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Folha de S.Paulo

Oficina revive “Os Sertões” para versão em DVD

24.2.2007  |  por Valmir Santos

São Paulo, sábado, 24 de fevereiro de 2007

TEATRO 
Filmagens acontecem até o final de março, com ingressos a preços populares e transmissão ao vivo pela internet

Caixa com DVDs terá 26 horas de espetáculo e extras gravados nos bastidores; peças anteriores do grupo devem ser lançadas

VALMIR SANTOS 
Da Reportagem Local 

O público do Teatro Oficina está familiarizado com imagens captadas no tempo real da cena (pista, túnel, galerias) e projetadas em telões, paredes, corpos. Pelo menos dez outras câmaras reforçam “Os Sertões” neste e nos próximos quatro finais de semana.

A polifonia do principal projeto teatral da década até agora no Brasil chega às filmagens em DVD. E se espraia ainda via internet, com transmissão simultânea das sessões pelo site do grupo (www.teatroficina.com.br), parceria com o provedor UOL.

As cinco montagens assinadas por José Celso Martinez Corrêa serão gravadas com direção de Tommy Pietra (“A Terra”), Fernando Coimbra (“O Homem 1”), Marcelo Drummond (“O Homem 2”), Elaine César (“A Luta 1”) e Eryk Rocha (“A Luta 2”). Este último, filho de Glauber Rocha, define como desafiadora “a transfiguração dessa rebelião poética do teatro ao cinema”.

“Da mesma forma que o Zé puxa a literatura para o teatro, num sincretismo artístico com dança, audiovisual, coro, história, música etc., o movimento continua aqui, na filmagem da peça, agora do teatro para o cinema”, afirma Eryk, 29. “A tragédia de Canudos é também a tragédia do mundo hoje. O ciclo do Oficina é uma convocação à coletividade, à multidão, nesta época que prega o individualismo a todo custo.”

Para quem tiver fôlego de maratonista, a caixa digital resultará em cerca de 26 horas de espetáculos corridos, além de extras com bastidores.

O ciclo “Os Sertões” estreou em 2002, com “A Terra”, a primeira parte da obra cujo centenário de publicação completou-se naquele ano.

Em sua prosa, Euclydes da Cunha atravessa os terrenos da história, da literatura e da ciência para relatar a Guerra de Canudos (1896-97). Dá notícias de Antônio Conselheiro, seus seguidores (sertanejos) e perseguidores (quatro expedições do Exército). Cerca de 25 mil pessoas morreram no conflito.
No trabalho de dramaturgia, Zé Celso, 69, transpõe o clássico em roteiros que incluem diálogos em versos e composições originais. Os textos estão publicados na íntegra em brochuras para cada um dos espetáculos, com média de 80 páginas (R$ 3, na bilheteria).

“Neste verão de pânico no planeta, com as catástrofes anunciadas, este acontecimento [a filmagem] é uma boa nova que deve contribuir para o Grupo Silvio Santos compreender, enfim, que as empresas precisam de uma reciclagem absoluta na sua forma de produção e de aliar-se de vez à revolução cultural social, necessária neste momento”, escreve Zé Celso.

No mês passado, a Justiça paulista aprovou liminar pedida pelos advogados do Oficina que impede a construção de um shopping center na área em torno do teatro, que é tombado. Procurado pela Folha, o Grupo Silvio Santos não quis comentar a decisão provisória. Segundo sua assessoria, o departamento jurídico analisa o caso.

Peças anteriores
A companhia Oficina Uzyna Uzona dialoga com o suporte DVD desde 2001. “Ham-Let” (1993), “Bacantes” (1996), “Cacilda!” (1998) e “Boca de Ouro” (2000) foram remontados para registro sob direção da equipe de Tadeu Jungle.

Já editadas, as peças ainda não chegaram ao mercado. De acordo com o grupo, entre outros motivos, por impedimento nos direitos fonográficos de parte das músicas utilizadas. A intenção é distribuir o pacote até dezembro, pela Trama. 

Valmir Santos

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