Mostra Strindberg

escrito por vals em 20 de setembro de 2012 – 10:39 -

Cena da peça dirigida por André Guerreiro Lopes


Programa sincronizado em quatro unidades do Sesc em São Paulo inclui espetáculos, leituras, debates, exposição e vivência em torno da dramaturgia, da vida e do pensamento do sueco Johan August Strindberg (1849-1912).


Chance para assistir a montagens do Grupo Tapa (Credores e a inédita A noite das tríbades); do diretor Nelson Baskerville (Brincando com fogo e Credores – esta como obra em progresso); de Christiane Jatahy (Julia, vinda de temporada no Rio); e de André Guerreiro Lopes (O livro da grande desordem e da infinita coerência, outra estreia).


Leia aqui reportagem para o Valor Econômico.


Julia Bernat e Rodrigo dos Santos dirigidos por Jatahy

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Bogotá/FIT-BH – La Maldita Vanidad

escrito por vals em 26 de junho de 2012 – 10:22 -

Com pouco mais de três anos de vida, a companhia La Maldita Vanidad (a maldita vaidade), autonomeada “laboratório teatral colombiano”, conquista respeito em Bogotá onde o teatro de pesquisa deita raízes por meio de núcleos que historicamente honraram essa modalidade, como La Candelaria, Varassanta e Mapa Teatro. Read more »

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Bogotá – Peeping Tom

escrito por vals em 12 de abril de 2012 – 15:00 -


A companhia foi criada em 2000 e seu quarto espetáculo, 32 rue Vandenbranden (2009), talvez seja o que melhor traduza filosófica e cenicamente o seu nome: Peeping Tom. Segundo a lenda britânica de Lady Godiva, do século XXI, a mulher do administrador de uma cidade pedia a ele para baixar os impostos dos camponeses e o marido só o fez sob a seguinte condição: se desfilasse nua sobre um cavalo. Abraçada à causa, lá foi ela. Calhou de Peeping Tom ser o único par de olhos masculino a mirar aquele corpo, ainda que sob as frestas de uma janela, e por isso perdeu a visão. A condição de voyeur é trabalhada no palco sem o automático enquadramento temático e formal do cinema, mas fazendo uso dessa linguagem em sua transcendência pelas imagens, pela atmosfera etérea, conduzindo o espectador a uma viagem original em procedimentos da dança e do teatro rumo à ascese. Read more »

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Bogotá – Teatro Varasanta

escrito por vals em 9 de abril de 2012 – 14:53 -


Após banhar-se do tema do bicentenário da independência colombiana em Fragmentos de libertad – 200 anos (2010), o Teatro Varasanta – Centro para la Transformación del Actor persevera pensar o seu país em cena com perspectiva histórica. Agora, é Shakespeare quem lhe dá as senhas em La tempestad, sob as mãos do diretor polonês convidado Piotr Borowski (do Studium Teatralne, de Varsóvia), discípulo do compatriota Jerzy Grotowski. Read more »

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Bogotá – Mapa Teatro

escrito por vals em 5 de abril de 2012 – 10:18 -


Em sua jornada pelo imaginário social da Colômbia, desde 1984, o Mapa Teatro toca agora numa fratura exposta não só naquela sociedade, mas especialmente nos territórios vizinhos sul-americanos: o narcotráfico. O espetáculo mais recente do grupo, Discurso de un hombre decente, estreou em dezembro de 2011, em Bruxelas, e foi apresentado em terra natal na semana passada, dentro do Festival Iberoamericano de Teatro de Bogotá, seu coprodutor. Read more »

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Ivan e os cachorros

escrito por vals em 23 de março de 2012 – 15:23 -


O realismo sociológico pode abrigar formas libertárias, confirma Ivan e os cachorros. A narrativa sobre um garoto abandonado que sobrevive nas ruas de Moscou acolhido entre os 4 e os 6 anos por uma matilha, como noticiaram jornais russos no início da década de 1990, não fez a equipe de criação refém do sentimentalismo atávico quando se trata de assumir o ponto de vista de uma criança. Read more »

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O ano Bob Wilson no Brasil

escrito por vals em 19 de março de 2012 – 11:17 -


Vem aí uma sequência de criações de Bob Wilson no país, com passagens confirmadas por São Paulo e Porto Alegre.

De 14 a 20 de abril ele apresenta no Sesc Belenzinho o solo A última gravação de Krapp (2009), atuando como o velho septuagenário de Samuel Beckett a reboboniar seu passado – mesma idade do artista norte-americano. Escrevi aqui quando assisti em Bogotá, em 2010. Read more »

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Mostra Cena Breve Curitiba – A Linguagem dos Grupos de Teatro

escrito por vals em 31 de outubro de 2011 – 10:45 -

Otavio Linhares e Janaina Matter, da Súbita Companhia

Terminou ontem, com a etapa de circulação por cidades vizinhas, a sétima edição da Mostra Cena Breve Curitiba – A Linguagem dos Grupos de Teatro. Dias antes, acompanhei as apresentações e comentei os trabalhos locais e de outros Estados no blog do encontro concebido e realizado pela CiaSenhas. Reproduzo a seguir o último e o primeiro posts, respectivamente. Read more »

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Poa em Cena – Agreste Malvarosa

escrito por vals em 31 de outubro de 2011 – 9:48 -

Millene Ramalho (esq.) e Rosana Barros

O espetáculo Agreste malvarosa não só recupera o subtítulo que Newton Moreno guardava entre parênteses na peça original, de 2001, como traz duas atrizes no papel do casal que está no olho da narrativa. Eis os exemplos, para começar, de contraposição e dialogismo em relação à premiada montagem de Marcio Aurelio para o mesmo texto, em 2004, com atuações de Joca Andreazza e Paulo Marcello, trio da Companhia Razões Inversas. A recente concepção de Ana Teixeira e Stephane Brodt, em projeto paralelo à Companhia Amok Teatro, também sublinha a linguagem como suporte absoluto da cena, em todos os sentidos, sem ceder a tentações que chapariam o texto no registro da cultura popular, o escapismo regionalista do qual essa dramaturgia bebe, mas não se embriaga.

Idealizadora da produção carioca, a atriz Millene Ramalho compõe com Rosana Barros uma dupla convincente, técnica e poeticamente, no trânsito por Etevaldo e Maria – o amor incondicional desses seres “tímidos como caramujo” – e aqueles que gravitam ao redor do casal e vão se espantar justo após a morte do “marido”, fixados no órgão genital dele ou, melhor, na sua ausência. A sexualidade é o pomo da discórdia. Tanto Aurelio quanto Teixeira e Brodt relativizam essa questão de gênero ao lançar mão de intérpretes masculinos e femininos e conferir dimensão humanista aos protagonistas. Read more »

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Poa em Cena – 9 mentiras sobre a verdade

escrito por vals em 30 de setembro de 2011 – 15:14 -

Vanise Carneiro é Lara, vislumbrada pelo cinema

Para tantos universos femininos que o teatro vasculha desde sempre, buscando traduzir, por exemplo, as páginas de uma Clarice Lispector ou de uma Hilda Hilst, fontes altaneiras, o monólogo 9 mentiras sobre a verdade arranja-se bem nas inversões de expectativas. É teatro apropriando-se sutilmente da linguagem do cinema não para narrar em projeções, mas configurar imagens que as palavras dizem ou que os poucos adereços e objetos vintage deixam entrever no palco.

Tempo, espaço e memória surgem dilatados na cabeça de Lara por meio de suas “anotações mentais”, como gosta de pontuar. A personagem interpretada por Vanise Carneiro se quer atriz com relativo prestígio nos estúdios. Às voltas com seus botões, põe-se a filosofar sobre feridas menos evidentes. Funde o relato que se presume pessoal com a ficção extraída dos filmes dos quais participou ou gostaria de ter protagonizado. Read more »

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Poa em Cena – A história do homem que ouve Mozart e da moça do lado que escuta o homem

escrito por vals em 27 de setembro de 2011 – 18:56 -

Adriana Zattar, da Companhia Espaço Cênico

Dois seres ilhados aos poucos se tocam em suas memórias e deslocamentos no tempo e no espaço. Cenas envoltas na penumbra reforçam uma experiência mais auditiva que visual, como dão fé os verbos no nome do espetáculo. A história do homem que ouve Mozart e da moça do lado que escuta o homem constrói um campo sensório em que o espectador está ao alcance da mão estendida do intérprete. O tato, porém, importa menos que a atenção consciente e clandestina diante de sentidos outros na cohabitação proposta pelos criadores da Companhia Espaço Cênico.
O ponto de partida, sincrônico ou ao acaso, é o encontro dos personagens que nunca se viram – assim como quando artistas e público se descobrem numa noite. Read more »

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Poa em Cena – Histórias de amor líquido

escrito por vals em 24 de setembro de 2011 – 10:02 -

Ana Kutner contracena com holografia

Parte da equipe e das escolhas formais de Um navio no espaço ou Ana Cristina César, apresentado no festival em 2010, está presente na produção do Rio cujo título ratifica a influência do sociólogo e ensaísta polonês Zygmunt Bauman e seu livro Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos (2003).
A direção de Paulo José se deixa levar pragmaticamente pelos recursos audiovisuais que em raros momentos atingem a dimensão poética dominante na montagem anterior. As projeções ajudam a compor o espaço cenográfico (parede, janela, ponte). Ganham status, inclusive, de personagens holográficos contracenando com atores ao vivo. Read more »

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Poa em cena – Dentro da noite

escrito por vals em 21 de setembro de 2011 – 18:23 -

Alvisi no primeiro conto de João do Rio que dá título ao espetáculo

Na adaptação teatral de dois textos do cronista João do Rio (1881-1921), a assinatura de Ney Matogrosso na direção e na cocriação do desenho de luz não é protocolar. A experiência como ator no início da carreira, seu extraordinário desempenho de palco como cantor, há mais de 40 décadas, são credenciais para a parceria com Marcus Alvisi em Dentro da noite. Read more »

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Poa em Cena – Amar

escrito por vals em 18 de setembro de 2011 – 17:02 -

Atrizes de Amar, texto e direção do argentino CatalánO título é Amar, mas os sentidos que o verbo revela o autor e diretor Alejandro Catalán prefere ocultar. Mergulhado o tempo todo em penumbra, o espetáculo escapa desesperadamente à armadilha dos códigos sentimentais para sustentar-se nas tramas da linguagem. O ator é veículo absoluto na operação de luz rarefeita, na presença oculta jogada às claras com o espectador, na manipulação artesanal ainda dos objetos, adereços e do som. Expor os procedimentos confere uma noção totalizadora ao encontro ao vivo, sublima distanciamento ao público.
Três homens, três mulheres, três casais. Seus históricos afetivos são fragmentados durante o encontro noturno, jornada de uma festa num balneário com direito a pista de dança, jardim, praia logo adiante. Read more »

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Porto Alegre em Cena

escrito por vals em 14 de setembro de 2011 – 14:22 -

Atores argentinos dirigidos por Alejandro Catalán em Amar

Estou na capital gaúcha, 18ª edição do festival. Medio os Encontros para o Espectador Crítico, atividade lançada no ano passado. A triangulação presencial criador/crítico/espectador é inspirada em debates com o mesmo espírito daqueles realizados em Buenos Aires, Santiago, Avignon. Abrimos com Amar, do argentino Alejandro Catalán, e Viúvas – performance sobre a ausência, da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz. As conversas seguem até a próxima semana. Leia a programação completa aqui, no botão debates.

Serão 21 dias de evento. Estamos na metade da jornada, testemunhando dias de céu anil e noites de lua cheia para criações de Alain Platel e les ballets c de la b, de Bob Wilson, de Peter Brook, de Emilio García Wehb, de Felipe Hirsch, entre outros, para não falar de shows com Cida Moreira, Estrella Morente, Marianne Faithfull, Philip Glass… Vai até dia 23.

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Aimar Labaki busca montagens sobre cultura judaica

escrito por vals em 9 de junho de 2011 – 10:59 -

Priscilla Herrerias em Réquiem, premiada em 2007

O dramaturgo Aimar Labaki é curador da terceira edição do Concurso de Montagens Teatrais do Centro da Cultura Judaica, em São Paulo, com inscrições até 25 de julho. A iniciativa destinada a criadores do Estado pode contemplar até três projetos, cada um com R$ 36 mil. Os temas devem ser relacionados direta ou indiretamente à cultura judaica. O público alvo não importa: adulto, juvenil ou infantil. O formato do lugar, tampouco: sala, rua ou espaço alternativo. Read more »

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Veronese, Tolcachir

escrito por vals em 21 de maio de 2011 – 10:20 -

Oscar Nuñez e María Figueras são Vânia e Sônia por Veronese

Finalmente os espectadores de São Paulo têm a chance de assistir a duas produções recentes do chamado teatro independente argentino. São criações de Daniel Veronese e Claudio Tolcachir, encenadores referenciais no teatro portenho que já circularam, um ou outro, ou ambos, por cidades como Porto Alegre, Londrina e Santos.
Adaptação de Veronese para Tio Vânia, a montagem de Espía a una mujer que se mata, de 2006, com sessões até amanhã no Sesc Belenzinho, é dos trabalhos mais emblemáticos do estilo despojado e substancioso do diretor. Em artigo publicado esta semana no portal idança.net, um balanço sobre a primeira edição do Mirada – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos, em outubro de 2010, anotei: Read more »

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Mostra Latino-Americana – Fragmentos de liberdade…

escrito por vals em 4 de maio de 2011 – 1:11 -

Fernando Montes e parte do elenco do Grupo Varasanta

A história não-oficial do bicentenário da Colômbia pelo Teatro Varasanta é uma aula. Uma “aula” capciosa de como apropriar-se do discurso institucional e transformá-lo em material cênico com a legitimidade que a arte concede. A grande arte. Em pleno marco da efeméride, a ode patriótica vem no contrapé: a bandeira tricolor, os hinos de louvação civil e religiosa, as cartas e tratados coloniais e todo o arcabouço de identidade que os livros didáticos costumam enfiar goela abaixo são desconstruídos em células de tons trágicos, alegóricos e performativos. Read more »

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Mostra Latino-Americana – Café quente em noite fria…

escrito por vals em 4 de maio de 2011 – 1:10 -

Glauco Garcia em cena com o Grupo Caos e Acaso, de Londrina

2011. O grupo fala em reafirmar um teatro popular. Saúda o Teatro do Oprimido, as técnicas e a filosofia irradiadas por Augusto Boal no exílio, o Brasil sob ditadura. Cita outros dramaturgos que resistiram com talento, Gianfrancesco Guarnieri, Oduvaldo Vianna Filho. E leva para a cena a exploração de homens e mulheres no campo, narrativa de Café quente em noite fria ou O ensaio sobre a lenda do ouro verde. Nenhuma novidade temática para o país que, ainda agora, governado por uma militante torturada pelos militares, brande a bandeira do “Brasil sem miséria”. Só a estupidez ignoraria o vão das injustiças na larga base da pirâmide social. Mas o que surpreende no trabalho do Grupo Caos e Acaso de Teatro é deparar em sua cena com a tradução fundamentada da pesquisa de luz, do espaço cênico, da projeção, do acompanhamento musical ao vivo e, o ápice, munir seus atores com poética mínimas para aflorar sua capacidade inata de comediante na acepção mais nobre. Read more »

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Mostra Latino-Americana de Teatro – Formas de brincar

escrito por vals em 1 de maio de 2011 – 21:30 -

Volante distribuído na intervenção do ERRO Grupo

O ERRO Grupo parte com tudo para cima do tema do desejo mercantil sobre a mulher. Suas três atrizes engolem o espectador masculino ou congênere com closes cavalares de olhos e bocas pintados pela imagem do gozo a qualquer custo. A persuasão está na berlinda. Alguém ainda tem dúvida por que a indústria da cerveja força a barra com corpos esculturais? Sobrou até para as devassas. A máquina da voracidade com que essa carne é historicamente barateada ganha um conteúdo contundente em Formas de brincar.
Já que as campanhas publicitárias, quem diria, soam cada vez menos subliminares, vão direto ao ponto, a intervenção delicia-se nas entrelinhas do território lúdico do sexo, aquele sobre o qual a atenção pública cai de joelhos sem pestanejar. É como se a obra jogasse com a mesma moeda – e assumisse seus riscos. Sarah Ferreira, Luana Raiter e Paula Felitto posam de beldades, tipos que se insinuam montadas em tamancos, molejos e malícias outras. Não demora, surgem uma a uma com novas roupagens da estereotipia feminina: a dançarina, a gueixa e a tradicionalista. Até arrancarem todas as fantasias e se despirem em pele de corpetes que as revelam joguetes entregues às carcaças de si. Read more »

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Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo – La mujer justa

escrito por vals em 1 de maio de 2011 – 16:32 -

Cena de La mujer justa, com o Teatro Circular de Montevideo

O Teatro Circular de Montevideo salvaguarda a luz do pensamento que a escrita de Sándor Márai infundi no leitor e no espectador. Escutá-lo é um antídoto, ainda que sua prosa, quase sempre, desça fundo ao inferno de cada um. Pior quando vai a pique amarrada aos tempos de guerra. Imaginar que “a dor não tem lágrimas nem palavras”, como sentencia o escritor alter ego do autor em La mujer justa, nos faz engolir em seco a aridez que a natureza humana é capaz de produzir. O niilismo, porém, não disfarça o sentimento de beleza. “Já não creio nas palavras, mas sigo amando-as.” Read more »

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Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo – Oxlajuj b’aqtun

escrito por vals em 1 de maio de 2011 – 15:40 -

Ritual cênico Oxlajuj b’aqtun, do grupo guatemalteco Sotzi'l

O espectador brasileiro urbano convidado a partilhar a cultura ritual dos maia-kaqchikel sente que o mundo é um grande quintal. A arquitetura da Sala Adoniran Barbosa, sua arena quadrada e vazada, é transformada num coração da selva em que a imaginação se deixa orquestrar pela música de sopro e percussiva, pelo incenso, pelo fogo, pelas máscaras, pelo espaço cênico circular que concerne ao fio da dramaturgia expressa por meio de outros elementos da cena que não só o verbo, “dialetos” outros à margem da cartografia teatral moldada pelo mundo ocidental. Read more »

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Curitiba – Companhia Garagem 21

escrito por vals em 18 de abril de 2011 – 0:37 -

Paulo Campos e o Coelho na peça que trança Beckett e Arrabal

A Companhia Garagem 21, de São Paulo, foi ao Fringe com dois Beckett. Um, tomado como porto conceitual para experimentar fricções com Arrabal, autor espanhol que também pinta o absurdo com palavras. O outro, mais estrito às poderosas rubricas e ao pé da letra do dramaturgo irlandês. Sessenta minutos para o fim, a peça de 2008, apresentada dentro da Conexão Roosevelt, e Fim de partida, que teve estreia nacional no espaço Novelas Curitibanas, são umbilicais na formação do olhar e do ouvido do diretor Cesar Ribeiro, cujo modo de criação cultiva há 16 anos: o flerte contínuo com o cancioneiro pop, as histórias em quadrinhos, a estilização cinematográfica da luz e da edição com o blecaute, o silêncio e a distorção, enfim, tudo que soaria um amontoado trash a algumas suscetibilidades e encontra eco principalmente junto ao público jovem – ainda bem. Estilo que pode ser alinhado a três paranaenses que porventura flertam com as artes cênicas com eloquência afins: Paulo Biscaia Filho (Companhia Vigor Mortis), Paulo de Moraes (Armazém Companhia de Teatro) e Mário Bortolotto (Cemitério de Automóveis), cada um correndo em sua estrada. Read more »

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Curitiba – Tio Vânia (aos que vierem depois de nós)

escrito por vals em 11 de abril de 2011 – 16:52 -

Antonio Edson no papel-título com pendor cômico

O encontro do Grupo Galpão com Anton Tchekhóv, a vodka e a cachaça, pede aos atores movimentos de interiorização e exteriorização complementares que idealmente vão destilar organicidade aos personagens. Tio Vânia (aos que vierem depois de nós) é a tentativa de cohabitar esses continentes expressivos.
A intersubjetividade está para a dramaturgia do autor russo assim como o teatro popular para a linguagem do conjunto mineiro que historicamente bebe do circo, da rua e da música, entre outros elementos. O elenco do espetáculo que estreou em Curitiba ora conflui para uma terceira via ora retoma a pista mais conhecida (e segura), paradoxo à linha conceitual coassumida pela diretora convidada Yara de Novaes, do Grupo 3 de Teatro, que no ano passado montou O amor e outros estranhos rumores, adaptação de contos de Murilo Rubião. Read more »

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Curitiba – Anjo negro

escrito por vals em 11 de abril de 2011 – 1:21 -

Déo Garcez e Joana Seibel são Ismael e Virgínia

A popularidade de Nelson Rodrigues lotou praticamente todos os 700 lugares do Teatro da Reitoria nas sessões de Anjo negro. O espetáculo do Grupo Teatro Mosaico, de Cuiabá (MT), revelou-se bastante limitado em vários aspectos. Limitações que precisam ser situadas quanto à realidade da produção naquela capital do centro-oeste do país, em que um núcleo com 15 anos não significa, como se supõe, continuidade no trabalho de seus integrantes, aprimoramentos técnico e artístico que desaguem na solidez de linguagem. Esta vem prenunciada na percepção visionária do ator, encenador e produtor Sandro Lucose. Ele estudou no Rio de Janeiro e retornou ao Mato Grosso para lá radicar utopias. Read more »

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Curitiba – Amores (re)partidos

escrito por vals em 10 de abril de 2011 – 9:31 -

Perrone, Ana Paula e Mazé formam triângulo do texto de Daronco

Muito irregular Amores (re)partidos, a produção da Companhia Serial Cômicos que estreia no Fringe em sessões até hoje, último dia do Festival. O núcleo de Curitiba – em atividade desde 2005 – reúne dois textos curtos de Douglas Daronco. Ele percorre com fragilidade o chamado universo feminino. Não transcende lugares-comuns nos diálogos e situações. Mas deixa entrever potencialidades. O pior é que a encenação e a interpretação se encarregam de tornar a fruição ainda mais difícil. Read more »

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Curitiba – Murro em ponta de faca

escrito por vals em 9 de abril de 2011 – 19:10 -

Erica Migon é a alienada Marga no grupo de exilados

Ver Paulo José, 74 anos recém-completados, no Espaço Cênico (ex-ACT) de Curitiba, neste abril de 2011, na condição de diretor in loco do espetáculo que ele montou pela primeira vez em outubro de 1978, no Teatro de Arte Israelita Brasileira, o TAIB, em São Paulo, é testemunhar a construção de uma ponte histórica com o presente dessa arte viva no país. No Fringe até domingo, seguindo para temporada no Rio semana que vem, Murro em ponta de faca introduz gerações de espectadores a uma face menos disseminada da dramaturgia de Augusto Boal (1931-2009), contraponto aos instrumentos técnicos do Sistema Coringa ou do Teatro do Oprimido. Aqui, seu espírito crítico convive surpreendentemente bem, para quem não conhecia o texto, com as convenções do drama burguês, digamos assim, os personagens psicologicamente delineados, as contradições explícitas, o conflito pessoal levado ao ato extremo da vida numa peça em que três casais atravessam as angústias da condição do exílio político que o autor conheceu na pele. Read more »

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Curitiba – Homem piano – uma instalação para a memória

escrito por vals em 8 de abril de 2011 – 9:20 -

Luiz Bertazzo na sede da CiaSenhas de Teatro

O branco é associado à paz. O branco dá medo. É a cor dominante no espaço da CiaSenhas de Teatro, no centro velho de Curitiba, onde o taxista não quis me deixar porque “lá não tem teatro, lá só tem boca de fumo”, parando três quadras antes, irredutível. Não é desse medo hostil da defensiva, mais pavoroso do que os possíveis agentes, de que trata Homem piano – uma instalação para a memória, com duas sessões diárias programadas no Fringe até sábado. O roteiro tem a ver com esvaziar o HD pessoal das culpas que não são esquecidas, remoendo a impossibilidade do branco, o medo de preencher e ser preenchido. O eu e o ele de Luiz Bertazzo guiam os visitantes nesses entremeios. Desde a rua de paralelepípedos, a São Francisco, o performer fala ao microfone trechos da composição Lenda do pégaso, de Jorge Mautner, sobre o passarinho feio que virou cavalo alado na mitologia grega. “Pegue as mágoas e apague-as”, diz um verso. Read more »

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Curitiba – Oxigênio

escrito por vals em 6 de abril de 2011 – 14:51 -

Patrícia Kamis e Rodrigo Bolzan na obra da Companhia Brasileira de Teatro

O grande teatro do mundo cabe em Oxigênio. O autor russo Ivan Viripaev, de 36 anos, liquefaz um bloco maciço de ideias sobre a desordem global ao mesmo tempo em que mantém a chama acesa sobre uma história de amor trágica e, como todas, inevitavelmente ridícula. Macro e micropolíticas do poder bailam sobre as cabeças de Sacha, ele, e Sacha, ela, amantes narradores, pacifistas, guerrilheiros, seres instigados pelos poros e levados às últimas consequências – leiam-se contradições – no texto do autor inédito entre nós e na montagem de Marcio Abreu dentro da Companhia Brasileira de Teatro, sua sede no centro velho de Curitiba, no Largo da Ordem. Read more »

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Curitiba – Trilhas sonoras de amor perdidas

escrito por vals em 5 de abril de 2011 – 23:45 -

Weber e Natália na montagem de Hirsch que estreou no festival

Uma peça “radiofônica” perfeita para escutar, difícil de ver. Trilhas sonoras de amor perdidas põe a agulha no toca-discos como num flashback afetivo da Sutil Companhia de Teatro ao saudar o seu principal sucesso, A vida é cheia de som e fúria, 11 anos atrás, uma obra cativa aos seus admiradores. Muito do que o núcleo de Felipe Hirsch e Guilherme Weber evoluiu em termos de sofisticação de linguagem, de lá para cá, recua de forma impressionante no primeiro ato da produção que estreou no final de semana. É massante a estrutura em que o narrador lembra as fitas cassetes que gravou para a namorada e outras investidas. Um rosário de sobe-som das canções pop dos anos 1990 ou pregressas torna a relação com o público bastante restritiva. Quem partilha as lembranças do universo do encenador e autor, aqui uma espécie de DJ, dança e se cansa porque a montagem não sampleia, ou vai samplear mais tarde, quando a conexão já oscilou. Read more »

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