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Em Florianópolis, Vértice Brasil desdobra-se em corpo, voz e gênero

7.4.2014  |  por Teatrojornal

Abriu ontem em Florianópolis, e segue até o próximo domingo, a 4ª edição do Vértice Brasil – Em Residência. Sob o tema Corpo, voz e gênero, o encontro sediado no Sesc Cacupé organiza-se em torno de residências, debates e performances.

A programação de performances tem início esta noite, sempre às 21h30, com Diário do movimento do mundo, atuação da catarinense Gláucia Grigolo, cofundadora da Persona Cia. de Teatro, e direção da argentina Ana Woolf. O trabalho é fruto do Vértice Brasil 2010, quando a dupla se conheceu e logo após se uniu para dar vida à dramaturgia protagonizada pela personagem Lenita, ex-engraxate e sapateira, apaixonada por literatura e por gatos. A sua relação com os livros e os sapatos torna-se um mote para refletir sobre a existência e o cotidiano. Os sapatos servem de via de entrada para que a personagem conheça o mundo e se relacione com os demais. Além de passagens biográficas, a narrativa é inspirada no livro A elegância do ouriço, de Muriel Barbery, e contempla trechos ou citações de Clarice Lispector, Virginia Woolf, Ana Cristina César, Leon Tolstoi e Guimarães Rosa.

Gláucia Grigolo dirigida pela argentina Ana Woolf

Com concepção e atuação de Raquel Scotti Hirson e direção de Ana Cristina Colla, do campineiro Lume Teatro, o espetáculo Alphonsus é o solo em cartaz amanhã. Lida com a poesia e imaginação recriados para no corpo, nas memórias pessoas que conectam a atriz ao bisavô, o poeta simbolista mineiro Alphonsus de Guimaraens (1870-1921). No desejo de dançar poesia, a atriz encontra o homem por trás de sua obra e o reinventa do ponto de vista da criança que sonha ser o bisavô, com a descontinuidade e lógica fantasiosa de uma memória redescoberta. Em cartaz na terça-feira.

Na quinta, é a vez de Ana Cristina Colla, agora no formato de uma demonstração técnica, mostrar Ser estando mulheres, em que reflete sobre o vestir-se do outro como revelação de si mesmo. Será isso possível? A atuadora busca a resposta no ser-estar em cena, narrando através das imagens que cria e corporifica seu saber impresso no corpo.

A atriz sueca Clara Lee Lundberg encerra a programação das performances com Luana is present. No sábado, no Circo da Bilica, a partir das 20h acontece o Cabaré. A festa de encerramento converte-se em lugar livre para as participantes. Elas terão a oportunidade de apresentar fragmentos de cenas que serão organizados em uma sequência e cuja condução será feita pela atriz Naomi Silman, do Lume.

Os trabalhos corporais, voltados apenas aos participantes inscritos, contam com a coordenação de três núcleos de teatro convidados: a atriz, diretora e professora de voz Linda Wise (França), a artista multidisciplinar, coreógrafa e bailarina Clara Lee Lundberg (Suécia) e o trio formado pelas atrizes e pesquisadoras Ana Cristina Colla, Raquel Scotti Hirson e Naomi Silman, do Lume Teatro (Brasil).

Com o objetivo de criar espaço para a troca de ideias e opiniões, todos os dias o encontro realiza o quadro “Conversas Multiplicadoras”, a partir das 18h. Assuntos como as publicações e registro da mulher na arte; questões de gênero; pensando a geografia dos encontros Vértice em transformação; e feira de troca estão como que pautados para os finais de tarde.

“Será ao mesmo tempo uma pequena mostra de trabalhos e uma confraternização entre as participantes do evento”, afirma Marisa Naspolini, idealizadora do Vértice Brasil junto com as artistas Gláucia Grigolo, Bárbara Biscaro e Monica Siedler.

O encontro bienal que engloba pesquisa, formação e mostra de espetáculos é ligado ao Projeto Magdalena, rede internacional de mulheres de teatro presente em mais de 50 países que tem entre seus objetivos facilitar a parceira entre artistas de diferentes nacionalidades.

A 4ª edição do Vértice Brasil – Em Residência é viabilizada pelo Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura. Mais informações no site do encontro, aqui.

.:. Trecho de Alphonsus, concepção e atuação de Raquel Scotti Hirson:

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