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Folha de S.Paulo

CCBB faz leitura e Fraternal encena dramaturgia da cultura popular

29.8.2005  |  por Valmir Santos

São Paulo, segunda-feira, 29 de agosto de 2005

TEATRO 
Eventos são ligados pelo trabalho de Luís Alberto de Abreu

VALMIR SANTOS
Da Reportagem Local 

Publicações dedicadas ao teatro contemporâneo ganharam novas edições no fim de 2005 e neste começo de ano no Rio, em São Paulo e em Belo Horizonte.
Iniciativa do grupo carioca Teatro do Pequeno Gesto, a revista “Folhetim” nº 22 é dedicada ao projeto “Convite à Politika!”, organizado ao longo do ano passado. Entre os ensaios, está “Teatro e Identidade Coletiva; Teatro e Interculturalidade”, do francês Jean-Jacques Alcandre. Trata da importância dessa arte tanto no processo histórico de formação dos Estados nacionais quanto no interior de grupos sociais que põem à prova sua capacidade de convivência e mestiçagem.
Na seção de entrevista, “Folhetim” destaca o diretor baiano Marcio Meirelles, do Bando de Teatro Olodum e do Teatro Vila Velha, em Salvador.
O grupo paulistano Folias d’Arte circula o sétimo “Caderno do Folias”. Dedica cerca de 75% de suas páginas ao debate “Política Cultural & Cultura Política”, realizado em maio passado no galpão-sede em Santa Cecília.
Participaram do encontro a pesquisadora Iná Camargo Costa (USP), os diretores Luís Carlos Moreira (Engenho Teatral) e Roberto Lage (Ágora) e o ator e palhaço Hugo Possolo (Parlapatões). A mediação do dramaturgo Reinaldo Maia e da atriz Renata Zhaneta, ambos do Folias.
Em meados de dezembro, na seqüência do 2º Redemoinho (Rede Brasileira de Espaços de Criação, Compartilhamento e Pesquisa Teatral), o centro cultural Galpão Cine Horto, braço do grupo Galpão em Belo Horizonte, lançou a segunda edição da sua revista de teatro, “Subtexto”.
A publicação reúne textos sobre o processo de criação de três espetáculos: “Antígona”, que o Centro de Pesquisa Teatral (CPT) estreou em maio no Sesc Anchieta; “Um Homem É um Homem”, encenação de Paulo José para o próprio Galpão, que estreou em outubro na capital mineira; e “BR3”, do grupo Teatro da Vertigem, cuja previsão de estréia é em fevereiro.
Essas publicações, somadas a outras como “Sala Preta” (ECA-USP), “Camarim” (Cooperativa Paulista de Teatro”) e “O Sarrafo” (projeto coletivo de 16 grupos de São Paulo) funcionam como plataformas de reflexão e documentação sobre sua época.
Todas vêm à luz com muito custo, daí a periodicidade bamba. Custo não só material, diga-se, mas de esforço de alguns de seus fazedores em fomentar o exercício crítico, a maturação das idéias e a conseqüente conversão para o papel -uma trajetória de fôlego que chama o público para o antes e o depois do que vê em cena.
Folhetim nº 22
Quanto: R$ 10 a R$ 12 (114 págs)
Mais informações: Teatro do Pequeno Gesto (tel. 0/xx/21/2205-0671; www.pequenogesto.com.br)
Caderno do Folias
Quanto: R$ 10 (66 págs)
Mais informações: Galpão do Folias (tel. 0/xx/11/3361-2223; www.galpaodofolias.com)
Subtexto
Quanto: grátis (94 págs; pedidos por e-mail: cinehorto@grupogalpao.com.br)
Mais informações: Galpão Cine Horto (tel. 0/xx/31/3481-5580; www.grupogalpao.com.br)

Nesta semana, dois eventos em São Paulo colocam em pauta a dramaturgia sob o ponto de vista da cultura popular. Eles estão umbilicados pela escrita e pela pesquisa de Luís Alberto de Abreu.

A partir de amanhã (dia 30), a Fraternal Cia. de Artes e Malas-Artes, à qual Abreu é ligado, mostra três peças no Centro Cultural São Paulo (CCSP).

Na quarta, é a vez do ciclo de leituras Dramaturgias no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), que dedica este segundo semestre ao projeto Cultura Popular Como Matriz, conforme sugestão de Abreu, consultor do evento.

“O raciocínio que contrapõe uma pretensa cultura de elite a uma cultura popular e, principalmente, estabelece juízos de valor comparativos entre elas, tem muito de artificial”, afirma Abreu. “Tanto os poetas gregos quanto Shakespeare, Rabelais e Molière, Bocaccio ou Dante produziram suas grandes obras a partir do manancial da cultura popular.”

No momento, Antunes Filho ensaia sua versão para “Romance da Pedra do Reino e o Príncipe de Sangue do Vai-e-Volta” (1971), de Ariano Suassuna, mantida em banho-maria há anos.

Recém-chegada de temporada no Rio, a Fraternal, 12 anos, leva ao CCSP os espetáculos “Borandá – Auto do Migrante” (2003, Prêmio Shell de melhor autor), “Eh, Turtuvia!” (2004) e “Auto da Paixão e da Alegria” (2002). As três comédias são de Abreu, encenadas por Ednaldo Freire, sempre com o mesmo elenco: Mirtes Nogueira, Aiman Hammoud, Edgar Campos e Luti Angelelli (leia quadro nesta página).

No CCBB, o ciclo de leituras é retomado com “Acordei Que Sonhava”, da dramaturga e diretora Cláudia Schapira, com o Núcleo Bartolomeu de Depoimentos.

Em registro de teatro-hip hop, colado à cultura das ruas, a peça é baseada no texto barroco “A Vida É Sonho”, do espanhol Pedro Calderón de La Barca (1600-81). A peça expõe o conflito entre destino e livre-arbítrio.

“Apontamos uma metáfora sobre a realidade brasileira. O que se pretende é desmistificar a relação entre uma obra que foi posta à prova pelo tempo e a licenciosidade, inerente ao teatro, de dialogar com seu tempo”, diz a autora.

Após a leitura, há um debate com a professora Neyde Veneziano (Unicamp), especialista em teatro popular. 

 

Valmir Santos

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