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Crítica

‘À deriva’ mais apazigua que desvia

29.8.2013  |  por Valmir Santos

Foto de capa: Júnior Aragão/Cena 2013

O branco dominante na cobertura de lona é como uma tela preenchido pelas memórias e invenções dos sete criadores-pesquisadores. Nesse ambiente intimista, com os espectadores sentados rente às quatro paredes da casa simbólica erguida nos jardins do CCBB-DF, o espetáculo À deriva, do Teatro do Instante, aninha fragmentos de um possível corpus cênico que ainda não se divisa.

É como se faltasse uma âncora (ou umas) nessa navegação por microcosmos díspares. Longe de se reivindicar a unidade, a percepção é de que boa parte dessas células conjugadas sob dramaturgia de Jonathan Andrade, em processo colaborativo, e direção de Giselle Rodrigues (convidada do núcleo de dança baSiraH) carrega imagens verbais e gestuais ainda ilhadas. Seus campos de ação se tocam e não se interpenetram.

Atriz Alice Stefânia, do grupo Teatro do Instante (DF)

As narrativas sobre a autoafirmação diante da cobrança dos outros, o pragmatismo dos dias e das horas autômatos e as reminiscências da infância bucólica são as mais bem resolvidas em suas idas e vindas. Mas carecem de contágio, e mais aos outros novelos, para transpor o verniz das impressões contemplativas, poeticamente edulcoradas pela plasticidade dos movimentos, dos figurinos outonais, dos objetos e adereços vintage.

O olho do furacão sensorial encontra-se amortecido no carrossel dessas histórias frequentemente elusivas. Um pouco mais de arrebentação, de águas revoltas, poderia fazer o espetáculo brasiliense girar com a voltagem que os artistas cogitaram ao escavar suas biografias e ficções. Por enquanto, o espectador vai embora com a sensação de que a vivência mais apazigua que desvia.

>> O jornalista viaja a convite da organização do 14º Cena Contemporânea – Festival Internacional de Teatro de Brasília.

Ficha técnica

Elenco: Alice Stefânia, Cristiano Gomes, Diego Borges, Mônica Mello, Rachel Mendes, Raquel Feitosa, Rita de Almeida Castro

Direção: Giselle Rodrigues

Dramaturgia: Jonathan Andrade

Música e sonoplastia: Jesuway Leão e Omar Amor

Projeções: Carlos Praude

Iluminação: Carlos Praude e Diego Borges

Colaborador: André Amaro

Produção: Caixote Produções

Valmir Santos

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