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Folha de S.Paulo

Stoklos encena dor pessoal de Bourgeois

7.5.2005  |  por Valmir Santos

São Paulo, quarta-feira, 07 de maio de 2005

TEATRO 
Atriz cria espetáculo solo no Sesc Belenzinho sobre vida da escultora francesa, que também assina objetos do cenário

VALMIR SANTOS
Da Reportagem Local 

Publicações dedicadas ao teatro contemporâneo ganharam novas edições no fim de 2005 e neste começo de ano no Rio, em São Paulo e em Belo Horizonte.
Iniciativa do grupo carioca Teatro do Pequeno Gesto, a revista “Folhetim” nº 22 é dedicada ao projeto “Convite à Politika!”, organizado ao longo do ano passado. Entre os ensaios, está “Teatro e Identidade Coletiva; Teatro e Interculturalidade”, do francês Jean-Jacques Alcandre. Trata da importância dessa arte tanto no processo histórico de formação dos Estados nacionais quanto no interior de grupos sociais que põem à prova sua capacidade de convivência e mestiçagem.
Na seção de entrevista, “Folhetim” destaca o diretor baiano Marcio Meirelles, do Bando de Teatro Olodum e do Teatro Vila Velha, em Salvador.
O grupo paulistano Folias d’Arte circula o sétimo “Caderno do Folias”. Dedica cerca de 75% de suas páginas ao debate “Política Cultural & Cultura Política”, realizado em maio passado no galpão-sede em Santa Cecília.
Participaram do encontro a pesquisadora Iná Camargo Costa (USP), os diretores Luís Carlos Moreira (Engenho Teatral) e Roberto Lage (Ágora) e o ator e palhaço Hugo Possolo (Parlapatões). A mediação do dramaturgo Reinaldo Maia e da atriz Renata Zhaneta, ambos do Folias.
Em meados de dezembro, na seqüência do 2º Redemoinho (Rede Brasileira de Espaços de Criação, Compartilhamento e Pesquisa Teatral), o centro cultural Galpão Cine Horto, braço do grupo Galpão em Belo Horizonte, lançou a segunda edição da sua revista de teatro, “Subtexto”.
A publicação reúne textos sobre o processo de criação de três espetáculos: “Antígona”, que o Centro de Pesquisa Teatral (CPT) estreou em maio no Sesc Anchieta; “Um Homem É um Homem”, encenação de Paulo José para o próprio Galpão, que estreou em outubro na capital mineira; e “BR3”, do grupo Teatro da Vertigem, cuja previsão de estréia é em fevereiro.
Essas publicações, somadas a outras como “Sala Preta” (ECA-USP), “Camarim” (Cooperativa Paulista de Teatro”) e “O Sarrafo” (projeto coletivo de 16 grupos de São Paulo) funcionam como plataformas de reflexão e documentação sobre sua época.
Todas vêm à luz com muito custo, daí a periodicidade bamba. Custo não só material, diga-se, mas de esforço de alguns de seus fazedores em fomentar o exercício crítico, a maturação das idéias e a conseqüente conversão para o papel -uma trajetória de fôlego que chama o público para o antes e o depois do que vê em cena.
Folhetim nº 22
Quanto: R$ 10 a R$ 12 (114 págs)
Mais informações: Teatro do Pequeno Gesto (tel. 0/xx/21/2205-0671; www.pequenogesto.com.br)
Caderno do Folias
Quanto: R$ 10 (66 págs)
Mais informações: Galpão do Folias (tel. 0/xx/11/3361-2223; www.galpaodofolias.com)
Subtexto
Quanto: grátis (94 págs; pedidos por e-mail: cinehorto@grupogalpao.com.br)
Mais informações: Galpão Cine Horto (tel. 0/xx/31/3481-5580; www.grupogalpao.com.br)

Conhecida pela dramaturgia que recorta questões sociais e políticas, a atriz Denise Stoklos, 54, identifica em seu encontro com a escultora, desenhista e gravurista francesa Louise Bourgeois, 93, um “divisor de águas”.

A partir do espetáculo “Louise Bourgeois: Faço, Desfaço, Refaço”, que estreou em 2000 no LaMama -espaço voltado para o teatro experimental em Nova York-, o repertório de Stoklos se encaminhou para um plano mais introspectivo.

Como se vê na temporada paulistana, que começou ontem no Sesc Belenzinho, depois de passar pelo Rio de Janeiro, trata-se de uma performance solo que coloca Bourgeois na primeira pessoa.

Vida, obra e pensamento. “São situações difíceis pelas quais ela passou. Enxergando seus medos, sua dor, sua imensa angústia e a coragem de se encontrar com o vazio, estarei falando da minha dor, da dor de cada um de nós, com a diferença de que nosso pai não trouxe uma amante para dentro de casa”, diz Stoklos, ilustrando uma das passagens.

Movida pelo “âmago dos indivíduos e sua luta por libertação”, a atriz recolheu depoimentos que a escultora francesa radicada nos EUA deu à imprensa. Também serviu de fonte a autobiografia “Louise Bourgeois – Desconstrução do Pai/Reconstrução do Pai”.

Normalmente autora de seus projetos, aqui Stoklos faz as vezes de tradutora. “É a faísca desse diálogo que faz com que a gente se transforme, se torne sensível e crítico”, diz ela.

O impulso para dentro -antes, mirava mais os “inimigos externos”, instituições que lidam com o poder- se reflete no último espetáculo, “Olhos Recém-Nascidos” (2004), que é “quase confessional” se comparado à indignação presente em “Vozes Dissonantes”, por exemplo.

Esta montagem, aliás, retorna ao cartaz no Teatro Folha, dentro do projeto “Grandes Baratos”, a partir do dia 17 deste mês, que traz “Calendário da Pedra”, às terças-feiras, e “Vozes Dissonantes”, às quartas.

O cenário de “Faço, Desfaço, Refaço” incorpora uma escada de ferro, um espelho oval e uma gaiola de ferro, todos criados pela própria artista homenageada, que vive em Nova York.

“A Louise é uma personalidade incrível, está em contato permanente consigo, não se desliga em nenhum momento, nem de dia nem de noite.” 



Louise Bourgeois: Faço, Desfaço, Refaço
Quando: de sex. a dom., às 21h; até 3/7 
Onde: Sesc Belenzinho – teatro (av. Álvaro Ramos, 915, Belenzinho, tel. 6602-3700) 
Quanto: R$ 20 

Valmir Santos

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