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Reportagem

Artistas curitibanos indicam o que ver no festival

3.3.2014  |  por Helena Carnieri

Foto de capa: Divulgação/Ney Motta

Com um recorde de 39 peças na mostra principal deste Festival de Teatro, muita gente enfrenta momentos de pânico diante da bilheteria. A escolha muitas vezes se dá pelo título ou pelos atores em cena. Para uma experiência mais informada, o ator e diretor teatral Fernando Klug sugere procurar na internet críticas e vídeos com trechos do espetáculo que houver despertado interesse. “Críticas, e não matérias de divulgação”, alerta. Ele e outros cinco artistas contam nesta página aquilo a que pretendem assistir de 26 de março a 6 de abril, período em que o festival realiza sua 23.ª edição.

Algumas coincidências revelam preferências entre a classe artística. Dois dos profissionais ouvidos aqui e outros consultados informalmente já garantiram ingresso para Entredentes, pelo fato de ser um espetáculo do polêmico Gerald Thomas. Para completar o apelo, a peça tem Ney Latorraca como um médium que atua em Jerusalém, e promete incluir tiradas e críticas a questões noticiosas do momento. Outra peça que desperta a curiosidade é Conselho de classe, indicada ao maior prêmio nacional, o Shell, e incluída numa pequena mostra de trabalhos da Cia. dos Atores. Saiba quais são as outras:

Da cena

Veja algumas preferências de atores e diretores locais na hora de comprar ingressos para a mostra principal:

“Vou ver o Gerald [Thomas] com certeza. Não teve muita coisa a mais na programação que tenha me atraído. Mais do que um amigo querido, ele faz espetáculos que certamente jamais nos deixam confortáveis. Maravilhosamente desconfortáveis. Isso já era raro quando de seus primeiros trabalhos e ainda é hoje. Além disso, o humor dele é ótimo.” (Paulo Biscaia Filho, diretor da companhia Vigor Mortis)

“Vou ver Gerald [Thomas], claro. Depois da experiência com Peça ruim [de Dimis Jean Sores, em que Thiago atuou], é um bom momento pra ver a quantas anda o trabalho do Thomas. Sem contar que o Ney Latorraca é um ator excepcional.” (Thiago Inácio, produtor da mostra Coletivo de Pequenos Conteúdos, do Fringe)

“Vou ver Conselho de classe, porque tem direção da Bel Garcia e da Susana Ribeiro, da Cia. dos Atores. Porque o texto é do Jô Bilac e porque os atores são todos muito bons. De mais a mais, a gente quer montar o meu texto 23 de setembro com a Bel na direção num futuro mais ou menos próximo…” (Diego Fortes, diretor da companhia Armadilha)

“Para minha sorte ou azar, esse Festival traz a marca de bons textos, de boas discussões sobre a realidade brasileira e/ou humana atual, e de performances estéticas interessantíssimas. Com certeza vou a algum dos espetáculos da Cia. dos Atores, que admiro. Também irei a algum dos espetáculos realizados no Cietep, que, geralmente, trabalham o espaço e a relação do espetáculo com o espectador. Meu preferido é Cais ou da indiferença das embarcações. Espetáculos com direção do Marcio Abreu, do Gabriel Villela, do Dan Stulbach ou do Paulo de Moraes me interessam. Os dois Ricardo III sempre deixam a gente de teatro curiosa pela diferença de ótica. Como trabalho com um projeto chamado Medclown – de humanização hospitalar – a tragicomédia Se fosse fácil não teria graça me é obrigatória. SPAM, ópera falada, me causa muita curiosidade. Transgressões, do Pia Fraus, me atrai pela estética. E, finalmente, Tumba de cães, com direção de Marino Jr. e um elenco que tem o Ranieri Gonzalez, ator que sempre me impacta.” (Fernando Klug, ator, diretor teatral e arte-educador)

Foto estilizada de 'SPAM', do argentino SpregelburdSem créditos

Foto estilizada de ‘SPAM’, do argentino Spregelburd

“Vou ver Contrações, que já chega com um percurso de boas críticas. As duas atrizes foram premiadas por sua atuação em conjunto, algo louvável num espetáculo. E sou fã do humor ácido da dramaturgia inglesa. Também quero ver Sonata de otoño, que traz a oportunidade de conhecer o trabalho do reconhecido diretor argentino Daniel Veronese, de quem eu já tinha ouvido falar muito – e com o adendo e garantia do texto intenso de Bergman. Os cinéfilos de plantão agradecem!” (Mazé Portugal, produtora cultural e atriz)

“Vou assistir a Quem tem medo de Virginia Woolf?. Ouvi falar que é uma montagem convencional, mas o texto é tão genial e a Zezé Polessa tão boa atriz que não posso perder.” (Edson Bueno, diretor da companhia Delírio)

Do povo

Conheça as opções sugeridas por profissionais de outras áreas:

“Quero muito assistir à peça A toca do coelho. Sou fã do David Lindsay-Abaire, autor da peça, e de um bom drama. A história é bem atraente, intensa, embora triste. Além disso, as críticas sobre a montagem são muito boas.” (Celinha Camargos, diretora de marketing da Redhook School)

“Quero muito ver a peça-show Jim pois, além de adorar música, vai ser bem interessante assistir à história de poesia e loucura de um dos maiores ícones do rock, Jim Morrison, na visão de um homem comum.” (Elsie Haas, sócia do Grupo Taco)

“Neste ano, quero ver as estrangeiras: El hombre venido de ninguna parte, que com certeza vai surpreender; Otelo, consagrada pela crítica, parece trazer leveza e humor à tragédia shakespeariana; Sonata de otoño, uma das minhas opções favoritas, imperdível; SPAM, que deve surpreender e trazer inovações, e The rape of Lucrece, segundo a crítica, interpretação imperdível de Camille O’Sullivan. Das nacionais: Jim, Conselho de classe, Concreto armado, Pesadelo, Ricardo III e A importância de ser perfeito.” (Almali Zraik, sócia da Caradiboi Arte e Esporte)

Eriberto Leão e Renata Guida em 'Jim'Sem créditos

Eriberto Leão e Renata Guida em ‘Jim’

“Como acontece em todos os anos, eu quero ver um monte de peças e tenho certeza de que não darei conta de assistir a tudo o que gostaria. A primeira é Jim – fiquei curioso pra ver como seria a vida de uma pessoa comum vivendo de acordo com as ‘ideias e ideais’ do Morrison. A outra é Toca do coelho, pela profundidade da trama – parece ser bem forte.” (Cícero Rohr, diretor de atendimento da agência de publicidade Master Roma Waitman)

.:. Publicado originalmente na Gazeta do Povo, Caderno G, p. 5, em 2/3/2014.

Programe-se

23.º Festival de Teatro de Curitiba

De 26 de março a 13 de abril. Mostra oficial: R$ 60 e R$ 30 (meia-entrada). Mostra paralela Fringe: de entrada franca até R$ 40. Ingressos à venda nos shoppings Mueller, ParkShopping Barigüi e Palladium e pelo site www.festivaldecuritiba.com.br.

Helena Carnieri

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