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Folha de S.Paulo

Arne Lygre conjuga teatro e romance

7.12.2007  |  por Valmir Santos

São Paulo, sexta-feira, 07 de dezembro de 2007

TEATRO

VALMIR SANTOS
Da Reportagem Local 

O drama norueguês contemporâneo ganha vez em palcos brasileiros. Do país de Henrik Ibsen (1828-1906), os textos mais encenados em São Paulo nesta década são de Jon Fosse, por Denise Weinberg (“Nome”) e Fernanda D’Umbra (“Roxo”).

Agora, o encontro é com o dramaturgo Arne Lygre, em “Homem sem Rumo”, pelas mãos de Roberto Alvim.

Também artista plástico, Lygre, 39, estreou profissionalmente com “Mother and Me and Men” (“A Mãe, Eu e os Homens”), em 1998.

“Man Without Purpose”, o título em inglês do texto cuja montagem está em cartaz no Sesc Avenida Paulista, é o penúltimo dos cinco que somam a sua curta obra para teatro, mas o primeiro a ser encenado no Brasil.

“Tenho andado interessado em experimentar formas e estruturas de peça em minha escrita. Tentar descobrir um novo caminho para contar uma história é das minhas principais inspirações na literatura”, diz Lygre.

Em 2004, ele lançou uma coletânea de contos, “In Time”, pela qual foi premiado em seu país. Na semana passada, participou em São Paulo de um encontro na Mostra Sesc de Artes em que falou de dramaturgia dentro de segmento que incluiu leituras de outros autores da Noruega, como Fosse, Nïels Fredrik Dahl e Tryti Vennerod.

“É interessante desenvolver uma história sob diferentes ângulos. A perspectiva de tempo é algo sobre o qual venho trabalhando bastante. A linguagem também tem muita importância nas peças, o ritmo do texto. A respeito disso, não me ocupo do realismo. Acho que é mais interessante quando os personagens, o contexto e o sentimento surgem um pouco como arquétipos, não necessariamente ligados a tempo ou lugar”, afirma Lygre.

“Homem sem Rumo” é baseada na crença de que só o dinheiro garante a felicidade.

Em suas peças, Lygre cria personagens que passam por deslocamentos interiores, irrompem em pequenos monólogos na terceira pessoa, dirigindo-se diretamente ao espectador. Reflexo da contaminação do teatro pelo romance na assinatura do autor?

“Não sei exatamente como as minhas peças e os romances influenciam um ao outro. Por um longo tempo, só fui dramaturgo. Depois, desejei escrever romances e contos também, como se fosse um desafio para mostrar a minha capacidade de usar a linguagem de outra forma.”

Para Lygre, às vezes é bom que um texto seja lido nas páginas de um livro e não interpretado no palco por outro artista. 
 

Valmir Santos

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