Tradicionalmente o curitibano compra com avidez ingressos para o Festival de Teatro da cidade – cujas bilheterias foram abertas hoje – sem prestar muita atenção à cidade de onde vêm as peças. O grosso vem do eixo Rio-São Paulo, como é natural devido ao volume de produção das duas praças. Se o público não faz muita questão de encontrar artistas curitibanos no palco, a baixa frequência com que o pessoal local é escalado incomoda a classe teatral. Neste ano, a cidade é representada por 2 dos 35 espetáculos: Nus, ferozes e antropófagos, apresentado como ensaio aberto da prestigiada nacionalmente Cia. Brasileira de Teatro, em parceira com os coletivos franceses Jakart/Mugiscué e o Centro Dramático Nacional de Limousin; e Tumba de cães, com direção de Marino Jr.

Sobre a Brasileira falaremos mais tarde por aqui. A presença do grupo não causa novidade, sendo este o segundo ano consecutivo em que tem uma peça convidada (em 2013, foi a vez da premiada Esta criança, com Renata Sorrah).

Marino Jr., que estreia na mostra, comenta sobre a sua presença na grade oficial: para ele, vem junto um senso de responsabilidade muito grande. “A classe curitibana erra ao desprezar o festival, muitas vezes apontando falhas da direção. E o público curitibano fica privado de conhecer seu próprio teatro”, diz Marino.

Parte do elenco da obra dirigida por Marino Jr.Sem créditos

Parte do elenco da obra dirigida por Marino Jr.

Tumba de cães tem texto da italiana Letizia Russo, e o fato de ela raramente ser encenada no Brasil, somado ao de o projeto ter vencido o prêmio federal de incentivo Myriam Muniz o estimulou a propor a peça ao diretor do festival, Leandro Knopfholz. Deu certo. E para responder à altura, Marino procurou um time que responda bem a essa “peça de ator”, como ele a define. Ranieri Gonzalez é o carro-chefe, seguido por Simone Klein, Andressa Medeiros, Fernando Bachstein e Pedro Henrique.

Quando o Teatrojornal tiver a possibilidade de assistir a um ensaio, falaremos mais do espetáculo. Até a próxima!