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Crítica

Toda arte performática se constitui como processo dinâmico entre entretenimento e eficácia. O argumento é de um dos mais reconhecidos teóricos contemporâneos da performance, o norte-americano Richard Schechner. De acordo com ele, essas duas forças impulsionam desde o rito tribal realizado em torno da colheita ou da guerra, passando pela cena engajada ou pela experimentação radical de linguagem até os musicais da Broadway.

Evidentemente o que se considera eficácia muda ao longo dos tempos e das vertentes. No entanto, ainda na visão de Schechner, em qualquer época, a arte teatral floresce quando essas forças estão presentes em igual medida. Pois é possível dizer que se deve ao equilíbrio entre tais polos a fruição prazerosa proporcionada pelo espetáculo Uma peça por outra, de Jean Tardieu (1903-1995), na montagem do Grupo DasDores de Teatro. Leia mais

Crítica

Todo ato de fala é alterado pelas reações de quem escuta. Se a interlocução é desatenta ou inquieta, se os que interagem estão mais empenhados em falar do que em ouvir, a tensão e a urgência afetam o autor do discurso que tende a eliminar da argumentação as sinuosidades da dúvida e a análise multifacetada. O problema do encurtamento da capacidade de atenção das plateias contemporâneas deixa de ser um fantasma a rondar o palco para se tornar matéria de trabalho no espetáculo Hamlet – processo de revelação, solo de Emanuel Aragão, que tem direção do Coletivo Guimarães (DF), formado pelos irmãos Adriano e Fernando, e dramaturgia de cena assinada pelo ator. Leia mais

Crítica

Gestos, odor, movimentos, olhar, respiração, um corpo em tudo diferente daquele que habita o cotidiano urbano. São corpos assim os que vêm para a cena na mais recente criação da Lia Rodrigues Companhia de Danças, Para que o céu não caia, apresentada na 4ª MITsp e que segue em curta temporada no Sesc Belenzinho. Leia mais

Crítica

Criar beleza com matéria de escombros, investir-se das questões de seu tempo no ato criador, reverter destruição em forma vital – eis alguns dos atributos da arte presentes na abertura oficial da 4ª Mostra Internacional de Teatro de São Paulo (MITsp), no Theatro Municipal de São Paulo. Na cerimônia do dia 14 de março, perpassaram as palavras de apresentação da atriz Georgette Fadel e estavam no espetáculo belga Avante, marche! Neste, a morte era o elemento de investigação do lugar do indivíduo no coletivo, enquanto, inversamente, no campo simbólico dos embates da noite, entre as figuras da administração pública e aqueles que as vaiaram, importante era descolar das ações das primeiras, articuladas às relações de poder recentemente instauradas no país, qualquer ideia de inevitabilidade. Leia mais

Crítica

Se já existe razoável entendimento sobre a relevância do processo de criação em todos os campos da arte, e em especial em uma atividade coletiva e presencial como o teatro, no musical A cidade e as mulheres, criado de modo colaborativo pelos aprendizes da Fábrica de Cultura Jaçanã, na zona norte de São Paulo, o valor da construção do pensamento que funda o gesto criativo é perceptível na carne mesma do espetáculo. Leia mais

Crítica Militante

Toda arte nasce de inquietações possíveis às mulheres e aos homens de determinada época e a ela se dirige. Desde as eras mais remotas, tenta-se driblar essa espécie de condenação à contemporaneidade – a imersão na cultura dificulta o corte crítico – por meio de narrativas deslocadas de seu território de origem, afastamento cujo objetivo, no fim das contas, é o retorno ao tempo vivido com algum elemento de dissenso. Salvo engano, tal movimento, tanto no ponto de partida quanto no de chegada, pode ser detectado no espetáculo Cabras – cabeças que rolam, cabeças que voam, criação da Cia. Teatro Balagan, baseada na tríade guerra-festa-fé, que tem direção de Maria Thaís e texto de Luís Alberto de Abreu.

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Crítica

Em junho de 2013, centenas de cidadãos tomaram as ruas para protestar contra cortes no orçamento da saúde e da educação e ainda contra a alta taxa de desemprego que já obrigara 200 mil pessoas, 5% da população, a deixar o país em busca de trabalho. A forte recessão tinha origem nas medidas econômicas do governo que assumira o poder há dois anos, e cujo ato primeiro havia sido a extinção do Ministério da Cultura, antes mesmo de tomar posse, em 2011. Leia mais