Sérgio Britto

escrito por vals em dezembro 17, 2011

O ator Sérgio Britto na pele do homem inerte de Samuel Beckett, em 2009

Uma forte lembrança de Sérgio Britto vem de 2009, corpo arqueado, o teatro e a vida inscritos no peito nu do homem desesperado para alcançar uma garrafa d’água no deserto e, quando desiste, o objeto vai até ele, que não mais reage. A inação explícita de Ato sem palavras I, de Samuel Beckett. Na mesma noite, emendava A última gravação de Krapp, o velho rebobinando sua voz nas platitudes juvenis de uma existência que não foi. Mais Beckett. Esse projeto duplo, dirigido por Isabel Cavalcanti, mostrava o tamanho da coragem do artista ao vestir-se da forma e do conteúdo na solidão do palco sem o escudo da fragilidade física dos 85 anos de então. Sérgio Britto morreu esta manhã, no Rio, de insuficiência respiratória aguda. Tinha 88 anos, 66 de convívio teatral com atalhos para a televisão e, mais raramente, o cinema. Abaixo, uma foto de julho de 1961, aos 38 anos, estampando o programa de O beijo no asfalto, de Nelson Rodrigues, a quinta produção do Teatro dos Sete na qual contracenava com Fernanda Montenegro, Ítalo Rossi, Mário Lago, Oswaldo Loureiro e Suely Franco, entre outros, sob direção de Fernando Torres. Ocorre-me ainda lembranças da sua composição para o desmoronamento do caixeiro-viajante James Tyrone em Longa jornada noite adentro, de Eugene O’Neill, em 2003, ao lado de Cleyde Yáconis e com direção de Naum Alves de Souza.


Como o infame repórter rodriguiano no Teatro dos Sete, aos 38 anos

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