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Folha de S.Paulo

Festivais tomam Porto Alegre e Buenos Aires

8.9.2005  |  por Valmir Santos

São Paulo, quinta-feira, 08 de setembro de 2005

TEATRO

Cidades abrigam eventos com atrações de teatro, música e dança; ambas trazem o grupo alemão Volksbühne

VALMIR SANTOS
Da Reportagem Local 

As “folhas secas da utopia”, como canta o gaúcho Vitor Ramil em ode à “estética do frio”, balançam a pré-primavera de festivais de artes cênicas em Porto Alegre e Buenos Aires.

São eventos que acontecem paralelamente por duas semanas, até 25 de setembro. Ontem, teve largada o 5º Festival Internacional de Buenos Aires: Teatro, Dança, Música e Artes Visuais, o Fiba, bienal. Amanhã, abre a 12ª edição do Porto Alegre em Cena, o Poa em Cena, anual.

O intercâmbio já foi mais intenso, como na edição de 2003. Agora, pende mais para um lado da fronteira.

O festival gaúcho traz seis montagens teatrais da Argentina, enquanto Buenos Aires terá apenas um representante brasileiro na programação, o Grupo de Rua de Niterói.

Segundo a diretora do festival argentino, Graciela Casabé, 46, o Brasil é o único convidado sul-americano neste ano.

“Não poderia faltar, faço questão”, diz. Alega que reduziu o número de projetos internacionais em busca de garantir mais sessões na grade. (O orçamento argentino é cerca de R$ 1,3 milhão; o gaúcho, R$ 2 milhões).

Já em Porto Alegre, o esforço é pela conexão com o Cone Sul. Luciano Alabarse volta à direção-geral do Poa em Cena após três anos (afastou-se em 2001 sob alegação de desentendimento com a administração do PT, na qual atuou por oito anos; a cidade agora é administrada pelo PPS). E quer reforçar os laços.

São seis produções do Uruguai, cinco da Argentina, duas do Chile e uma da Colômbia, entre as 55 atrações de teatro, dança e música.

“A idéia é resgatar a força do diálogo com a língua espanhola, que afinal é o que torna singular o nosso festival no Brasil”, diz Alabarse, 52.

Destaca “La Señorita de Tacna”, estrelada pela veterana dos palcos argentinos, Norma Aleandro, numa adaptação da obra homônima do peruano Mario Vargas Llosa, em que a atriz se desdobra com os dois tempos da personagem: a juventude e a velhice.

E “Canibales”, espetáculo da Comedia Nacional, uma cia. estável do Uruguai, dirigida por Alberto Rivero. A peça cruza descendentes de vítimas de Auschwitz sobreviventes. No elenco, Jorge Bolani, visto há pouco no cinema com o filme “Whisky”.

Peter Brook
A edição também reafirma o diálogo do Poa em Cena com países da Europa. Há, por exemplo, mais uma montagem do diretor inglês Peter Brook, desta vez um Beckett: “Dias Felizes”.
Da Alemanha, vem o lendário “teatro do povo”, o Volksbühne am Rosa Luxemburg Platz, da praça Rosa Luxemburgo, em Berlim. Traz uma montagem do seu principal diretor, Frank Castorf: “Endstation Amerika”, uma adaptação para “Um Bonde Chamado Desejo”, de Tennessee Williams.
O público de São Paulo também poderá assistir à peça nos dias 23 e 24/9, às 21h, no Sesc Pinheiros (R$ 20 a R$ 40; tel. 0/xx/11/3095-9400).

Alemanha
Aliás, o teatro alemão desponta com presença marcante na cena brasileira neste 2005. Em junho, o mesmo Volksbühne passou pelo Festival de Londrina (Filo) com “Luta de Negros e de Cães”, de Bernard-Marie Koltès. A partir do próximo dia 14, o coletivo Oficina Uzyna Uzona mostra as quatro partes de “Os Sertões” no próprio Volksbühne.

São Paulo viu “A Vida na Praça Roosevelt”, pela cia. Thalia Theater, de Hamburgo, e agora confere a encenação do grupo Os Satyros na sua sede, com texto da mesma autora, a alemã Dea Loher.

De volta a Buenos Aires, a curadoria elegeu espetáculos que incorporem novas tecnologias em suas linguagens. O festival também inclui “Endstation Amerika”, no qual Castorf trabalha com vídeo, por exemplo.

Também foram incluídas montagens de clássicos nessa linha: um “Tio Vania” (Tchecov) da Bélgica, dirigido por Luk Perceval, e um “Noites de Reis” (Shakespeare) da Rússia, pelo britânico Declan Donnellan.

As duas cidades abrem espaço para a música: Porto Alegre ouve e dança Tom Zé, Buenos Aires baila com Frédéric Galliano e The African Divas (França e África Ocidental).

Valmir Santos

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