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Folha de S.Paulo

“Bar” mostra a dramaturgia de Scimone

2.11.2005  |  por Valmir Santos

São Paulo, quarta-feira, 02 de novembro de 2005

TEATRO 
Ganha montagem na cidade peça do escritor italiano comparado ao ganhador do Nobel de Literatura Harold Pinter

VALMIR SANTOS
Da Reportagem Local 

Publicações dedicadas ao teatro contemporâneo ganharam novas edições no fim de 2005 e neste começo de ano no Rio, em São Paulo e em Belo Horizonte.
Iniciativa do grupo carioca Teatro do Pequeno Gesto, a revista “Folhetim” nº 22 é dedicada ao projeto “Convite à Politika!”, organizado ao longo do ano passado. Entre os ensaios, está “Teatro e Identidade Coletiva; Teatro e Interculturalidade”, do francês Jean-Jacques Alcandre. Trata da importância dessa arte tanto no processo histórico de formação dos Estados nacionais quanto no interior de grupos sociais que põem à prova sua capacidade de convivência e mestiçagem.
Na seção de entrevista, “Folhetim” destaca o diretor baiano Marcio Meirelles, do Bando de Teatro Olodum e do Teatro Vila Velha, em Salvador.
O grupo paulistano Folias d’Arte circula o sétimo “Caderno do Folias”. Dedica cerca de 75% de suas páginas ao debate “Política Cultural & Cultura Política”, realizado em maio passado no galpão-sede em Santa Cecília.
Participaram do encontro a pesquisadora Iná Camargo Costa (USP), os diretores Luís Carlos Moreira (Engenho Teatral) e Roberto Lage (Ágora) e o ator e palhaço Hugo Possolo (Parlapatões). A mediação do dramaturgo Reinaldo Maia e da atriz Renata Zhaneta, ambos do Folias.
Em meados de dezembro, na seqüência do 2º Redemoinho (Rede Brasileira de Espaços de Criação, Compartilhamento e Pesquisa Teatral), o centro cultural Galpão Cine Horto, braço do grupo Galpão em Belo Horizonte, lançou a segunda edição da sua revista de teatro, “Subtexto”.
A publicação reúne textos sobre o processo de criação de três espetáculos: “Antígona”, que o Centro de Pesquisa Teatral (CPT) estreou em maio no Sesc Anchieta; “Um Homem É um Homem”, encenação de Paulo José para o próprio Galpão, que estreou em outubro na capital mineira; e “BR3”, do grupo Teatro da Vertigem, cuja previsão de estréia é em fevereiro.
Essas publicações, somadas a outras como “Sala Preta” (ECA-USP), “Camarim” (Cooperativa Paulista de Teatro”) e “O Sarrafo” (projeto coletivo de 16 grupos de São Paulo) funcionam como plataformas de reflexão e documentação sobre sua época.
Todas vêm à luz com muito custo, daí a periodicidade bamba. Custo não só material, diga-se, mas de esforço de alguns de seus fazedores em fomentar o exercício crítico, a maturação das idéias e a conseqüente conversão para o papel -uma trajetória de fôlego que chama o público para o antes e o depois do que vê em cena.
Folhetim nº 22
Quanto: R$ 10 a R$ 12 (114 págs)
Mais informações: Teatro do Pequeno Gesto (tel. 0/xx/21/2205-0671; www.pequenogesto.com.br)
Caderno do Folias
Quanto: R$ 10 (66 págs)
Mais informações: Galpão do Folias (tel. 0/xx/11/3361-2223; www.galpaodofolias.com)
Subtexto
Quanto: grátis (94 págs; pedidos por e-mail: cinehorto@grupogalpao.com.br)
Mais informações: Galpão Cine Horto (tel. 0/xx/31/3481-5580; www.grupogalpao.com.br)

Apontada pela crítica italiana como versão siciliana do britânico e agora Nobel de Literatura Harold Pinter, a dramaturgia do italiano Spiro Scimone, 41, chega ao Brasil por meio de “Bar”, espetáculo que abre temporada hoje no teatro da Memória, Instituto Cultural Capobianco.

A peça de 1996 traz diálogo composto de frases curtas, falas de linha única entre o garçom Nino (interpretado por Bruno Kott) e o freguês e amigo Petru (Alvize Camozzi).

O primeiro sonha em arrumar um trabalho no qual possa mostrar sua habilidade na preparação de coquetéis. O segundo se revela um viciado em pôquer.

A reunião daquela noite é para armar um plano contra um terceiro personagem, Jani, principal adversário de Petru no jogo. Jani jamais aparece em cena, mas boa parte do que se conversa lhe diz respeito.

“É um texto em que você precisa de um tempo de contato para começar a encontrar onde estão seus pontos fortes”, diz Cacá Toledo, 28, que assina a direção com Camozzi, responsável ainda pela tradução e montagem (com o cenógrafo William Zarella).
Pausas e ações convivem sem a rubrica e sem intervenção do autor. “Os personagens têm uma interdependência e ao mesmo tempo se desagradam ao extremo; há o jogo de palavras e os equívocos de comunicação”, diz Toledo.

Para recriar a atmosfera de um bar, são usados amplificadores e microfones que reproduzem burburinho e efeitos sonoros de pratos, copos e talheres.

Zarella criou uma cenografia que divide dois ambientes por meio de um compensado de madeira, um teto que ameaça desabar. Na parte de baixo, fica o espaço onde os atores atuam. Em cima, sugere-se um depósito.

Nessa relação de condutor e conduzido, os personagens estão como que trancados no bar, condicionados num espaço pequeno. O mundo exterior constituirá uma ameaça, daí a paradoxal dificuldade em abandonar o território que os oprime.

“As ações ditas “principais” não são assistidas pelo espectador, como as visitas de Jani, da mãe, o jogo, um assassinato etc. “Bar” me deixa uma grande impressão de ser uma peça escrita a partir de improvisações dos atores”, diz Toledo. 



Bar 
Quando:
 qua., às 21h (estréia hoje); até 14/12
Onde: Instituto Cultural Capobianco – teatro da Memória (r. Álvaro de Carvalho, 97, centro, tel. 3237-1187)
Quanto: R$ 20
 

Valmir Santos

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