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Folha de S.Paulo

114 entidades teatrais pedem mais verba

21.10.2005  |  por Valmir Santos

São Paulo, sexta-feira, 21 de outubro de 2005

TEATRO 
Documento assinado pelas organizações foi entregue ao Ministério da Cultura e a comissões no Congresso

VALMIR SANTOS
Da Reportagem Local 

Publicações dedicadas ao teatro contemporâneo ganharam novas edições no fim de 2005 e neste começo de ano no Rio, em São Paulo e em Belo Horizonte.
Iniciativa do grupo carioca Teatro do Pequeno Gesto, a revista “Folhetim” nº 22 é dedicada ao projeto “Convite à Politika!”, organizado ao longo do ano passado. Entre os ensaios, está “Teatro e Identidade Coletiva; Teatro e Interculturalidade”, do francês Jean-Jacques Alcandre. Trata da importância dessa arte tanto no processo histórico de formação dos Estados nacionais quanto no interior de grupos sociais que põem à prova sua capacidade de convivência e mestiçagem.
Na seção de entrevista, “Folhetim” destaca o diretor baiano Marcio Meirelles, do Bando de Teatro Olodum e do Teatro Vila Velha, em Salvador.
O grupo paulistano Folias d’Arte circula o sétimo “Caderno do Folias”. Dedica cerca de 75% de suas páginas ao debate “Política Cultural & Cultura Política”, realizado em maio passado no galpão-sede em Santa Cecília.
Participaram do encontro a pesquisadora Iná Camargo Costa (USP), os diretores Luís Carlos Moreira (Engenho Teatral) e Roberto Lage (Ágora) e o ator e palhaço Hugo Possolo (Parlapatões). A mediação do dramaturgo Reinaldo Maia e da atriz Renata Zhaneta, ambos do Folias.
Em meados de dezembro, na seqüência do 2º Redemoinho (Rede Brasileira de Espaços de Criação, Compartilhamento e Pesquisa Teatral), o centro cultural Galpão Cine Horto, braço do grupo Galpão em Belo Horizonte, lançou a segunda edição da sua revista de teatro, “Subtexto”.
A publicação reúne textos sobre o processo de criação de três espetáculos: “Antígona”, que o Centro de Pesquisa Teatral (CPT) estreou em maio no Sesc Anchieta; “Um Homem É um Homem”, encenação de Paulo José para o próprio Galpão, que estreou em outubro na capital mineira; e “BR3”, do grupo Teatro da Vertigem, cuja previsão de estréia é em fevereiro.
Essas publicações, somadas a outras como “Sala Preta” (ECA-USP), “Camarim” (Cooperativa Paulista de Teatro”) e “O Sarrafo” (projeto coletivo de 16 grupos de São Paulo) funcionam como plataformas de reflexão e documentação sobre sua época.
Todas vêm à luz com muito custo, daí a periodicidade bamba. Custo não só material, diga-se, mas de esforço de alguns de seus fazedores em fomentar o exercício crítico, a maturação das idéias e a conseqüente conversão para o papel -uma trajetória de fôlego que chama o público para o antes e o depois do que vê em cena.
Folhetim nº 22
Quanto: R$ 10 a R$ 12 (114 págs)
Mais informações: Teatro do Pequeno Gesto (tel. 0/xx/21/2205-0671; www.pequenogesto.com.br)
Caderno do Folias
Quanto: R$ 10 (66 págs)
Mais informações: Galpão do Folias (tel. 0/xx/11/3361-2223; www.galpaodofolias.com)
Subtexto
Quanto: grátis (94 págs; pedidos por e-mail: cinehorto@grupogalpao.com.br)
Mais informações: Galpão Cine Horto (tel. 0/xx/31/3481-5580; www.grupogalpao.com.br)

Recursos para ações emergenciais de fomento às artes cênicas até dezembro. O item encabeça documento assinado por 114 entidades e apresentado anteontem na reunião nacional da câmara setorial de teatro em Brasília, organizada pela Funarte, órgão do MinC (Ministério da Cultura).

Ontem, o documento foi encaminhado às comissões de Educação e de Cultura do Senado e da Câmara, que podem deliberar sobre emendas do orçamento do MinC.

As entidades, que representam vários Estados, pedem prioridade para o desenvolvimento das artes cênicas e inclusão de ao menos oito itens na agenda das comissões.

Segundo o documento, em três anos de governo Lula foi lançado apenas um edital para teatro, com foco na circulação de espetáculos.

“Que em 2006 não haja contingenciamento no orçamento do Ministério da Cultura”, diz o documento, tocando o nervo exposto na pasta de Gilberto Gil.

Em 2005, foram retidos 57% do orçamento de R$ 480 milhões do MinC. O governo justifica que usou o dinheiro para o pagamento de juros da dívida externa. O próprio Gil reclamou recentemente de que ficou “à míngua” e esperava dias melhores em 2006.

As entidades reconhecem que, tecnicamente, não há prazo para o lançamento de edital até o final de 2005 (no mínimo 45 dias) e propõem emenda que destine R$ 30 milhões no início de 2006 relativos aos Prêmios Myriam Muniz (de fomento ao teatro) e Klauss Vianna (fomento à dança).

A Funarte chegou a anunciar os dois prêmios para 2005, mas recuou por falta de recursos.

“O documento está em sintonia com o que as câmaras setoriais vêm discutindo nos Estados e com os programas que elaboramos”, diz o presidente da Funarte, Antonio Grassi. O encontro também foi acompanhado pelo secretário-executivo do MinC, Juca Ferreira.

O documento endossa ainda a reivindicação de outros setores da cultura para que o MinC alcance 2% do orçamento federal -outra bandeira de Gil.

Entre as entidades que subscrevem o documento, estão a Apetesp (Associação dos Produtores de Espetáculos Teatrais do Estado de São Paulo) e a Abracirco (Associação Brasileira de Circo).

Valmir Santos

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