Mostra Cena Breve Curitiba – A Linguagem dos Grupos de Teatro

escrito por vals em outubro 31, 2011

Otavio Linhares e Janaina Matter, da Súbita Companhia

Terminou ontem, com a etapa de circulação por cidades vizinhas, a sétima edição da Mostra Cena Breve Curitiba – A Linguagem dos Grupos de Teatro. Dias antes, acompanhei as apresentações e comentei os trabalhos locais e de outros Estados no blog do encontro concebido e realizado pela CiaSenhas. Reproduzo a seguir o último e o primeiro posts, respectivamente.


Em seus sete anos, a Mostra Cena Breve Curitiba – A Linguagem dos Grupos de Teatro construiu um diálogo efetivo com os criadores das artes cênicas mobilizados pela vontade de pesquisa. Todos os núcleos locais inscritos nesta edição, testemunhamos, não participam por tabela. Idem para os trabalhos vindos de outras paragens. Cada um encerra a sua singularidade e argumenta com muita convicção as proposições estéticas e conceituais abraçadas. Melhor: sem perder a capacidade de escutar e enfrentar contradições até mesmo para assumi-las.


Outro aspecto relevante é o da recepção: o público não é formado apenas por aqueles vinculados aos criadores, despertados naturalmente pelas pesquisas cênicas, mas também pelo cidadão comum instigado a fruir o teatro com mais curiosidade. O espaço para a reflexão na roda de debates, a cada manhã seguinte, ou os escritos partilhados neste blog são instâncias abertas de afirmação da troca de percepções entre os artistas, os organizadores e, sobretudo, os espectadores no encontro ao vivo.


Particularmente, sublinho o privilégio da convivência com as sensibilidades da figurinista Amábilis de Jesus, da atriz e dramaturga Lucienne Guedes e do dramaturgo, diretor e performador Fernando Villar, todos eles pedagogos cúmplices e militantes. Simbiose assim só vem com atitudes artísticas e políticas que não faltam à CiaSenhas. Evoé!


O Núcleo Heliogábalus relê Orlando de Virginia Woolf

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Sigo os passos da CiaSenhas desde Devorateme, no Fringe do Festival de Curitiba em 2002. Acompanhar sua trajetória é compreender muito da mudança substancial no panorama da produção local ao longo da década passada. O teatro de pesquisa demarca território sólido (ou a arte pede o movediço?) para com a atividade continuada dos grupos em contraponto a uma maré dos anos 1990 ainda remanescente, a sociedade da mediocrização do riso hoje propagada em todas as regiões do país, do nada para lugar nenhum.


Além da inquietação movente em suas criações, o núcleo firmou-se também pelo fôlego com que abraça a Mostra Cena Breve. Seu subtítulo é esclarecedor: A Linguagem dos Grupos de Teatro. Falando aos pares da cidade e de outros Estados, a CiaSenhas construiu uma rede disposta à reflexão para além daquela que diz respeito às políticas públicas e dominantes quando dois ou mais coletivos se encontram.


Não que o modo de produção não esteja implicado, borboleteando as peripécias de quem se aventura a organizar uma mostra ou festival, mas as cenas curtas predispõem a sínteses formais e de conteúdos às quais artistas e espectadores estão predestinados a embarcar. Isso significa navegar ou naufragar juntos nos 15 minutos flutuantes no imaginário de cada um, quatro vezes por noite.


Neste início da 7ª edição, sinto-me privilegiado em mais uma vez testemunhar a disponibilidade incondicional das idealizadoras Marcia Moraes, Greice Barros e Sueli Araújo.


Junto-me a toda a equipe e aos criadores desafiados ao formato e, inexoravelmente, à explosão do mesmo para fazê-lo desdobrar ou desaparecer sem vestígios.


O jornalista viajou a convite da mostra.


>> O blog da Mostra Cena Breve Curitiba – A Linguagem dos Grupos de Teatro

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