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Folha de S.Paulo

Peças paulistanas evocam universo de judeus e árabes

28.5.2006  |  por Valmir Santos

São Paulo, domingo, 28 de maio de 2006

TEATRO 

Quatro espetáculos, como “Os Meninos e as Pedras” e “As Turca”, trazem personagens oriundos do Oriente Médio
 

Três dos quatro espetáculos paulistanos com essa temática têm sessão hoje; preço do ingresso varia de R$ 14 a R$ 40

VALMIR SANTOS
Da Reportagem Local 

Sempre complexas, questões relativas ao Oriente Médio ganham abordagem, de formas direta e indireta, em quatro espetáculos na temporada teatral da cidade. Três deles tem apresentação hoje: “Os Meninos e as Pedras”, no Viga Espaço Cênico; “As Turca”, no teatro Bibi Ferreira; e “Emma Goldman: Amor, Anarquia e Outros Casos”, no Espaço dos Satyros 1. Já “Feliz Aniversário” tem sessões às quartas e quintas-feiras, no Teatro Folha.

Num lugar imaginário, o “quintal” da casa deles, Yonatham, um menino judeu, e Fátima, uma menina árabe, protagonizam um encontro que traz à tona os conflitos existentes entre seus povos. Mais que isso, a possibilidade de convivência, de diálogo.
“Os Meninos e a Pedra” foi escrito por Antônio Rogério Toscano em 2002. A peça é definida pelo próprio autor como “dramaturgia para jovens”.

A encenação de Juliana Monteiro (assistente de Newton Moreno em “Assombrações do Recife Velho”) busca contrapor um tema polêmico às brincadeiras infantis que sustentam o jogo cênico dos atores. “Mas a gente busca fugir da caricatura da criança”, diz o ator Luiz Gustavo Jahjah, 29. Sua família tem ascendência árabe, mas ele interpreta o menino judeu, papel que também é assumido em cena por seu colega Judson Cabral. Já a atriz Cecília Schucman, de ascendência judia, faz a menina árabe junto com Ligia Yamaguti. Todos integram o Núcleo Entrelinhas de Teatro, formado por aprendizes da Escola Livre de Teatro de Santo André.

Em “As Turca”, Nura, Dulce e Vitória são irmãs. Na peça, a também atriz Andréa Bassitt, bisneta de libaneses, expõe o drama de uma família árabe e cristã às voltas com o fim da fartura de outrora, quando seus familiares chegaram ao Brasil na corrente imigratória do início do século 20.

Apesar da crise de fundo, às vezes em primeiro plano, “As Turca” escora-se na veia comediante de atrizes como Cláudia Mello (a irmã mais velha) e Juçara Morais (a do meio). Bassitt interpreta a caçula. Toda a ação se passa dentro de uma cozinha, onde as personagens põem a mão na massa para assar esfihas.

Numa das passagens do espetáculo dirigido por Regina Galdino, chega a notícia, via telejornal, de um atentado à bomba numa universidade norte-americana em Beirute. O episódio atingirá diretamente o coração daquela família.

Judeus na Lituânia
Atentado, fabricação de bomba, também é por aí que mais se aproxima a relação com o Oriente Médio contemporâneo em “Emma Goldman -Amor, Anarquia e Outros Casos”, solo interpretado por Agnes Zuliani e dirigido por Rodrigo Garcia.

O texto da americana Jessica Litwak faz um panorama da judia da Lituânia que imigrou para os EUA em 1885 e lá exerceu a maior parte de suas atividades políticas até ser deportada em 1919. Segundo Zuliani, Goldman foi precursora da esquerda de 1968 em sua defesa da liberdade e em seu experimentalismo de comportamento. “Ela foi uma grande divulgadora das artes em suas palestras nos EUA, sendo uma das primeiras a falar, naquele país, dos grandes dramaturgos modernos, como Ibsen, Strindberg e Tchecov”, afirma a atriz, que contou com o apoio do Centro da Cultura Judaica.

Uma mulher judia também está à frente de outra peça em cartaz, o monólogo “Feliz Aniversário”, com Danielle Maia. 

 

Valmir Santos

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