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Folha de S.Paulo

“Sozaboy” trata de guerra pela cultura africana

10.5.2006  |  por Valmir Santos

São Paulo, quarta-feira, 10 de maio de 2006

TEATRO 

VALMIR SANTOS

Da Reportagem Local 

Quando cumprimentam uma pessoa, o burquinense Hassane Kassi Kouyaté e o francês D’de Kabal levam a mão ao coração. Eles têm fé no teatro, como desejam mostrar em “Sozaboy – Pétit Minitaire” (corruptela para “pequeno soldado”), espetáculo apresentado somente hoje e amanhã no Sesc Santana.

Num palco praticamente nu, eles usam poucos objetos, como uma cadeira, um fuzil e um microfone. A dupla de atores se apóia sobretudo na palavra, falada e cantada, para conduzir o público à história de um adolescente aprendiz de motorista seduzido por um uniforme militar e submetido a três anos no front.

Nesse período de guerra civil, ele perde a mulher, a mãe, a casa, a aldeia e até a sua imagem, já que o tomarão por fantasma. Essas vozes reverberam em cena.

“A peça é uma escultura feita de som, luz, corpo e verbo”, diz Kouyaté, 42, que herdou a tradição do “griot” em seu país, Burkina Fasso. Os griots são poetas e cantadores da cultural oral africana. Por isso a aliança com o também rapper D’de Kabal, 32.

A musicalidade das palavras é fundamental na direção de Stéphanie Loïk -haverá legendas eletrônicas em português. Ela adaptou “Sozaboy”, romance do escritor e ativista nigeriano Ken Saro-Wiwa (1941-95), enforcado pelo regime militar de seu país por defender a minoria ogoni.

O projeto teatral evoca crianças-soldados numa favela urbana ou num Iraque sob bombardeio. “A peça fala desses conflitos por meio da janela do amor”, diz Hassane, filho do também ator Sotigui Kouyaté, que já esteve aqui com a companhia de Peter Brook.



Sozaboy – Pétit Minitaire

Quando: hoje e amanhã, às 21h
Onde: Sesc Santana (av. Luiz Dumont Villares, 579, tel. 0/xx/11/6971-8700)
Quanto: de R$ 4 a R$ 10 

Valmir Santos

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