Fernando Peixoto

escrito por vals em 15 de janeiro de 2012 – 18:41 -

Ele morreu na última madrugada. Fernando Peixoto tinha 74 anos. O ator, diretor, dramaturgo, jornalista, tradutor e historiador de teatro estava internado no hospital São Luiz, em São Paulo, devido a um câncer no intestino.
A Editora Hucitec, com a qual mantinha vínculo e por lá publicou a maioria dos seus livros, informa em nota que o corpo será cremado amanhã, às 11h, em Vila Alpina, em São Paulo. Read more »

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Curitiba – Preferiria não? – Por Margie Rauen

escrito por vals em 4 de abril de 2011 – 12:44 -

A atriz Denise Stoklos relê a obra de Melville

O texto a seguir é uma colaboração da criadora e pesquisadora Margie Gandara Rauen para o Teatrojornal. Ela acompanha a carreira de Denise Stoklos desde Um fax para Colombo (1992). Entre 2007 e 2009, coordenou um projeto de pesquisa e iniciação científica baseado na obra da atriz e integrado ao curso de Arte Educação da Universidade Estadual do Centro-Oeste/UNICENTRO, onde leciona e encabeça o Grupo de Pesquisa em Artes no campus de Guarapuava, a cerca de 250 quilômetros de Curitiba. Rauen também é diretora cênica, dramaturga e tradutora. Dois anos atrás, organizou o livro A interatividade, o controle da cena e o público como agente compositor, lançado pela editora da UFBA. Em tempo: não consegui assistir a Preferiria não? no festival.

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Lélia

escrito por vals em 8 de fevereiro de 2011 – 11:06 -

Lélia Abramo (1911-2004)

A atriz Lèlila Abramo (1911-2004) foi dirigida no teatro por Zé Renato, Boal, Antunes, João das Neves, Walmor Chagas, entre outros - foto: Divulgação

Ela é a mais “policarpesca” das nossas atrizes, ouvi certa vez de Paulo José. Lélia Abramo completaria 100 anos hoje. Morreu em 2004, aos 93.  Pautou-se pela coerência radical nas lutas pela arte e pela cidadania. Era tida como “chata” por não ceder nas ideias e nas ações. Quer em tempos de guerra quer sob ditadura. Estava na Italia em plena Segunda Guerra Mundial. Sentiu na pele a invasão nazista. Em dezembro de 1944, em Roma, como não bastassem as agruras da época, atravessou uma experiência pessoal traumática: uma malsucedida cirurgia extirpou-lhe o ovário direito, o sadio, em vez do esquerdo, pondo fim à esperança de ter filhos. (No palco, não lhes faltaram figuras maternas, fértis ou não, em Lorca, Brecht, Górki, Ésquilo, Ibsen, Guarnieri…). Talvez tenha sido uma das razões pela qual sublimou tanto a luta dos artistas pela organização sindical, a resistência política ao regime militar no Brasil, o direito à criação do Partido dos Trabalhadores em contraste com o machismo reinante entre os metalúrgicos, Lula à frente, cuja maioria fazia ouvidos moucos à mulher e à atriz naquele ambiente de pré-abertura e redemocratização. Read more »

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Ileana e Miguel

escrito por vals em 4 de dezembro de 2010 – 16:36 -

Ileana Diéguez, pesquisadora da Universidad Autónoma Metropolitana, no México, que esteve em Porto Alegre - foto: UAM/Divulgação


Miguel Rubio Zapata, diretor e dramaturgo cofundador do Grupo Cultural Yuyachkani, do Peru - foto: Diego Rojas

Ela nasceu em Cuba e vive no México. Ele, nasceu e vive no Peru. Iliena Diéguez trilhou as artes cênicas pela perspectiva da investigação acadêmica em diálogo permanente e direto com os criadores. Miguel Rubio Zapata mirou a prática e a pesquisa em criação elegendo pontos de contato com a reflexão desde dentro. Os cinco dias de convivência com eles em Porto Alegre permitiram-me testemunhar seus discursos e atitudes para com o teatro. Uma amizade de décadas que tem interseção com o Grupo Cultural Yuyachkani, do qual o diretor e dramaturgo Miguel é cofundador e Ileana, sua interlocutora privilegiada e provocadora nas últimas décadas. Os artistas da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz fizeram a ponte e sobre ela atravessamos a jornada do seminário que friccionou teatro, performance e política. Ileana será traduzida no Brasil, no início de 2011, com Cenários liminares. teatralidade, performance e política (editora UFBA, por Luis Alberto Alonso e Angela Reis). Miguel finaliza um livro de entrevistas e anotações que nortearam sua convivência com mestres da cena latino-americana, como o colombiano Enrique Buanaventura, o uruguaio Atahualpa del Cioppo e Antunes Filho, com quem foi uma espécie de observador participativo de uma oficina do diretor brasileiro num dos encontros da Escuela Internacional de Teatro de America Latina y el Caribe (EITALC). Ileana voou ontem à noite de volta para casa. Na madrugada de hoje, prestes a embarcar também, Miguel circulava no aeroporto carregando nas mãos um chapéu branco elegante, à maneira dos panamás, cujo trançado artesão em material sintético o levou a comprar a fim de experimentar no figurino de uma das atrizes numa das cenas de El último ensaio, no repertório desde 2008, na passagem em que ela interpreta uma diva do canto lírico inspirada na peruana Yma Sumac. Prova de que o espetáculo nunca acaba, contrariando seu caráter efêmero, reinventado a cada sessão com solitude e cumplicidade raras como as acima.

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Seminário do Ói Nóis em Porto Alegre

escrito por vals em 1 de dezembro de 2010 – 12:22 -

Particpo em Porto Alegre do seminário Teatro, performance e política, organizado pela Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo, iniciativa da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz. Partilhamos o tema Ileana Diéguez, pesquisadora do México; Miguel Rubio Zapata, diretor cofundador do Grupo Cultural Yuyachkani, do Peru; a professora e pesquisadora Silvana Garcia, da USP; e a pesquisadora Stela Fischer, de São Paulo, que vem lançar e discorrer sobre seu livro recém-lançado, Processo colaborativo e experiências de companhias teatrais brasileliras (editora Hucitec), um estudo sobre as práticas coletivizadas nas criações de Latão, Lume, Ói Nóis e Vertigem. Minha fala, ontem, aproximou os espetáculos A título personal, do Teatro La Candelaria, 44 anos de atividade em Bogotá, e El último ensaio, do Yuyachkani, prestes a completar 40 anos atuando em Lima. Trabalhos estreados em 2008 e que aproximam-se em pontos formais e de conteúdo, como escrevi em artigo editado ontem pelo Segundo caderno do jornal Zero Hora e disponibilizado na íntegra no blog de artes cênicas do periódico gaúcho, Quarta parede. O encontro marca ainda o lançamento da nona edição da revista Cavalo louco editada pelo Ói Nóis.

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A odisséia antropológica do Teatro de Los Andes

escrito por vals em 14 de setembro de 2010 – 11:10 -

Atores do Grupo Teatro de Los Andes em A odisséia, sobre poema épico de Homero - foto: Divulgação

Precurssor da Antropologia Teatral nos anos 1970, junto ao núcleo artístico Odin Teatret, Eugenio Barba diz que uma das especificidades dessa corrente é dialogar com a tradição cênica e o seu contexto histórico-cultural. O grupo boliviano Teatro de Los Andes faz jus a ela em sua visita ao poema épico de Homero, A odisséia (La odisea, 2008), espetáculo apresentado em Santos no Mirada. A apropriação do poema épico da Grécia Antiga é radical no conteúdo. A dramaturgia e a direção assinadas por César Brie, de ascendência argentina, seguem a narrativa em sua essência e comete fortes intervenções. Põe Ítaca e a voragem de seus pretendentes na ordem do dia. Correlaciona às raízes andinas a resistência de Ulisses e do filho dele com Penélope, Telêmaco, que sai em sua busca. Estabelece analogia da jornada do herói com a condição do imigrante no mundo contemporâneo coalhado por nacionalismo xenófobo. Read more »

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O livro do Teatro Faap

escrito por vals em 12 de setembro de 2010 – 17:32 -

Mira Haar à frente dos alunos de Naum que 'brincavam' de teatro nas instalações da Faap, nos anos 1960; parte deles deu origem ao Pod Minoga Studio (1972-1980) - foto: Analu Prestes/Arquivo Pessoal

Escrevi um livro institucional sobre o Teatro Faap, um dos palcos tradicionais da cidade de São Paulo, localizado no subsolo de um prédio de formas neoclássicas que fica entre os bairros Pacaembu e Higienópolis. Seus 35 anos serão completados em 22 de setembro de 2011, mas comemora-se desde já. Teatro FAAP: a história em cena – 1976-2010 permitiu-me, e também ao jornalista Danilo Vasques, que auxiliou na pesquisa, mergulhar nos acervos públicos do Museu Lasar Segall e do Arquivo Multimeios do Centro Cultural São Paulo, referenciais para as artes cênicas do país. Levantamos cerca de 180 documentos, entre programas, reportagens, críticas e fotos para compor uma cronologia a mais completa possível sobre os espetáculos que passaram pelo endereço da Rua Alagoas, 903. A colaboração da diretora do espaço, Claudia Hamra, foi fundamental nesse caminho. Read more »

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Orelha de Mariangela para livro de Milaré sobre Antunes

escrito por vals em 6 de setembro de 2010 – 1:02 -

Atores Hélio Cícero, Rita Martins, Luis Melo, Lulu Pavarin, Clarissa Drebtchinsky, Eliana César e Flávia Pucci em cena de Os sete gatinhos - paraíso zona norte (1989), um dos espetáculos abordados no livro Hierofania: o teatro segundo Antunes Filho - foto: Gabriel Cabral

O diretor Antunes Filho e o jornalista e crítico Sebastião Milaré se encontram no final da tarde de hoje na programação do Mirada – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos. Eles vêm lançar e conversar sobre Hierofania: o teatro segundo Antunes Filho (Edições Sesc SP, 416 páginas, R$ 85,00). Leia a seguir o texto da crítica Mariangela Alves de Lima, de O Estado de S.Paulo, que ocupa a orelha do livro assinado por Milaré – e sobre o qual escrevi resenha no jornal Valor Econômico.
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Alberto Guzik

escrito por vals em 26 de junho de 2010 – 23:45 -

Conheci Guzik durante entrevistas coletivas, as primeiras de que participei relativas a estreias em São Paulo por volta de 1992, 1993. Mas só fui conversar com ele no Festival de Curitiba de 1994, quando cobria para O Diário de Mogi, de Mogi das Cruzes. Fui mostrar os primeiros textos do Caderno A ao jornalista e crítico do Jornal da Tarde que há uma década substituía Sábato Magaldi no mesmo jornal.

A despeito do vozeirão grave, do jeitão introvertido de quem parecia estar sempre brabo – a imagem de crítico corroborava isso -, ele foi bastante simpático e generoso. Marcamos um almoço no mesmo dia, no extinto restaurante Mostarda, atrás do também extinto hotel Araucária, em frente ao Teatro Guaíra, onde antigamente funcionava o QG do festival.

“Nunca queira ser maior que os deuses do teatro. Eles não perdoam” – foi a frase que guardei para sempre daquela primeira conversa pessoal. Read more »

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Memória dos dias

escrito por vals em 10 de junho de 2010 – 22:58 -

São dias um bocado distantes daqui. Escrevo sobre a memória de um palco de São Paulo prestes a completar 35 anos. Passo os dias entre livros, reportagens de época. Atravesso imagens, textos e cenas narrados ou registrados em fotografias. Imagens em negativos ou slides, programas originais no Arquivo Multimeios, do Centro Cultural São Paulo. Críticas e estreias de espetáculos em jornais amarelecidos na Biblioteca Jenny Klabin Segall, do Museu Lasar Segall. Fragmentos de muitas obras do acervo pessoal de teatro que me espia, no escritório de casa ou na estante da sala. Read more »

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Mungunzá e Baskerville no circo da vida de Aglaja

escrito por vals em 18 de maio de 2010 – 18:32 -

Companhia Mungunzá de Teatro

A atriz Sandra Modesto em Por que a criança cozinha na polenta, direção de Nelson Baskerville para romance homônimo da romena Aglaja Veteranyi, com a Companhia Mungunzá Foto: Gabriel Kassrik


Em setembro de 2009, durante o Festivale, o Festival de Teatro do Vale do Paraíba, em São José dos Campos, escrevi uma crítica sobre Por que a menina cozinha na polenta, um espetáculo da Companhia Mungunzá de Teatro, de São Paulo, adaptado e dirigido pelo ator Nelson Baskerville.

Já assistira à montagem na primeira temporada em São Paulo, meses antes, no Teatro da Memória, e sai perturbado, no bom sentido, pela qualidade da investigação do projeto e por ser apresentado à história de cunho autobiográfico da romena Aglaja Veteranyi, filha de artistas de circo, poeta, professora de artes cênicas imigrante na Suíça e que pôs fim à vida em 2002, um ano depois do romance vir a público.

Retomo a crítica na sessão contracena por conta da nova temporada às terças-feiras no Espaço parlapatões (últimas sessões hoje e dia 25, sempre 21h). Read more »

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Variações sobre Célia Helena

escrito por vals em 13 de maio de 2010 – 8:45 -

Revista Olhares

Imagem do arquivo pessoal da atriz Cleyde Yáconis estampa a capa de Olhares, uma publicação da Escola Superior de Artes Célia Helena >> Reprodução


Prestes a completar 33 anos de atividades, uma das referências na formação de ator em São Paulo, o Célia Helena Teatro-escola recém incorporou a Escola Superior de Artes Célia Helena. No plano editorial, essa transição é representada pelo lançamento de uma revista voltada às artes cênicas.

Olhares chega com o desejo de fomentar o pensamento sobre o teatro, sua história, a produção de seu tempo e, sobretudo, abordar questões relativas à pedagogia do ator, conforme explica a sua editora e diretora artística da instituição, a atriz Lígia Cortez.

A noite de lançamento é nesta quinta-feira, dia 13, na Livraria Cultura. A cada número, Olhares trará um editor convidado. Quem responde pela primeira edição é o professor e pesquisador da USP Luiz Fernando Ramos, crítico da Folha de S.Paulo. A capa estampa Cleyde Yáconis em preto e branco, cujo perfil é assinado pelo ator, dramaturgo e jornalista Oswaldo Mendes, autor de biografias de Plínio Marcos e Ademar Guerra. A atriz de 86 anos dispõe fotos de seu arquivo pessoal, da capa às páginas finais, uma beleza imutável de fazer par à irmã Cacilda Becker. Read more »

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Ode a Reinaldo Maia

escrito por vals em 2 de maio de 2010 – 13:08 -

Convite Teatro reunido, de Reinaldo Maias e Grupo FoliasFaz dez anos que o Galpão do Grupo Folias mantém atividades no bairro de Santa Cecília, sob o Minhocão, na Rua Ana Cintra, região central de São Paulo.

Trata-se de uma rua diminuta, um pequeno beco com saídas, para ilustrar a perseverança desses raros artistas que insistem em temporadas de quinta a domingo, como no atual espetáculo Êxodos – O eclipse da terra.

Isso dá a ideia do lugar que esse coletivo – criado há 13 anos – fala no panorama paulista e brasileiro, suas circunscrições política e estética que jamais se anulam.

Na segunda-feira, 3 de maio, a partir das 21h, o espaço abre as portas para lembrar sua primeira década e lançar Teatro reunido, uma edição independente com peças de Reinaldo Maia, morto em abril de 2009, aos 57 anos. Serão lidos poemas inéditos do dramaturgo. Participam a cantora Cida Moreira e a Banda Hamlet, um time formado por Danilo Grangheia, Flávio Pires, Nina Blauth, Lucienne Guedes, Gabriel Carmona, Juoliana Gontijo, Luaa Gabanini, Luís Mármora, Pedro Felício, Daniel Infantini, Aline Santini, Sato, Anna Turra, Carla Stefan, Eugênio Lima, entre outros.

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Maria Thais e Meierhold

escrito por vals em 18 de abril de 2010 – 20:51 -

Voz de Meierhold no livro de Maria Thais, uma criadora que em tudo persegue polifonia:


“Embora o Teatro-Estúdio não tenha aberto suas portas ao público, desempenhou um papel muito importante na história do teatro russo. Podemos afirmar com toda a certeza que tudo o que mais tarde os nossos teatros de vanguarda introduziram em suas encenações, numa excitação nervosa e com uma pressa extraordinária, foi bebido de uma única fonte. E todos os temas que compunham o fundamento das novas interpretações cênicas eram familiares, conhecidos daqueles que vivenciaram a atmosfera criativa do Teatro-Estúdio.”


Diretora da Companhia Balagan (1999), vinculada historicamente à criação da Escola Livre de Teatro de Santo André, parceira pedagógica de Anatoli Vassiliev em Moscou, professora no Departamento de Artes Cênicas da ECA-USP, à frente de atividades em andamento no Sesi e no Tusp, a baiana e tenaz Maria Thais dá a ver Na cena do Dr. Dapertutto – poética e pedagogia em V. E. Meierhold, 1911 a 1916 (editora Perspectiva, coleção Estudos, 456 páginas, R$ 60,00).


O lançamento é nesta segunda-feira, Dia do Índio, às 18h30, na Loja de Artes da Livraria Cultura, Conjunto Nacional (Avenida Paulista, 2.073, telefone 11 3170-4033).


Uma noite de abará e vodca, assim a autora e nós esperamos.

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