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Folha de S.Paulo

Espetáculo da Cia. São Jorge leva Dom Quixote à praça da República

15.9.2007  |  por Valmir Santos

São Paulo, sábado, 15 de setembro de 2007

TEATRO 
Versão para obra de Cervantes tem estrutura de desfile de escola de samba 

VALMIR SANTOS
Da Reportagem local 

Há anos em busca do mar, uma companhia de teatro assenta no chão de concreto da praça da República. É a metáfora que move a Cia. São Jorge de Variedades no espetáculo que estréia hoje, “O Santo Guerreiro e o Herói Desajustado”, uma versão do “Dom Quixote” de Cervantes para a rua. 

Espaço e relação com público sempre nortearam os trabalhos do grupo, diz o ator e diretor da vez, Rogério Tarifa, 31. “O desafio foi não cairmos em clichês do que seja “fazer teatro de rua”. 

Buscamos o melhor teatro possível nesse novo espaço.” 

A dramaturgia que ele assina com Marcelo Reis e Alexandre Krug promove um encontro de Quixote com São Jorge Guerreiro. Perdidos na metrópole, “inadaptáveis à contemporaneidade”, Quixote e Sancho Pança são socorridos pelo santo popular.

Fixados em lutas solitárias, os personagens seriam revelados à importância do sentido da coletividade. 

O roteiro segue a estrutura de um desfile de escola de samba. “Trazemos o espírito das festas populares para o teatro. São manifestações teatrais no seu sentido mais puro, e é preciso quebrar as barreiras. A cada sessão, um coletivo de arte será convidado a criar o final da peça conosco”, diz Tarifa. 

“O Santo Guerreiro…” envolve 28 profissionais da São Jorge, nascida em 1998. “Desde o início nos colocamos como Quixotes, cavaleiros diante de uma realidade absurda como a de hoje. Qual o sentido de fazer teatro? Em que medida ele interfere na vida urbana?”, questiona o diretor.



O Santo Guerreiro e o  Herói Desajustado
Quando: hoje, às 16h; sex., às 12h, e sáb. e dom., às 16h. Até 28/10 
Onde: pça. da República, s/ nº, tel. 3824-9339 
Quanto: grátis 

Jornalista e crítico fundador do site Teatrojornal – Leituras de Cena, que edita desde 2010. Escreveu em publicações como Folha de S.Paulo, Valor Econômico, Bravo! e O Diário, de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. Autor de livros ou capítulos afeitos ao campo, além de colaborador em curadorias ou consultorias para mostras, festivais ou enciclopédias. Cursa doutorado em artes cênicas pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, onde fez mestrado na mesma área.

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