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Reportagem

Seminário discute cena contemporânea e cidade

24.1.2015  |  por Teatrojornal

Foto de capa: Azul Serra

Com um dos seis encontros temáticos agendados para a data de aniversário dos 461 anos da cidade, o Seminário São Paulo – Cena Contemporânea convida “o teatro a pensar a metrópole e a metrópole a pensar o teatro”, nas palavras dos organizadores ligados à Escola Superior de Artes Célia Helena (ESCH). Seu palco do bairro da Liberdade abrigará discussões em torno de produção em dramaturgia, atuação dos críticos, formação de atores, políticas públicas de financiamento, ocupação de espaços alternativos e tensão entre especulação imobiliária e constituição de espaços teatrais. Sempre com entrada franca.

Na abertura domingo, 25/1, a partir das 18h, a mesa “Às Portas Abertas” aborda os trânsitos da dramaturgia brasileira contemporânea entre as gerações pós-ditadura, tendo como tema de fundo a demanda por novos espaços de ideia, formatos e encenação da dramaturgia brasileira para o palco, questionando acesso, modos de produção e qualidade artística da produção atual. Participam o dramaturgo e roteirista Bosco Brasil (Novas diretrizes em tempo de paz, 2001) e a autora, atriz-MC e diretora Claudia Schapira, cofundadora do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos (1997), cuja sede no bairro da Pompeia foi ao chão no ano passado sob ação de despejo movida por uma incorporadora que ali está erguendo prédio (na foto no alto, cena de Baderna, solo de Luaa Gabanini e última obra apresentada no local). A mediação é do dramaturgo e diretor Samir Yazbek (O fingidor, 1999), cofundador da Companhia Teatral Arnesto nos Convidou e professor da ESCH.

A programação se concentra depois no período de 2 a 6/2, sempre das 20h às 23h.

Na segunda-feira, 2/2, “O silêncio das grandes vozes” reúne os críticos Nelson de Sá (Folha de S.Paulo) e Beth Néspoli (ex-O Estado de S. Paulo e doutoranda da USP), sob mediação do ator, autor e jornalista Oswaldo Mendes (Núcleo Arte Ciência no Palco). Em pauta, “o descompasso entre a criação e a crítica, em suas múltiplas modalidades, no teatro brasileiro contemporâneo, seja no pensamento reflexivo que sustentaria o ato criativo, seja na relação entre artistas e a crítica oficial, seja no estímulo a uma atitude crítica das plateias diante do teatro e das relações sociais debatidas (ou omitidas) no palco”.

“Como nascem os atores?” é o tema de terça-feira, 3/2, quando a atriz, diretora, arte-educadora e doutoranda da USP Lígia Cortez (diretora da ESCH) media o encontro do ator, diretor e pesquisador Antonio Januzelli (lecionou por décadas na USP, onde consolidou estudos em torno das Práticas do Ator) e o ator, diretor e pesquisador Matteo Bonfitto (Performa Teatro – Núcleo de Pesquisa e Criação Cênica). Eles vão discorrer sobre “modelos para a formação de atores em suas múltiplas trajetórias, seja em ambientes de ensino formal ou de ensino não formal, seja na formação pelo sistema de aprendizado de observação, evidenciando a tensão entre os modelos consagrados pela academia e as demandas do teatro em suas práticas propriamente ditas, tendo-se em conta as possibilidades múltiplas da arte do ator na contemporaneidade”.

O ator e diretor Antonio Grassi (ex-presidente da Funarte), o palhaço, ator, autor e diretor Hugo Possolo (Grupo Parlapatões) e o gestor cultural Sérgio Luís de Oliveira (assistente da Gerência de Ação Cultural do Sesc SP para a área de teatro) discutem “Quanto custa o teatro?” na quarta-feira, 4/2. A saber: “as políticas públicas de financiamento da arte teatral em São Paulo na visão dos gestores, dos artistas e do público, questionando acessibilidade, modos de produção e qualidade artística da produção teatral subvencionada em São Paulo, apontando, sobretudo, para o lapso entre a subvenção de espetáculos e o vazio de plateias e de políticas efetivas de formação de plateias”. A mediação é do diretor, dramaturgo e professor da ECA-USP José Fernando Azevedo (Grupo Teatro de Narradores).

“Ir aonde o povo está” é o mote da quinta-feira, 5/2, destinado a pensar “a produção teatral fora dos espaços convencionais, no trabalho de grupos que ocupam a periferia do palco convencional (áreas marginalizadas, terminais de ônibus, ruas, praças e circos)”. Participam o diretor e dramaturgo César Vieira (Grupo Teatro União e Olho Vivo) e o DJ, ator-MC e pesquisador da cultura diaspórica Eugênio Lima (Núcleo Bartolomeu de Depoimentos). A mediação é do diretor, pesquisador e professor da Udesc André Carreira (grupos Experiência Subterrânea em Florianópolis e Teatro que Roda em Goiânia).

No encerramento do seminário na sexta-feira, 6/2, o tema é ainda mais urgente: “O espaço e seu teatro”, voltado para “a tensão entre a especulação imobiliária e a constituição do espaço para o espetáculo teatral na cidade de São Paulo”. Na mesa, o vereador do PT recém-nomeado secretário municipal de Cultura, Nabil Bonduki, arquiteto, professor da FAU-USP, autor de 12 livros e formulador do VAI, o Programa para a Valorização de Iniciativas Culturais, em diálogo com o diretor, dramaturgo e presidente da Cooperativa Paulista de Teatro, Rudifran Pompeu (Grupo Redimunho de Investigação Teatral), sob mediação do pesquisador Tião Soares, coordenador do Núcleo Sociocultural de Extensão Universitária na zona leste pela Unifesp e presidente do Fórum para as culturas populares e tradicionais.

No texto distribuído à imprensa, os organizadores do Seminário São Paulo – Cena Contemporânea argumentam sobre a iniciativa: “O teatro é, por excelência, um espaço de encontros e de crises. De qualquer grande realização teatral, sobrará sempre, na memória de suas testemunhas (dentro ou fora do palco), a certeza de que o embate de vontades nunca é isento de alguma fricção e nunca se exime de alguma violência. Sob essa ótica, o teatro é um modelo a um só tempo reduzido e ampliado da metrópole – essa conflagração gigantesca dos choques de vontades, que a cada dia põe à prova o melhor e o pior de cada um de seus cidadãos, tecendo, na ficção da vida, um enredo de contornos improváveis que, sem caber em nenhuma sigla partidária, é justamente a matéria-prima absoluta do que chamamos de política”.

A realização é da Escola Superior de Artes Célia Helena, por meio do Instituto Raul Cortez, com copatrocínio da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

Mais detalhes dos encontros no site da ESCH, aqui.

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