A proliferação do teatro de grupo

escrito por vals em outubro 9, 2012

(breve artigo originalmente publicado na revista Bravo! deste mês, sob mote dos ‘Fatos mais relevantes da cultura brasileira nos últimos 15 anos’)

O teatro brasileiro viu crescer nos últimos 15 anos os espetáculos criados e produzidos em grupo. Isso evidencia uma admirável disposição dos artistas para a pesquisa permanente de conteúdos e formas de expressão. Em geral, o teatro de grupo possui ambições diferentes daquele com elencos avulsos, arregimentados por um diretor ou produtor, que prioriza o entretenimento convencional e a casa cheia.

Há três décadas coordenando o Centro de Pesquisa Teatral no Sesc-SP, o diretor Antunes Filho figura entre os precursores dessa tendência, que seduz cada vez mais a crítica e o público. Hoje, o fenômeno dos coletivos se espalha não só por São Paulo, onde se destaca o Teatro da Vertigem, mas também por cidades como Rio de Janeiro (Companhia dos Atores), Belo Horizonte (Galpão), Porto Alegre (Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz), Curitiba (Companhia Brasileira de Teatro) e Campinas (Lume). leia mais »

Mostra Strindberg

escrito por vals em setembro 20, 2012

Cena da peça dirigida por André Guerreiro Lopes


Programa sincronizado em quatro unidades do Sesc em São Paulo inclui espetáculos, leituras, debates, exposição e vivência em torno da dramaturgia, da vida e do pensamento do sueco Johan August Strindberg (1849-1912).


Chance para assistir a montagens do Grupo Tapa (Credores e a inédita A noite das tríbades); do diretor Nelson Baskerville (Brincando com fogo e Credores – esta como obra em progresso); de Christiane Jatahy (Julia, vinda de temporada no Rio); e de André Guerreiro Lopes (O livro da grande desordem e da infinita coerência, outra estreia).


Leia aqui reportagem para o Valor Econômico.


Julia Bernat e Rodrigo dos Santos dirigidos por Jatahy

Mãe coragem e seus filhos, Berliner Ensemble

escrito por vals em setembro 5, 2012

A atriz Carmen-Maja Antoni, no papel-título


Os vínculos umbilicais em Mãe coragem e seus filhos fazem da peça escrita em 1939 um exemplo bem-acabado de como Bertolt Brecht trata a emoção sem necessariamente esterilizá-la em busca da perspectiva crítica do espectador. leia mais »

Bom Retiro 958 metros

escrito por vals em agosto 26, 2012

O ator Roberto Audio na intervenção do Vertigem


O Teatro da Vertigem chega aos 20 anos ruminando a questão que lhe é cara desde o início: o lugar do teatro na cidade. As duas pontas desse ciclo vão do sagrado à dessacralização – uma igreja católica em O paraíso perdido, em 1992, porta de entrada para a Trilogia Bíblica, e um edifício teatral abandonado em Bom Retiro 958 metros, abrigo dos espectadores na reta final da intervenção que ocupa ainda corredores de um shopping de varejo, ruas e esquinas do bairro do centro velho de São Paulo. leia mais »

Camille e Rodin

escrito por vals em agosto 23, 2012

Os atores Leopoldo Pacheco e Melissa Vettore


(texto originalmente publicado na edição deste mês da revista Bravo!)

Corpos engessados

Espetáculo Camille e Rodin tem interpretações quase protocolares e fica aquém da inquietude dos escultores franceses, protagonistas de uma trágica história de amor

Escolhido para a reabertura do grande auditório do Museu de Arte de São Paulo, o Masp, o espetáculo Camille e Rodin coleciona passagens dos 15 anos da emblemática história de amor entre os escultores franceses Camille Claudel (1864-1943) e Auguste Rodin (1840-1917). Quando chega para trabalhar no ateliê do já conceituado artista e professor, então às voltas com a encomenda da obra que talharia por longo tempo, Porta do Inferno, ela conta 19 anos, e ele, 43. Apaixonam-se, sublinham os desafios de esculpir e vão negociando seus ciúmes profissionais e amorosos (o mestre é casado). Em paralelo, piora o quadro mental de Camille, que acaba sendo internada numa instituição psiquiátrica, onde permanece por três décadas, até a morte. leia mais »

Com Nelson ao pé da cena

escrito por vals em julho 19, 2012


No sábado e domingo, 21 e 22 de julho, medio três mesas no encontro Com Nelson ao pé da Cena, no Itaú Cultural (av. Paulista, 149). Fiz a curadoria a convite da gerente de artes cênicas, Sonia Sobral. A entrada é livre.

São três mesas com pares de diretores que rememoram seus percursos criativos diante de uma peça comum de Nelson Rodrigues.

Na ordem das mesas, os textos abordados e seus respectivos diretores: Senhora dos afogados, com Ana Kfouri (RJ) e Antonio Edson Cadengue (PE); Toda nudez será castigada, com Cibele Forjaz (SP) e Paulo de Moraes (RJ); e Álbum de família, com Eid Ribeiro (MG) e Newton Moreno (SP). leia mais »

Isso te interessa?

escrito por vals em julho 14, 2012

Giovana Soar e Ranieri Gonzalez na peça de Noëlle Renaude


(Publicado originalmente no site da revista Bravo!, neste julho)

Quando mil palavras valem mais

Espetáculo em São Paulo valoriza o plano da linguagem para tratar das disfunções de uma família ao longo de gerações

Uma das belezas de ser espectador de teatro nos dias de hoje é deparar com artistas que ousam subverter as estruturas do drama essencialmente no plano da linguagem, sem baratear o gênero ou apagar o prazer de acompanhar uma boa história. É o que faz Isso te interessa?, a montagem de Bon, Saint-Cloud, da francesa Noëlle Renaude, que a Companhia Brasileira de Teatro introduz no país e está em temporada no Sesc Belenzinho, em São Paulo. leia mais »

Bogotá/FIT-BH – La Maldita Vanidad

escrito por vals em junho 26, 2012

Com pouco mais de três anos de vida, a companhia La Maldita Vanidad (a maldita vaidade), autonomeada “laboratório teatral colombiano”, conquista respeito em Bogotá onde o teatro de pesquisa deita raízes por meio de núcleos que historicamente honraram essa modalidade, como La Candelaria, Varassanta e Mapa Teatro. leia mais »

Bogotá – Peeping Tom

escrito por vals em abril 12, 2012


A companhia foi criada em 2000 e seu quarto espetáculo, 32 rue Vandenbranden (2009), talvez seja o que melhor traduza filosófica e cenicamente o seu nome: Peeping Tom. Segundo a lenda britânica de Lady Godiva, do século XXI, a mulher do administrador de uma cidade pedia a ele para baixar os impostos dos camponeses e o marido só o fez sob a seguinte condição: se desfilasse nua sobre um cavalo. Abraçada à causa, lá foi ela. Calhou de Peeping Tom ser o único par de olhos masculino a mirar aquele corpo, ainda que sob as frestas de uma janela, e por isso perdeu a visão. A condição de voyeur é trabalhada no palco sem o automático enquadramento temático e formal do cinema, mas fazendo uso dessa linguagem em sua transcendência pelas imagens, pela atmosfera etérea, conduzindo o espectador a uma viagem original em procedimentos da dança e do teatro rumo à ascese. leia mais »

Bogotá – Teatro Varasanta

escrito por vals em abril 9, 2012


Após banhar-se do tema do bicentenário da independência colombiana em Fragmentos de libertad – 200 anos (2010), o Teatro Varasanta – Centro para la Transformación del Actor persevera pensar o seu país em cena com perspectiva histórica. Agora, é Shakespeare quem lhe dá as senhas em La tempestad, sob as mãos do diretor polonês convidado Piotr Borowski (do Studium Teatralne, de Varsóvia), discípulo do compatriota Jerzy Grotowski. leia mais »

Bogotá – Mapa Teatro

escrito por vals em abril 5, 2012


Em sua jornada pelo imaginário social da Colômbia, desde 1984, o Mapa Teatro toca agora numa fratura exposta não só naquela sociedade, mas especialmente nos territórios vizinhos sul-americanos: o narcotráfico. O espetáculo mais recente do grupo, Discurso de un hombre decente, estreou em dezembro de 2011, em Bruxelas, e foi apresentado em terra natal na semana passada, dentro do Festival Iberoamericano de Teatro de Bogotá, seu coprodutor. leia mais »

Balaio

escrito por vals em abril 4, 2012


O espetáculo Balaio é como um filme do leste europeu: cores gris para uma dança desesperada sobre a lápide fria do carinho, do amor e do reconhecimento.
Gestado no ventre do Centro de Pesquisa Teatral (CPT), em suas variantes do ator e da dramaturgia, carrega o DNA da série Prêt-à-Porter coordenada por Antunes Filho há 13 anos e atualmente na décima edição. leia mais »

Ivan e os cachorros

escrito por vals em março 23, 2012


O realismo sociológico pode abrigar formas libertárias, confirma Ivan e os cachorros. A narrativa sobre um garoto abandonado que sobrevive nas ruas de Moscou acolhido entre os 4 e os 6 anos por uma matilha, como noticiaram jornais russos no início da década de 1990, não fez a equipe de criação refém do sentimentalismo atávico quando se trata de assumir o ponto de vista de uma criança. leia mais »

Prêmio Shell (2003-2011)

escrito por vals em março 21, 2012

Terminou ontem minha participação no júri do Prêmio Shell de Teatro em São Paulo. Foram nove anos de mais angústia no início do que no final da “gestão”.
Na noite de entrega, o momento mais difícil é o intervalo em que a comissão se reúne, cerca de duas horas antes, para definir os vencedores entre os indicados nos primeiro e segundo semestres do ano anterior. leia mais »

O ano Bob Wilson no Brasil

escrito por vals em março 19, 2012


Vem aí uma sequência de criações de Bob Wilson no país, com passagens confirmadas por São Paulo e Porto Alegre.

De 14 a 20 de abril ele apresenta no Sesc Belenzinho o solo A última gravação de Krapp (2009), atuando como o velho septuagenário de Samuel Beckett a reboboniar seu passado – mesma idade do artista norte-americano. Escrevi aqui quando assisti em Bogotá, em 2010. leia mais »

Fernando Peixoto

escrito por vals em janeiro 15, 2012

Ele morreu na última madrugada. Fernando Peixoto tinha 74 anos. O ator, diretor, dramaturgo, jornalista, tradutor e historiador de teatro estava internado no hospital São Luiz, em São Paulo, devido a um câncer no intestino.
A Editora Hucitec, com a qual mantinha vínculo e por lá publicou a maioria dos seus livros, informa em nota que o corpo será cremado amanhã, às 11h, em Vila Alpina, em São Paulo. leia mais »

Sérgio Britto

escrito por vals em dezembro 17, 2011

O ator Sérgio Britto na pele do homem inerte de Samuel Beckett, em 2009

Uma forte lembrança de Sérgio Britto vem de 2009, corpo arqueado, o teatro e a vida inscritos no peito nu do homem desesperado para alcançar uma garrafa d’água no deserto e, quando desiste, o objeto vai até ele, que não mais reage. A inação explícita de Ato sem palavras I, de Samuel Beckett. Na mesma noite, emendava A última gravação de Krapp, o velho rebobinando sua voz nas platitudes juvenis de uma existência que não foi. Mais Beckett. Esse projeto duplo, dirigido por Isabel Cavalcanti, mostrava o tamanho da coragem do artista ao vestir-se da forma e do conteúdo na solidão do palco sem o escudo da fragilidade física dos 85 anos de então. Sérgio Britto morreu esta manhã, no Rio, de insuficiência respiratória aguda. Tinha 88 anos, 66 de convívio teatral com atalhos para a televisão e, mais raramente, o cinema. Abaixo, uma foto de julho de 1961, aos 38 anos, estampando o programa de O beijo no asfalto, de Nelson Rodrigues, a quinta produção do Teatro dos Sete na qual contracenava com Fernanda Montenegro, Ítalo Rossi, Mário Lago, Oswaldo Loureiro e Suely Franco, entre outros, sob direção de Fernando Torres. Ocorre-me ainda lembranças da sua composição para o desmoronamento do caixeiro-viajante James Tyrone em Longa jornada noite adentro, de Eugene O’Neill, em 2003, ao lado de Cleyde Yáconis e com direção de Naum Alves de Souza.


Como o infame repórter rodriguiano no Teatro dos Sete, aos 38 anos

A demissão de Mariangela Alves de Lima, 40 anos de crítica

escrito por vals em dezembro 11, 2011

A crítica Mariangela Alves de Lima, 40 anos de ofício em O Estado de S.Paulo, foi demitida na última sexta-feira. Choca a decisão administrativa do jornal: desligar a pensadora que inscreveu seu nome na história contemporânea do matutino e do teatro brasileiro sem que tal memória fosse ponderada. leia mais »

Mostra Cena Breve Curitiba – A Linguagem dos Grupos de Teatro

escrito por vals em outubro 31, 2011

Otavio Linhares e Janaina Matter, da Súbita Companhia

Terminou ontem, com a etapa de circulação por cidades vizinhas, a sétima edição da Mostra Cena Breve Curitiba – A Linguagem dos Grupos de Teatro. Dias antes, acompanhei as apresentações e comentei os trabalhos locais e de outros Estados no blog do encontro concebido e realizado pela CiaSenhas. Reproduzo a seguir o último e o primeiro posts, respectivamente. leia mais »

Poa em Cena – Agreste Malvarosa

escrito por vals em outubro 31, 2011

Millene Ramalho (esq.) e Rosana Barros

O espetáculo Agreste malvarosa não só recupera o subtítulo que Newton Moreno guardava entre parênteses na peça original, de 2001, como traz duas atrizes no papel do casal que está no olho da narrativa. Eis os exemplos, para começar, de contraposição e dialogismo em relação à premiada montagem de Marcio Aurelio para o mesmo texto, em 2004, com atuações de Joca Andreazza e Paulo Marcello, trio da Companhia Razões Inversas. A recente concepção de Ana Teixeira e Stephane Brodt, em projeto paralelo à Companhia Amok Teatro, também sublinha a linguagem como suporte absoluto da cena, em todos os sentidos, sem ceder a tentações que chapariam o texto no registro da cultura popular, o escapismo regionalista do qual essa dramaturgia bebe, mas não se embriaga.

Idealizadora da produção carioca, a atriz Millene Ramalho compõe com Rosana Barros uma dupla convincente, técnica e poeticamente, no trânsito por Etevaldo e Maria – o amor incondicional desses seres “tímidos como caramujo” – e aqueles que gravitam ao redor do casal e vão se espantar justo após a morte do “marido”, fixados no órgão genital dele ou, melhor, na sua ausência. A sexualidade é o pomo da discórdia. Tanto Aurelio quanto Teixeira e Brodt relativizam essa questão de gênero ao lançar mão de intérpretes masculinos e femininos e conferir dimensão humanista aos protagonistas. leia mais »

Poa em Cena – 9 mentiras sobre a verdade

escrito por vals em setembro 30, 2011

Vanise Carneiro é Lara, vislumbrada pelo cinema

Para tantos universos femininos que o teatro vasculha desde sempre, buscando traduzir, por exemplo, as páginas de uma Clarice Lispector ou de uma Hilda Hilst, fontes altaneiras, o monólogo 9 mentiras sobre a verdade arranja-se bem nas inversões de expectativas. É teatro apropriando-se sutilmente da linguagem do cinema não para narrar em projeções, mas configurar imagens que as palavras dizem ou que os poucos adereços e objetos vintage deixam entrever no palco.

Tempo, espaço e memória surgem dilatados na cabeça de Lara por meio de suas “anotações mentais”, como gosta de pontuar. A personagem interpretada por Vanise Carneiro se quer atriz com relativo prestígio nos estúdios. Às voltas com seus botões, põe-se a filosofar sobre feridas menos evidentes. Funde o relato que se presume pessoal com a ficção extraída dos filmes dos quais participou ou gostaria de ter protagonizado. leia mais »

Poa em Cena – A história do homem que ouve Mozart e da moça do lado que escuta o homem

escrito por vals em setembro 27, 2011

Adriana Zattar, da Companhia Espaço Cênico

Dois seres ilhados aos poucos se tocam em suas memórias e deslocamentos no tempo e no espaço. Cenas envoltas na penumbra reforçam uma experiência mais auditiva que visual, como dão fé os verbos no nome do espetáculo. A história do homem que ouve Mozart e da moça do lado que escuta o homem constrói um campo sensório em que o espectador está ao alcance da mão estendida do intérprete. O tato, porém, importa menos que a atenção consciente e clandestina diante de sentidos outros na cohabitação proposta pelos criadores da Companhia Espaço Cênico.
O ponto de partida, sincrônico ou ao acaso, é o encontro dos personagens que nunca se viram – assim como quando artistas e público se descobrem numa noite. leia mais »

Poa em Cena – Histórias de amor líquido

escrito por vals em setembro 24, 2011

Ana Kutner contracena com holografia

Parte da equipe e das escolhas formais de Um navio no espaço ou Ana Cristina César, apresentado no festival em 2010, está presente na produção do Rio cujo título ratifica a influência do sociólogo e ensaísta polonês Zygmunt Bauman e seu livro Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos (2003).
A direção de Paulo José se deixa levar pragmaticamente pelos recursos audiovisuais que em raros momentos atingem a dimensão poética dominante na montagem anterior. As projeções ajudam a compor o espaço cenográfico (parede, janela, ponte). Ganham status, inclusive, de personagens holográficos contracenando com atores ao vivo. leia mais »

Poa em cena – Dentro da noite

escrito por vals em setembro 21, 2011

Alvisi no primeiro conto de João do Rio que dá título ao espetáculo

Na adaptação teatral de dois textos do cronista João do Rio (1881-1921), a assinatura de Ney Matogrosso na direção e na cocriação do desenho de luz não é protocolar. A experiência como ator no início da carreira, seu extraordinário desempenho de palco como cantor, há mais de 40 décadas, são credenciais para a parceria com Marcus Alvisi em Dentro da noite. leia mais »

Poa em Cena – Amar

escrito por vals em setembro 18, 2011

Atrizes de Amar, texto e direção do argentino CatalánO título é Amar, mas os sentidos que o verbo revela o autor e diretor Alejandro Catalán prefere ocultar. Mergulhado o tempo todo em penumbra, o espetáculo escapa desesperadamente à armadilha dos códigos sentimentais para sustentar-se nas tramas da linguagem. O ator é veículo absoluto na operação de luz rarefeita, na presença oculta jogada às claras com o espectador, na manipulação artesanal ainda dos objetos, adereços e do som. Expor os procedimentos confere uma noção totalizadora ao encontro ao vivo, sublima distanciamento ao público.
Três homens, três mulheres, três casais. Seus históricos afetivos são fragmentados durante o encontro noturno, jornada de uma festa num balneário com direito a pista de dança, jardim, praia logo adiante. leia mais »

Porto Alegre em Cena

escrito por vals em setembro 14, 2011

Atores argentinos dirigidos por Alejandro Catalán em Amar

Estou na capital gaúcha, 18ª edição do festival. Medio os Encontros para o Espectador Crítico, atividade lançada no ano passado. A triangulação presencial criador/crítico/espectador é inspirada em debates com o mesmo espírito daqueles realizados em Buenos Aires, Santiago, Avignon. Abrimos com Amar, do argentino Alejandro Catalán, e Viúvas – performance sobre a ausência, da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz. As conversas seguem até a próxima semana. Leia a programação completa aqui, no botão debates.

Serão 21 dias de evento. Estamos na metade da jornada, testemunhando dias de céu anil e noites de lua cheia para criações de Alain Platel e les ballets c de la b, de Bob Wilson, de Peter Brook, de Emilio García Wehb, de Felipe Hirsch, entre outros, para não falar de shows com Cida Moreira, Estrella Morente, Marianne Faithfull, Philip Glass… Vai até dia 23.

Eduardo da Luz Moreira

escrito por vals em agosto 29, 2011

Eduardo Moreira como o médico e idealista Ástrov

O ator Eduardo Moreira tomou o bondinho de Santa Teresa, no centro do Rio, quando voltava sozinho da casa de familiares. Era a paisagem que costumava frequentar em visitava à cidade onde nasceu há 50 anos e passou a infância antes de migrar para Belo Horizonte. No sábado, por volta das 16h, o veículo no qual embarcara descarrilou numa curva. Como se viu e ouviu no noticiário, o acidente matou cinco passageiros e deixou outros 53 feridos, entre eles o fundador do Grupo Galpão. leia mais »

Representação brasileira premiada em Praga

escrito por vals em junho 21, 2011

Cena do espetáculo do Teatro da Vertigem destacado em Praga

O Brasil recebeu nesta segunda-feira, 20, a Triga de Ouro, a distinção mais importante da Quadrienal de Praga: Espaço e Design Cênico, a PQ11, que se estende até dia 26 na capital da República Tcheca. É a segunda vez que o país é premiado como a melhor representação. A primeira foi em 1995. A Triga de Ouro é uma estatueta que simboliza uma carruagem romana puxada por três cavalos.
Realizada a cada quatro anos no país do leste europeu, a PQ constitui evento internacional de proa em sua área. Reúne trabalhos contemporâneos numa variedade de disciplinas e gêneros do design da performance. São figurinos, palco, espaços não-convencionais, iluminação, sonoplastia, e arquitetura teatral para dança, ópera, teatro, site specific, performances multimidiáticas, artes performáticas, etc. leia mais »

Sem pensar

escrito por vals em junho 19, 2011

Denise Fraga e Kiko Marques formam casal da peça

A produção de Sem pensar revela ao Brasil uma autora inglesa recém-saída da adolescência, montada em Londres no ano passado e prestes a aportar em Nova York. Mas o que a encenação faz com o que Anya Reiss propõe em sua peça (Spur of the moment) escrita aos 17 anos e na qual pinta o universo adulto com tintas corrosivas? Submete-se de forma apática, justo o diapasão que o texto discute, sem contrastar ou problematizar as questões presumidas na dramaturgia. A concepção do diretor Luiz Villaça passa um trator caricato sobre personagens já por si nos limites da estereotipia. São os pais, a filha, as amigas da filha e o rapaz que aluga um quarto na casa e ali recebe sua namorada. leia mais »

Aglaja Veteranyi e Nelson Baskerville

escrito por vals em junho 10, 2011

A escritora romena Aglaja Veteranyi em 1994

O encontro cênico de Nelson Baskerville com a escritora romena Aglaja Veteranyi (1962-2002) foi determinante para ele encarar sua história pessoal em Luis Antônio – Gabriela. O ator e diretor a descobriu por meio da Companhia Mungunzá de Teatro, formada em São Paulo em 2006, convidado a adaptar e encenar o romance Por que a criança cozinha na polenta. No livro, a autora recria sua memória de infância numa família de artistas de circo. As violências subliminares ou diretas do pai e da mãe, o álcool e a miséria corroboraram uma época de turbulências política e social sob a ditadura Ceausescu, o presidente executado em praça pública após insurreição popular no país do leste europeu, em dezembro de 1989. leia mais »