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Reportagem

Teatro perde o mestre Fauzi Arap

5.12.2013  |  por Maria Eugênia de Menezes

Foto de capa: Reprodução

Morreu o dramaturgo e diretor Fauzi Arap. Nome marcante do teatro brasileiro, ele tinha 75 anos e enfrentava um câncer de bexiga. Familiares informam que o artista morreu em casa, dormindo.

Símbolo da contracultura dos anos 1970, Fauzi começou sua trajetória ainda na década de 1950, quando estreou como ator amador no Teatro Oficina. Formado em engenharia, logo trocou de profissão para assumir seu lugar nos palcos.

Em 1961, participa da montagem A vida impressa em dólar, de Clifford Odetts, dirigida por José Celso Martinez Corrêa. Rapidamente, chama a atenção da crítica e recebe, naquele ano, os prêmios Saci e Governador do Estado pela atuação.

Também nessa época passou a integrar as produções do Teatro de Arena. Faz parte de criações antológicas como José do parto à sepultura (1961), escrita por Augusto Boal e dirigida por Antônio Abujamra, e A mandrágora (1962), clássico de Maquiavel encenado por Boal. “É o melhor ator que eu já tinha visto em cena”, relembra Juca de Oliveira, que contracenou com Arap nessa produção.

Apesar do reconhecimento que conquistou como intérprete, Fauzi Arap decidiu lançar-se também como diretor. Seu primeiro trabalho como encenador data de 1965, com uma versão teatral do livro de Clarice Lispector, Perto do coração selvagem. Tratava-se de uma adaptação, assinada por ele, da autora com quem viria a construir uma sólida amizade.

Outro autor importante em sua carreira foi Plínio Marcos. Do dramaturgo maldito, dirigiu Dois perdidos numa noite suja (1967), obra em que atuou ao lado de Nelson Xavier. Logo em seguida, montou Navalha na carne (1968), quando conduziu Tônia Carrero no papel da prostituta Neusa Sueli. “Foi só a partir de então que passaram a me levar a sério como atriz”, declarou Tônia em um documentário, ao rememorar a produção.

Sua sensibilidade como diretor não se restringia apenas a textos consagrados. Nomes que marcariam a nova geração de dramaturgos que surgia naquele momento foram revelados pelas mãos de Fauzi Arap. Assinou a primeira montagem de Abre a janela e deixa entrar o ar puro e o sol da manhã (1968), do então estreante Antônio Bivar. Também foi responsável pela estreia de José Vicente. Chegou a dirigir A santidade (1967), que foi proibida pela censura. Dois anos depois, voltou a debruçar-se sobre o autor e promoveu sua estreia no teatro com a encenação de O assalto (1969). Foi por essa versão que José Vicente receberia os prêmios Molière, Golfinho de Ouro e APCT – Associação Paulista de Críticos Teatrais.

Pano de boca (1975) marca uma nova fase em sua trajetória: como dramaturgo. A peça refletia sobre os caminhos do teatro brasileiro dos anos 1970. Inspirava-se especialmente naquilo que acompanhou durante seus anos no Oficina, ainda que não fizesse menção explícita ao teatro. Marco Nanini fazia parte do elenco. Pela obra O amor do não (1977), recebeu o Prêmio Molière nas categorias melhor autor e melhor direção.

Denise Fraga e Claudia Mello dirigidas por Arap

Em sua trajetória, Fauzi Arap também se tornou conhecido por sua direção de shows musicais, especialmente as apresentações de Maria Bethânia. Sublinhou o talento cênico da cantora ao conduzi-la em Rosa dos ventos (1971). Foi seu parceiro mais constante e assinou outros de seus shows marcantes, como Imitação da Vida (1996).

Sua habilidade na condução de atores era uma das marcas do seu trabalho. Sob sua orientação, Denise Fraga alcançou belas interpretações. O mesmo se pode dizer de Mariana Lima, Débora Duboc, Juca de Oliveira, Mario Bortolotto, entre muitos outros.

No teatro, seu último trabalho foi Chorinho (2012), uma remontagem do texto de 2007, em que dirigiu as atrizes Denise Fraga e Claudia Mello. Para os amigos Elias Andreato e Nilton Bicudo, Fauzi Arap deixa um texto inédito, que deve estrear no próximo ano.

Maria Eugênia de Menezes

Maria Eugênia de Menezes

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