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Folha de S.Paulo

Calil e artistas acenam com acordo

4.7.2007  |  por Valmir Santos

São Paulo, quarta-feira, 04 de julho de 2007

TEATRO 

Após admitir erros em edital de fomento ao teatro, secretário propõe desburocratizar prestação de contas
 

VALMIR SANTOS

Da Reportagem Local

No início da polêmica sobre alterações publicadas no 11º edital da Lei de Fomento, em maio, o secretário municipal Carlos Augusto Calil (Cultura) suspeitava de que artistas e produtores de teatro de São Paulo tentavam “politizar” o debate, pelo “tom agressivo” com que foi abordado em cartas e manifestações públicas.

Dias depois, Calil elogiou justamente a “reunião política de alto nível” que, em sua opinião, restabeleceu o diálogo na sexta passada. Entre os interlocutores que recebeu em seu gabinete, estavam os diretores José Renato, fundador do Teatro de Arena; César Vieira, do Teatro União e Olho Vivo; e representantes da Câmara Municipal e da Assembléia Legislativa.

Conclusão: Calil admitiu “erros por excesso de zelo” de sua equipe, erros técnicos em conflito com o já estabelecido em lei (como o número de indicados à comissão). Corrigiu-os e republicou o edital, prorrogando as inscrições para até 23/7.

E os artistas, representados sobretudo pela Cooperativa Paulista de Teatro, reativaram a capacidade de articulação que está na origem do Programa Municipal de Fomento em São Paulo, em vigor há cinco anos: o movimento Arte contra a Barbárie, união de grupos que, a partir do fim dos anos 90, gera documento paradigmático das políticas públicas para o setor.

Na sexta, sobrou até para um carregador de cocos, “contratado” por artistas para transportar em seu carrinho, da praça D. José Gaspar, sede da cooperativa, à Galeria Olido, base da secretaria da Cultura, os 59 projetos de grupos inscritos no edital. “A cordialidade, como disse o secretário, voltou à mesa”, diz Ney Piacentini (Cia. do Latão), presidente da cooperativa.

Mas restam arestas quanto à prestação de contas. Piacentini diz que os grupos não se negam a fazê-la, pois “defendem a transparência e o acompanhamento da secretaria desde o começo”. O problema seriam “procedimentos burocráticos”.

Em correspondência enviada a César Vieira, Calil reconhece a queixa e propõe transformar as três etapas previstas de prestação de contas em uma só, a ser realizada “até 60 dias do término do projeto”. A cooperativa estuda a sugestão.

Em dois editais por semestre, o fomento reparte cerca de 9 milhões aos núcleos de pesquisa -foram 30 em 2006. Segundo Piacentini, o programa atingiria hoje cerca de 10% da população de São Paulo (ou 1,5 milhão de pessoas), entre espectadores e trabalhadores.

A cooperativa deve publicar neste ano um livro com balanço dos cinco anos da lei pelos pesquisadores Iná Camargo Costa e Dorberto Carvalho. 

Valmir Santos

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