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Crítica

Ó doce irmã, o que você quer mais?
Eu já arranhei minha garganta toda
Atrás de alguma paz.
Agora, nada de machado e sândalo.
Você que traz o escândalo,
Irmã-luz
(Caetano Veloso, Escândalo)

 

Em Belo Horizonte

É sem dúvida um tempo novo. E é do olho do furacão, em uma época de notável violência contra o humano, que o palco brasileiro vai comportando as novas representações que os sujeitos sociais afirmam. A criação coletiva do grupo Rainha Kong para O bebê de tarlatana rosa, conto homônimo do carioca João do Rio (1881-1921), confirma esse raciocínio. Leia mais

Crítica

Acaso e construção

4.11.2016  |  por Kil Abreu

É na armadilha de uma estrutura artificial que a realidade do tema será aprisionada

 (Francis Bacon, em entrevista a David Sylvester)

 

Em Belo Horizonte

O espetáculo 19:45!, apresentado no Festival Estudantil de Teatro (FETO) é trabalho dos formandos do curso profissionalizante do Centro de Formação Artística e Tecnológica (Cefart) da Fundação Clóvis Salgado. A montagem tem dramaturgia e direção de Rita Clemente, que cumpre a função de artista convidada. Leia mais

Crítica Militante

Em Porto Alegre

Uma crítica específica para o teatro de rua/na rua/na cidade faz sentido? Em que medida as variadas formas do teatro e, neste caso, as diferentes maneiras de habitar espaços pede olhares e atitudes críticas diferenciadas? Que importância teriam estes repertórios e estes discursos específicos em um país no qual o Ministério da Cultura identifica os espaços do teatro contabilizando apenas as salas fechadas e desprezando os lugares públicos abertos em que ele acontece?

Estas, entre outras questões, foram colocadas em movimento durante a oitava edição do Festival Internacional de Teatro de Rua de Porto Alegre Leia mais

Crítica Militante

Luto e beleza

18.10.2016  |  por Kil Abreu

Kiko Marques reapresenta em Sínthia recursos formais experimentados no belo Cais ou Da indiferença das embarcações (2012). Ali já era perceptível a ambição que vai notabilizando o ator e diretor também como um dramaturgo importante na cena de São Paulo. Naquele espetáculo já se desenhava com rigor mais que razoável algumas coordenadas que talvez possam demarcar escolhas e características de estilo: Leia mais

Crítica Militante

Tríptico da dor

24.8.2016  |  por Kil Abreu

Todo homem, todo lobisomem sabe a imensidão da fome
que tem de viver
Todo homem sabe que essa fome é mesmo grande,
até maior que o medo de morrer.

(Caetano Veloso, Pecado original)

 

O tríptico, nas artes visuais, é conjunto de três elementos plásticos (em pintura, fotografia, gravura ou outros) que juntos sugerem uma única imagem ou a continuidade das partes em torno de um mesmo tema. Já estava entre os antigos e se popularizou na Idade Média, sendo suporte para obras enraizadas no imaginário cristão.

Cachorro enterrado vivo, peça da dramaturga carioca Daniela Pereira de Carvalho encenada por Marcelo do Vale, com atuação de Leonardo Fernandes, assemelha-se, em uma livre comparação, a um tríptico. Leia mais

Crítica Militante

Coração em barricada

21.6.2016  |  por Kil Abreu

Em Belém

O Grupo Cuíra fechou recentemente o seu espaço, colado à zona do meretrício, na Riachuelo com a Primeiro de Março, em Belém do Pará. Havia nove anos seus artistas e técnicos reformaram e ocuparam, abrindo ao público, um antigo estacionamento de bingo – incrível inversão ao sentido da época, saudada naquele momento como uma vitória quase inacreditável do teatro sobre a máquina do capital. Leia mais

Crítica Militante

Parte II – A caminho do dissenso

Em artigo para a revista Bravo!, no final dos anos 90, o diretor e professor Sérgio de Carvalho sentenciava: “O processo de esvaziamento da crítica teatral na imprensa brasileira já dura mais de duas décadas. E esses que aí estão talvez constituam o nosso último grupo de críticos”.[1] Curiosamente, mais de quinze anos depois um crítico da geração atual, Diego Reis, salvo engano sustenta juízo aproximado, ao anunciar no resumo do seu ensaio, já neste ano de 2016: “Este ensaio tem por objetivo pensar o campo da crítica de arte nos últimos vinte anos. E, de modo especial, a crítica teatral diante do diagnóstico de esvaziamento e perda de força com que se depara, seja com a redução do espaço da crítica nos veículos de comunicação de massa, seja o lugar de estabilidade entre o cânone e o consenso que parece caracterizar os exercícios críticos recentes”.[2] Leia mais