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Folha de S.Paulo

Casa Laboratório leva atividades ao Sesc

7.6.2005  |  por Valmir Santos

São Paulo, terça-feira, 07 de junho de 2005

TEATRO 
Programação inclui vídeos

VALMIR SANTOS
Da Reportagem Local 

Publicações dedicadas ao teatro contemporâneo ganharam novas edições no fim de 2005 e neste começo de ano no Rio, em São Paulo e em Belo Horizonte.
Iniciativa do grupo carioca Teatro do Pequeno Gesto, a revista “Folhetim” nº 22 é dedicada ao projeto “Convite à Politika!”, organizado ao longo do ano passado. Entre os ensaios, está “Teatro e Identidade Coletiva; Teatro e Interculturalidade”, do francês Jean-Jacques Alcandre. Trata da importância dessa arte tanto no processo histórico de formação dos Estados nacionais quanto no interior de grupos sociais que põem à prova sua capacidade de convivência e mestiçagem.
Na seção de entrevista, “Folhetim” destaca o diretor baiano Marcio Meirelles, do Bando de Teatro Olodum e do Teatro Vila Velha, em Salvador.
O grupo paulistano Folias d’Arte circula o sétimo “Caderno do Folias”. Dedica cerca de 75% de suas páginas ao debate “Política Cultural & Cultura Política”, realizado em maio passado no galpão-sede em Santa Cecília.
Participaram do encontro a pesquisadora Iná Camargo Costa (USP), os diretores Luís Carlos Moreira (Engenho Teatral) e Roberto Lage (Ágora) e o ator e palhaço Hugo Possolo (Parlapatões). A mediação do dramaturgo Reinaldo Maia e da atriz Renata Zhaneta, ambos do Folias.
Em meados de dezembro, na seqüência do 2º Redemoinho (Rede Brasileira de Espaços de Criação, Compartilhamento e Pesquisa Teatral), o centro cultural Galpão Cine Horto, braço do grupo Galpão em Belo Horizonte, lançou a segunda edição da sua revista de teatro, “Subtexto”.
A publicação reúne textos sobre o processo de criação de três espetáculos: “Antígona”, que o Centro de Pesquisa Teatral (CPT) estreou em maio no Sesc Anchieta; “Um Homem É um Homem”, encenação de Paulo José para o próprio Galpão, que estreou em outubro na capital mineira; e “BR3”, do grupo Teatro da Vertigem, cuja previsão de estréia é em fevereiro.
Essas publicações, somadas a outras como “Sala Preta” (ECA-USP), “Camarim” (Cooperativa Paulista de Teatro”) e “O Sarrafo” (projeto coletivo de 16 grupos de São Paulo) funcionam como plataformas de reflexão e documentação sobre sua época.
Todas vêm à luz com muito custo, daí a periodicidade bamba. Custo não só material, diga-se, mas de esforço de alguns de seus fazedores em fomentar o exercício crítico, a maturação das idéias e a conseqüente conversão para o papel -uma trajetória de fôlego que chama o público para o antes e o depois do que vê em cena.
Folhetim nº 22
Quanto: R$ 10 a R$ 12 (114 págs)
Mais informações: Teatro do Pequeno Gesto (tel. 0/xx/21/2205-0671; www.pequenogesto.com.br)
Caderno do Folias
Quanto: R$ 10 (66 págs)
Mais informações: Galpão do Folias (tel. 0/xx/11/3361-2223; www.galpaodofolias.com)
Subtexto
Quanto: grátis (94 págs; pedidos por e-mail: cinehorto@grupogalpao.com.br)
Mais informações: Galpão Cine Horto (tel. 0/xx/31/3481-5580; www.grupogalpao.com.br)

Em plena gestação de seu primeiro espetáculo, inspirado no romance “Dom Quixote” de Miguel de Cervantes, que estréia no dia 16 de agosto, a Casa Laboratório para as Artes do Teatro desenvolve, neste e no próximo mês, atividades gratuitas para pesquisa e formação no Sesc Belenzinho, zona leste de São Paulo.

Iniciativa ítalo-brasileira lançada em 2004, a Casa Laboratório consolida um grupo estável de trabalho nos campos da criação artística e da produção. É co-dirigido pelo ator Cacá Carvalho e pelo encenador italiano Roberto Bacci, da Fondazione Pontedera Teatro.

A programação abre hoje com ciclo de vídeos sob curadoria e apresentação do dramaturgo italiano Stefano Geraci.

Trata-se do documentário inglês “Unknown Chaplin” (Chaplin desconhecido), de Kevin Brownlow e David Gill. Dividido em três episódios, reúne imagens raras de alguns filmes de Charlie Chaplin (1889-1977) que escaparam por sorte da destruição.

Através de tais cenas, diz Geraci, “é possível descrever algumas regras da composição teatral que pertencem a um território da dramaturgia: território dos atores-autores”.

Entre os dias 6 e 8 de julho, a também italiana Carla Pollastrelli, responsável pela formação de produtores da Casa Laboratório e co-diretora da Fondazione Pontedera, vai apresentar e comentar o ciclo de vídeos sobre o teatrólogo polonês Jerzy Grotowski (1933-1999).

O filme “Teatro Laboratório de Jerzy Grotowski” (1992), dirigido por Marianne Arhne, conta a trajetória do grupo Teatro Laboratório de Wroclaw, nascido no final dos anos 50 na Polônia, uma experiência artística fundamental na história do teatro da segunda metade do século 20, que montou peças como “Doctor Faustus” e “Akropolis”.

Esta última, do final dos anos 60, ganha documentário de mesmo nome com introdução do encenador inglês Peter Brook. Também serão exibidos trechos do espetáculo “O Príncipe Constante” (1965). Por fim, um vídeo com ênfase nos exercícios físicos, “O Treinamento no Teatro Laboratório de Jerzy Grotowski” (1972), com direção de Torgeir Wethal, ligado ao grupo dinamarquês Odin Teatret.

De 21 de junho a 2 de julho, a pesquisadora italiana Francesca della Mônica dará uma oficina de voz. No dia 2 de julho, acontece a aula aberta “A abordagem do método das ações físicas”, com Silvia Pasello, da Fondazione Pontedera. Todos os palestrantes estão ligados à Casa Laboratório, ao lado de Carvalho, Bacci, do cenógrafo Márcio Medina e do dramaturgo Celso Cruz.



Casa Laboratório para as Artes do Teatro – Ciclos de vídeo
Quando:
 de hoje a quinta, das 19h às 21h (“Dentro do Laboratório de Chaplin”); 6/7 a 8/7, das 19h às 21h (“Teatro Laboratório de Jerzy Grotowski”) 
Onde: Sesc Belenzinho – mini-auditório (av. Álvaro Ramos, 915, tel. 6602-3700) 
Quanto: entrada franca
 

 

 

Valmir Santos

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