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Folha de S.Paulo

“Cidadão de Papel” abre Teatro da Vila

25.8.2007  |  por Valmir Santos

São Paulo, sábado, 25 de agosto de 2007

TEATRO 

Escola, ONG e Os Satyros unem-se para ocupar novo espaço da Vila Madalena com peça inspirada em livro de Dimenstein
 

Sérgio Roveri e o grupo adaptaram de obra cenas de violências cotidianas, que mostram falta de ética no espaço público

VALMIR SANTOS
Da Reportagem Local 

A Escola Estadual Carlos Maximiliano Pereira dos Santos, na Vila Madalena, superou recentemente uma crise de evasão. Teria fechado, não fosse a mobilização dos professores. Agora, inaugura seu teatro de 99 lugares, braço do que pretende ser centro cultural, com a peça “Cidadão de Papel”. 

A criação da Companhia Os Satyros é inspirada no livro homônimo, de 1994, do jornalista Gilberto Dimenstein, colunista da Folha, e ocupa o palco do Teatro da Vila, outrora anexo subtilizado da tal escola. 

O dramaturgo Sérgio Roveri adaptou com o grupo variações de violências cotidianas descritas por Dimenstein em sua obra. São temas relativos à falta de ética no espaço público. 

Há quadros como o da madame que pára o carro em fila dupla ao buscar o filho no colégio, o do abuso de autoridade numa batida policial, o da importância do voto consciente, o do aborto na adolescência e o do motorista que fecha os vidros histericamente no semáforo ao menor sinal da aproximação de alguém (para em seguida jogar um toco de cigarro pela mesma janela, sujando a cidade). 

Às vezes, as cenas soam como notícias de jornal, diz Ivam Cabral, que dirige sete atores. Segundo ele, há um mote recorrente na peça: “O que você faz com isso?”, aplicado tanto para exemplos negativos como positivos. O espetáculo circulará por outras escolas ou instituições sociais da região oeste. “Existem coisas ruins na cidade, mas há também gente fazendo coisas bacanas. Como as professoras que batalharam para jogar luz nessa história, junto com a ONG Aprendiz e outros apoiadores. O Satyros foi chamado apenas para somar forças”, diz Cabral, 42. 

O grupo é curador e programador do espaço. As companhias Linhas Aéreas e Atelier de Manufactura Suspeita reestréiam hoje “Aqui Ninguém É Inocente”, com sessões sáb., às 22h, e dom., às 21h (R$ 20). Em paralelo, o Satyros toca suas duas salas da pça. Franlkin Roosevelt, região central, e outra no Jardim Pantanal, São Miguel, zona leste. 



Cidadão de papel
Onde: Teatro da Vila (r. Jericó, 256, tel. 3258-6345) 
Quando: estréia hoje, às 20h; sex. e sáb., às 20h, e dom., às 18h. Até 16/12 
Quanto: R$ 20 

 

 

Valmir Santos

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