.
Essas publicações, somadas a outras como “Sala Preta” (ECA-USP), “Camarim” (Cooperativa Paulista de Teatro”) e “O Sarrafo” (projeto coletivo de 16 grupos de São Paulo) funcionam como plataformas de reflexão e documentação sobre sua época.
Todas vêm à luz com muito custo, daí a periodicidade bamba. Custo não só material, diga-se, mas de esforço de alguns de seus fazedores em fomentar o exercício crítico, a maturação das idéias e a conseqüente conversão para o papel -uma trajetória de fôlego que chama o público para o antes e o depois do que vê em cena.
Folhetim nº 22
Quanto: R$ 10 a R$ 12 (114 págs)
Mais informações: Teatro do Pequeno Gesto (tel. 0/xx/21/2205-0671; www.pequenogesto.com.br)
Caderno do Folias
Quanto: R$ 10 (66 págs)
Mais informações: Galpão do Folias (tel. 0/xx/11/3361-2223; www.galpaodofolias.com)
Subtexto
Quanto: grátis (94 págs; pedidos por e-mail: cinehorto@grupogalpao.com.br)
Mais informações: Galpão Cine Horto (tel. 0/xx/31/3481-5580; www.grupogalpao.com.br)

Ainda não é um Nelson Rodrigues (1912-80) propriamente dito, mas um dia ele deve bater à porta do número 214 da pça. Franklin Roosevelt. Por enquanto, Os Satyros abrem seu espaço para um “ensaio” sobre a obra do dramaturgo. (Em tempo: em 1996, Rodolfo García Vázquez, um dos fundadores do grupo, dirigiu “Valsa nº 6” em Portugal).

Desdobramento de oficina que agora ganha pernas próprias com o recém-criado Núcleo Experimental dos Satyros, “Rua Taylor nº 214 – Um Outro Ensaio sobre Nelson” cumpre temporada a partir de hoje, somente às segundas-feiras.

A montagem busca originalidade ao pisar o universo rodrigueano. Não se trata de coleta de crônicas, trechos de peças ou afins. Antes, os personagens são deslocados do original para cenas escritas em colaboração pelo elenco de 17 atores, sob coordenação dramatúrgica de Nora Toledo e Jarbas Capusso Filho.

Assim, Moema (de “Senhora dos Afogados”), Glorinha (“Perdoa-me por Me Traíres”), Sônia (“Valsa nº 6”), Leleco (“Boca de Ouro”), Pimentel (“A Falecida”) e outras tipos marcantes são envolvidos em cenas curtas. O título faz referência à rua Taylor, na Lapa carioca, para onde o núcleo projeta o bordel imaginário, ponto comum dos personagens, cuja dona pode ser Senhorinha (“Álbum de Família”), ou Madame Clessy (“Vestido de Noiva”).

“A peça ganhou muito em narrativa cênica”, diz o diretor Alberto Guzik, 60, que arrematou o espetáculo após a pesquisa do elenco, supervisionada por Ivam Cabral e Vázquez.

Com “Rua Taylor”, vão para nove as peças que revezam o cartaz durante a semana nos Satyros: “Num Dia Comum” (ter. e qua., às 21h30), “Amor” (qua., às 20h), “O Ovo ou a Metáfora do Sacrifício Feminino” (qui. e sex., às 20h), “Cosmogonia – Experimento nº 1” (qui. e sex., às 21h30), “Transex” (sáb., às 21h30, e dom., às 20h30), “A Filosofia na Alcova” (sex. e sáb., à meia-noite), “Os Assassinos de Inês de Castro” (sáb., 19h30) e “O Céu é Cheio de Uivos, Latidos e Fúria dos Cães da Praça Roosevelt” (dom., às 18h30).



Rua Taylor nº 214 – Um Outro Ensaio sobre Nelson

Com: Núcleo Experimental dos Satyros (Maria Campanelli Haas, Peterson Ramos, Regina Ciampi, Ricardo Socalschi, Rita Fernandes, Teka Romualdo e outros) Onde: Espaço dos Satyros (pça. Franklin Roosevelt, 214, SP, tel. 3258-6345) Quando: estréia hoje, às 21h30; somente às seg., às 21h30 Quanto: R$ 10
 

Valmir Santos

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