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Folha de S.Paulo

Intervenção nascerá de fusão de linguagens

25.3.2008  |  por Valmir Santos

São Paulo, terça-feira, 25 de março de 2008

TEATRO 

Criação colaborativa entre companhias de São Paulo, de Minas Gerais e do Peru estréia em 12 de abril
 

Reunidos em São Paulo para a concepção do espetáculo, grupos planejam peça que saia da “dramaturgia convencional”

VALMIR SANTOS
Da Reportagem Local 

Os artistas do Teatro da Vertigem, da cia. Zikzira Teatro Físico (MG) e da Asociación para la Investigación Teatral La Otra Orilla – LOT (Peru) estão reunidos em SP desde ontem.
Definido o local da intervenção, na semana passada, surge a etapa da criação colaborativa. A 19 dias da estréia, que acontecerá dentro da Virada Cultural, os grupos ainda têm muitos pontos a definir sobre a intervenção na passagem subterrânea. Não sabem, por exemplo, se a ação pode ser estendida à superfície da praça Ramos de Azevedo, de alta concentração de pedestres e carros.
O túnel estava fechado há cerca de dez anos e foi liberado pela subprefeitura da Sé, com apoio da secretaria da Cultura. Por enquanto, a única certeza repousa no título: “A Última Palavra É a Penúltima”, inspirado na janela de possibilidades reafirmada por Gilles Deleuze em “O Esgotado”.
A direção é assinada por Eliana Monteiro (assistente de Antonio Araújo nas últimas peças do grupo paulista), pela dupla André Semenza e Fernanda Lippi, de Belo Horizonte, e pelo peruano Carlos Cueva. Araújo se relacionará com o novo projeto como consultor.
“A gente sabe que não será um espetáculo como os outros, não terá dramaturgia convencional, não será uma leitura cênica ou simplesmente uma performance em fusão com as artes plásticas. Resultará do “modus operandi” do mundo teatral, dos experimentos cênicos derivados de “BR-3″ e de uma interpretação performática que é mais assinada pelo artista do que pelo personagem”, afirma o ator Sergio Siviero, 39. Em quase 16 anos de Vertigem, foram quatro peças em espaços não convencionais e uma leitura cênica em palco, “História de Amor – Últimos Capítulos”, em 2006. A intervenção faz parte do projeto “Plataforma”, que prevê a manutenção da companhia em 2008, sob patrocínio da Petrobras.
André Semenza, da Zikzira, afirma que o intercâmbio das três companhias, vindas de caminhos distintos, resultará num “quarto” corpo. Hibridismo de linguagens com o qual a companhia mineira está acostumada a lidar entre atores e bailarinos, além do trânsito por artes plásticas e cinema.
A LOT, que completa dez anos, está acostumada a realizar intervenções no espaço urbano. Caso do projeto “Las Zonas Fronterizas”, do qual o Vertigem participou recentemente: a ocupação de um prédio abandonado em Lima.
“Estamos curiosos para intervir com os brasileiros numa cidade em que os traços de modernidade são fortes. Tudo vai depender do enfrentamento concreto que vamos ter”, diz Carlos Cueva. (VALMIR SANTOS)
A ÚLTIMA PALAVRA É A PENÚLTIMA
Onde: passagem sob a r. Xavier de Toledo, pça. Ramos de Azevedo, em SP
Quando: estréia dia 12/4; 13 a 15/4 e 26/4, na “Virada Cultural”

Os artistas do Teatro da Vertigem, da cia. Zikzira Teatro Físico (MG) e da Asociación para la Investigación Teatral La Otra Orilla – LOT (Peru) estão reunidos em SP desde ontem. 

Definido o local da intervenção, na semana passada, surge a etapa da criação colaborativa. A 19 dias da estréia, que acontecerá dentro da Virada Cultural, os grupos ainda têm muitos pontos a definir sobre a intervenção na passagem subterrânea. Não sabem, por exemplo, se a ação pode ser estendida à superfície da praça Ramos de Azevedo, de alta concentração de pedestres e carros. 

O túnel estava fechado há cerca de dez anos e foi liberado pela subprefeitura da Sé, com apoio da secretaria da Cultura. Por enquanto, a única certeza repousa no título: “A Última Palavra É a Penúltima”, inspirado na janela de possibilidades reafirmada por Gilles Deleuze em “O Esgotado”. 

A direção é assinada por Eliana Monteiro (assistente de Antonio Araújo nas últimas peças do grupo paulista), pela dupla André Semenza e Fernanda Lippi, de Belo Horizonte, e pelo peruano Carlos Cueva. Araújo se relacionará com o novo projeto como consultor. 

“A gente sabe que não será um espetáculo como os outros, não terá dramaturgia convencional, não será uma leitura cênica ou simplesmente uma performance em fusão com as artes plásticas.

Resultará do “modus operandi” do mundo teatral, dos experimentos cênicos derivados de “BR-3″ e de uma interpretação performática que é mais assinada pelo artista do que pelo personagem”, afirma o ator Sergio Siviero, 39. Em quase 16 anos de Vertigem, foram quatro peças em espaços não convencionais e uma leitura cênica em palco, “História de Amor – Últimos Capítulos”, em 2006. A intervenção faz parte do projeto “Plataforma”, que prevê a manutenção da companhia em 2008, sob patrocínio da Petrobras. 

André Semenza, da Zikzira, afirma que o intercâmbio das três companhias, vindas de caminhos distintos, resultará num “quarto” corpo. Hibridismo de linguagens com o qual a companhia mineira está acostumada a lidar entre atores e bailarinos, além do trânsito por artes plásticas e cinema. 

A LOT, que completa dez anos, está acostumada a realizar intervenções no espaço urbano. Caso do projeto “Las Zonas Fronterizas”, do qual o Vertigem participou recentemente: a ocupação de um prédio abandonado em Lima. 

“Estamos curiosos para intervir com os brasileiros numa cidade em que os traços de modernidade são fortes. Tudo vai depender do enfrentamento concreto que vamos ter”, diz Carlos Cueva.



Peça:A última palavra é a penúltima
Onde: passagem sob a r. Xavier de Toledo, pça. Ramos de Azevedo, em SP 
Quando: estréia dia 12/4; 13 a 15/4 e 26/4, na “Virada Cultural” 

 

 

Valmir Santos

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