Das potências

escrito por vals em 1 de dezembro de 2010 – 11:47 -

Miriam Freeland interpreta Olga em Tomo suas mãos na minha, em que contracena com Roberto Bontempo no papel de Tchekhov - foto: Val Lima

No ano em que se completa um século e meio do nascimento de Anton Tchekhov ele provavelmente desconfiaria das boas intenções das efemérides. A ironia lhe foi companheira. E mesmo quando enamorado, segundo confessa no derramamento sentimental e demasiado humano assumido nas cartas que trocou com a mulher Olga Knipper nos últimos seis anos de vida. O tom intimista daquela correspondência serve à americana Carol Rocamara em Tomo suas mãos nas minhas, uma dramaturgia centrada nos diálogos escritos entre o final do século XIX e início do XX. As linhas lidas e ouvidas hoje compõem por si um drama que dá notícias do autor genial e do sistema teatral que gravitava à sua volta. Vida e arte são entretecidas em Tchekhov e Olga, como na relação deles com Constantin Stanislavski e Nemirovitch-Dantchenko, os criadores pilares do Teatro de Arte de Moscou citados com recorrência na peça interpretada por Roberto Bontempo e Miriam Freeland. Read more »

Subscribe to my RSS feed

Os escravos da fila

escrito por vals em 22 de abril de 2010 – 9:41 -

A calçada e o saguão do teatro são lugares de esperança e suspeição no Festival Iberoamericano de Bogotá. Sina de espectador que a cada dois anos torce para encontrar espetáculos que o capturem com a arte após submissão ao detector de metais e os cuidados em não ter a carteira afanada
Todas as filas carregam esperanças que nem sempre são cumpridas. Os espermatozóides que o digam. No caso do teatro, as pessoas ocupam a calçada, o saguão ou o bar do edifício com um objetivo simples e direto: querem ser abduzidas da realidade por alguns minutos, horas. Cruzar a porta da sala de espetáculo é como fazer um pacto com o desconhecido. Dependendo da ousadia dos artistas em cartaz, a tensão pode roçar com aquela experimentada por Fausto diante de Mephisto. O espectador dispõe-se a vender a alma, paga por isso e torce para que a montagem o compense com arte. Ele ambiciona ser transportado a outro espaço, o imaginário, por atores que são outros em cena. Público e atores são eles mesmos e os outros. Mas aqui não vamos pisar o terreno da ficção e seu círculo de alteridades. Os conflitos de uma fila de teatro, lá fora, são de outra ordem. E no âmbito de um festival com ingressos disputados por causa das atrações internacionais que aportam de dois em dois anos em Bogotá, a angústia multiplica-se. Read more »

Subscribe to my RSS feed

Transcriação cênica ilumina o rumor da língua em Leminski

escrito por vals em 14 de abril de 2010 – 12:17 -

Nadja Naira apóia-se na ação performativa em Descartes com lentes, que a Companhia Brasileira de Teatro levou a Bogotá >> Fotos: Andrea Villarraga

Foi uma grata surpresa encontrar a Companhia Brasileira de Teatro, de Curitiba, entre as atrações do Festival Alternativo em Bogotá, na semana passada. Naqueles dias, lá, li sobre a recepção no Festival de Teatro de Curitiba do novo espetáculo dirigido por Marcio Abreu, VIDA. Na mostra colombiana gravitada em torno da sede do Grupo Teatro La Candelaria, os artistas brasileiros apresentaram o experimento cênico Descartes com lentes, solo da atriz Nadja Naira e fruto da investigação sobre a obra do escritor paranaense Paulo Leminski, morto em 1989, aos 43 anos, também o motor de VIDA, montagem a que ainda não assisti. Read more »

Subscribe to my RSS feed

A aventura da crônica jornalística

escrito por vals em 25 de março de 2010 – 14:28 -

Teatro Biuro Podrozy, Polônia

Versão teatro de rua do grupo polonês Teatro Biuro Podrozy para Macbeth, em cartaz esta semana >> Foto: Katarzyna Czarnecka

Iniciei ontem participação na oficina de crônicas Las historias del festival de teatro [y los dranas y comedias fuera de él].
Somos 16 jornalistas da Argentina, Brasil, Colômbia, El Salvador, Equador, Estados Unidos, México, Uruguai e Venezuela. Read more »

Subscribe to my RSS feed

Teatro de risco

escrito por vals em 22 de março de 2010 – 2:56 -

Imaginava que uma peça de Samuel Beckett interpretada por Bob Wilson reservasse lá seus riscos, mas não a ponto de dois oficiais (uma para elas, outro para eles) postarem-se à entrada do teatro, fardados e armados, para revistar os espectadores com detector de metais. Foi a situação que vivenciei no sábado à noite, no Teatro Nacional Fanny Mikey. Read more »

Subscribe to my RSS feed