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Folha de S.Paulo

Produção paranaense tem alguns nichos de qualidade

2.4.2007  |  por Valmir Santos

São Paulo, segunda-feira, 02 de abril de 2007

TEATRO 

VALMIR SANTOS

Do enviado a Curitiba 

No Fringe, a qualidade das produções curitibanas costuma suscitar dúvidas. A predominância de peças locais (nesta edição, 108 em um universo de 180) evidencia a mediocridade em temas, títulos e conteúdos apelativos. Entretanto, alguns artistas conseguiram criar dissonâncias.

Quatro grupos ocuparam o teatro da UFPR para mostrar repertório. Pausa Cia., Cia. Silenciosa, A Armadilha Cia. de Teatro e Cia. Provisória riscaram o chão no compromisso com a pesquisa e sintonia com o teatro contemporâneo.

Nesse projeto, um espetáculo bem-sucedido foi “Os Leões”, montagem de Nadja Naira, da Armadilha, para o texto do espanhol Pablo Miguel de la Vega y Mendoza. Os atores Alexandre Nero e Diego Fortes catalisam a força centrípeta do drama: dois homens solitários submetidos à convivência, um condicionado ao outro.

É de se perguntar, porém, por que esses mesmos artistas que primam pela encenação e interpretação não avançam em dramaturgias próprias.

Em outro esforço por demarcar território, Marcos Damasceno construiu, em 2003, um galpão no fundo do quintal da casa que aluga. Ali, mostrou “Sonho de Outono”, do norueguês Jon Fosse. Uma história sobre perdas bem fiel aos tons cinzas que fazem parte da vida.

Em “Antígona – Reduzida e Ampliada”, a Cia. Senhas, da diretora Sueli Araújo, concebe uma ousada releitura da obra de Sófocles para refletir a civilização do consumo. Ali, decalca-se beleza da arte do teatro, ainda que a partir de desumanidades sem fim. 

Valmir Santos

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