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Folha de S.Paulo

SP celebra expoente do TBC

5.7.2006  |  por Valmir Santos

São Paulo, quarta-feira, 05 de julho de 2006

TEATRO 
Exposição no Sesc Pinheiros e biografia a ser lançada amanhã revisitam obra de Maurice Vaneau 

Evento homenageia o encenador belga, que foi um dos remanescentes dos imigrantes que aportaram no país dos anos 40 a 60

VALMIR SANTOS 
Da Reportagem Local 

Belga naturalizado brasileiro, Maurice Vaneau, 80, é remanescente da geração de diretores estrangeiros que inscreveu seu nome na história do TBC (Teatro Brasileiro de Comédia) entre as décadas de 40 e 60, ao lado de nomes como os italianos Adolfo Celi, Gianni Ratto, Ruggero Jacobbi e Flaminio Bollini-Cerri e o polonês Zbigniew Ziembinski.

A partir de amanhã, São Paulo acompanha uma homenagem -como raramente ocorre em vida- à obra e ao pensamento do encenador e coreógrafo por meio da exposição “Maurice Vaneau – Artista Múltiplo/80 Anos”.

Dividida em sete módulos, a mostra ocupa o terceiro andar do Sesc Pinheiros e procura dar conta justamente da vocação multidisciplinar nutrida por esse homem das artes cênicas e visuais, por meio de fotos, desenhos, croquis, maquetes, textos, objetos, adereços e figurinos expostos em manequins.

O organizador, o cenógrafo e arquiteto J.C. Serroni, deseja proporcionar ao visitante o lado processual do artista. Como ao penetrar o apartamento em que Vaneau mora há 30 anos, em Higienópolis, com a mulher e coreógrafa Célia Gouvêa.

Atmosfera doméstica
A idéia é recriar a atmosfera da casa que também é ateliê de trabalho e quase um “museu”, a traduzir em cada canto do espaço o intenso trabalho desenvolvido por ele. “O seu traço existe nos móveis, nas paredes, em peças penduradas no teto, dentro de baús, latas, em dezenas de pastas e arquivos guardados cuidadosamente e até nas portas, onde vemos brincadeiras gráficas do mais refinado humor”, diz Serroni.

O módulo sete, no miolo da exposição, apresenta uma instalação com 16 baús cheios de objetos pessoais. Os mesmos baús com os quais Vaneau viajava mundo afora.

Cursou belas-artes. Começou profissionalmente no teatro em 1948. Viveu um período de estudos nos EUA. Integrou o Teatro Nacional da Bélgica, com o qual excursionou pela América do Sul em 1955. Aportou no Brasil naquele mesmo ano, adotando-o como morada a convite de Franco Zampari, responsável pelo TBC.

Em 1956, estreou “A Casa de Chá do Luar de Agosto”, de John Patrick, que trazia Ítalo Rossi, Mauro Mendonça, Sérgio Brito e Nathalia Timberg.

Assinou mais de 60 espetáculos, alguns deles premiados, como “Os Ossos do Barão” (1963), de Jorge Andrade, 19 meses em cartaz no TBC, com Cleyde Yáconis e Lélia Abramo.

Ator, cenógrafo, figurinista, pintor, enfim, o homenageado também ganha uma biografia, “Maurice Vaneau – Artista Múltiplo”, da jornalista Leila V.B. Gouvea, que sai pela coleção Aplauso da Imprensa Oficial do Estado, em lançamento na mesma noite do vernissage da exposição, que prevê ainda performance de 12 atores-bailarinos com figurinos originais criados por Vaneau. 

Valmir Santos

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