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Reportagem

Produção argentina no Porto Alegre em Cena

10.9.2014  |  por Michele Rolim

Foto de capa: Nora Lezano

A instabilidade econômica que assola a Argentina não é suficiente para abalar o teatro. Com as salas lotadas, o teatro argentino segue pulsante. Espetáculos que fazem parte desse cenário integram a programação da 21ª edição do Porto Alegre Em Cena, que segue até 22 de setembro.

Se, no ano passado, a participação de espetáculos do Mercosul foi enxuta (um uruguaio e um chileno), neste ano é maior (oito da Argentina e um do Uruguai) devido a uma parceria com o Instituto Nacional do Teatro do governo da Argentina, parceria essa, que também vai proporcionar que o grupo gaúcho Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz embarque para a 9° Circuito Nacional de Teatro na Argentina.

“Desde a primeira edição, foi meta a presença de espetáculos do Mercosul na grade de programação, em especial espetáculos argentinos. Tantos anos depois, temos a certeza de que Porto Alegre é a cidade brasileira que mais viu e mais conhece a produção do teatro argentino, bem como a música portenha”, afirma o coordenador do Porto Alegre em Cena, Luciano Alabarse.

Com uma produção gigantesca, a Argentina possui uma cena ampla e diversificada. “Os espetáculos ficam muito tempo em cartaz e com a casa cheia, pois o público é preparado para assistir teatro. As peças que se fazem lá conversam com a população, pois espelham a realidade deles”, diz Celso Curi, curador e membro da La RED – Rede de Promotores Culturais da América Latina e Caribe.

O circuito argentino se divide em comerciais, oficiais e alternativos – também chamados de independentes – contemplando desde textos clássicos a produções performáticas. Curi comenta que há cerca de 400 espetáculos em cartaz durante o mês na cidade de Buenos Aires – por aqui, em São Paulo, maior polo brasileiro de produção teatral, são 180 montagens.

‘La niña invisible’, do marionetista Jorge Onofri

Apesar da diversidade, existem algumas diretrizes que permeiam as montagens argentinas, como “a reflexão sobre os anos 1970 em termos de temática, bem como alguns espetáculos que reiteram questões relacionadas com famílias disfuncionais, uma atuação distanciada carregada de naturalidade que leva ao humor. Há, ainda, pesquisas no campo das performances”, opina o diretor do Instituto Nacional de Teatro da Argentina e um dos sete críticos do jornal La Nacion, Carlos Pacheco.

Os espetáculos argentinos que integram a programação do Em Cena neste ano são provenientes de diferentes cidades do país. Esse recorte curatorial, segundo Pacheco, proporciona que o espectador visualize a diversidade local. “São produções muito diferentes, de muita boa qualidade e com distintas técnicas de trabalho”, afirma Pacheco.

A peça Desastres (apresentada nos dias 5 e 6/9) veio da província de Córdoba, da companhia Cirulaxia Teatro com 25 anos de trabalho ininterrupto. El centésimo mono (11 e 12/9), com direção e dramaturgia de Osqui Guzmán, e La mujer puerca (19 e 20/9), com atuação de Valeria Lois, são de Buenos Aires. “Santiago Loza, dramaturgo de La mujer puerca, se destaca dentro do panorama da nova dramaturgia nacional”, afirma o crítico argentino.

Há também Podés silbar? (11 e 12/9) e La niña invisible (9 e 10/9) do diretor, dramaturgo e marionetista Jorge Onofri, de Neuquén (Patagônia), que, segundo Pacheco, apresenta um trabalho primoroso de bonecos, e ainda teve La Royalle (6 e 7/9), de Salvador Trapani, de Rosario, “um luthier com técnica apurada e bom-humor”, destaca Pacheco.

‘El centésimo mono’, de Osqui Guzmán

Completam a lista os shows Maldigo, com a cantora popular Liliana Herrero (8/9), e Carlos Villalba, que apresenta as canções de seu novo disco com Ensamble Chancho a Cuerda (9, 10 e 11/9). Também do Mercosul, mas do Uruguai, chega La fiesta de Abigail (9 e 10/9), com texto de Mike Leigh e direção de Jorge Denevi.

.:. Texto publicado originalmente no Jornoal do Comércio, caderno Panorama, p. 1, em 5/9/2014.

.:. O site com a programação completa e as atividades formativas do 21° Porto Alegre em Cena, aqui.

Michele Rolim

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