A proliferação do teatro de grupo

escrito por vals em 9 de outubro de 2012 – 10:48 -

(breve artigo originalmente publicado na revista Bravo! deste mês, sob mote dos ‘Fatos mais relevantes da cultura brasileira nos últimos 15 anos’)

O teatro brasileiro viu crescer nos últimos 15 anos os espetáculos criados e produzidos em grupo. Isso evidencia uma admirável disposição dos artistas para a pesquisa permanente de conteúdos e formas de expressão. Em geral, o teatro de grupo possui ambições diferentes daquele com elencos avulsos, arregimentados por um diretor ou produtor, que prioriza o entretenimento convencional e a casa cheia.

Há três décadas coordenando o Centro de Pesquisa Teatral no Sesc-SP, o diretor Antunes Filho figura entre os precursores dessa tendência, que seduz cada vez mais a crítica e o público. Hoje, o fenômeno dos coletivos se espalha não só por São Paulo, onde se destaca o Teatro da Vertigem, mas também por cidades como Rio de Janeiro (Companhia dos Atores), Belo Horizonte (Galpão), Porto Alegre (Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz), Curitiba (Companhia Brasileira de Teatro) e Campinas (Lume). Read more »

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Prêmio Shell (2003-2011)

escrito por vals em 21 de março de 2012 – 10:17 -

Terminou ontem minha participação no júri do Prêmio Shell de Teatro em São Paulo. Foram nove anos de mais angústia no início do que no final da “gestão”.
Na noite de entrega, o momento mais difícil é o intervalo em que a comissão se reúne, cerca de duas horas antes, para definir os vencedores entre os indicados nos primeiro e segundo semestres do ano anterior. Read more »

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O ano Bob Wilson no Brasil

escrito por vals em 19 de março de 2012 – 11:17 -


Vem aí uma sequência de criações de Bob Wilson no país, com passagens confirmadas por São Paulo e Porto Alegre.

De 14 a 20 de abril ele apresenta no Sesc Belenzinho o solo A última gravação de Krapp (2009), atuando como o velho septuagenário de Samuel Beckett a reboboniar seu passado – mesma idade do artista norte-americano. Escrevi aqui quando assisti em Bogotá, em 2010. Read more »

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Fernando Peixoto

escrito por vals em 15 de janeiro de 2012 – 18:41 -

Ele morreu na última madrugada. Fernando Peixoto tinha 74 anos. O ator, diretor, dramaturgo, jornalista, tradutor e historiador de teatro estava internado no hospital São Luiz, em São Paulo, devido a um câncer no intestino.
A Editora Hucitec, com a qual mantinha vínculo e por lá publicou a maioria dos seus livros, informa em nota que o corpo será cremado amanhã, às 11h, em Vila Alpina, em São Paulo. Read more »

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Sérgio Britto

escrito por vals em 17 de dezembro de 2011 – 12:11 -

O ator Sérgio Britto na pele do homem inerte de Samuel Beckett, em 2009

Uma forte lembrança de Sérgio Britto vem de 2009, corpo arqueado, o teatro e a vida inscritos no peito nu do homem desesperado para alcançar uma garrafa d’água no deserto e, quando desiste, o objeto vai até ele, que não mais reage. A inação explícita de Ato sem palavras I, de Samuel Beckett. Na mesma noite, emendava A última gravação de Krapp, o velho rebobinando sua voz nas platitudes juvenis de uma existência que não foi. Mais Beckett. Esse projeto duplo, dirigido por Isabel Cavalcanti, mostrava o tamanho da coragem do artista ao vestir-se da forma e do conteúdo na solidão do palco sem o escudo da fragilidade física dos 85 anos de então. Sérgio Britto morreu esta manhã, no Rio, de insuficiência respiratória aguda. Tinha 88 anos, 66 de convívio teatral com atalhos para a televisão e, mais raramente, o cinema. Abaixo, uma foto de julho de 1961, aos 38 anos, estampando o programa de O beijo no asfalto, de Nelson Rodrigues, a quinta produção do Teatro dos Sete na qual contracenava com Fernanda Montenegro, Ítalo Rossi, Mário Lago, Oswaldo Loureiro e Suely Franco, entre outros, sob direção de Fernando Torres. Ocorre-me ainda lembranças da sua composição para o desmoronamento do caixeiro-viajante James Tyrone em Longa jornada noite adentro, de Eugene O’Neill, em 2003, ao lado de Cleyde Yáconis e com direção de Naum Alves de Souza.


Como o infame repórter rodriguiano no Teatro dos Sete, aos 38 anos

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Porto Alegre em Cena

escrito por vals em 14 de setembro de 2011 – 14:22 -

Atores argentinos dirigidos por Alejandro Catalán em Amar

Estou na capital gaúcha, 18ª edição do festival. Medio os Encontros para o Espectador Crítico, atividade lançada no ano passado. A triangulação presencial criador/crítico/espectador é inspirada em debates com o mesmo espírito daqueles realizados em Buenos Aires, Santiago, Avignon. Abrimos com Amar, do argentino Alejandro Catalán, e Viúvas – performance sobre a ausência, da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz. As conversas seguem até a próxima semana. Leia a programação completa aqui, no botão debates.

Serão 21 dias de evento. Estamos na metade da jornada, testemunhando dias de céu anil e noites de lua cheia para criações de Alain Platel e les ballets c de la b, de Bob Wilson, de Peter Brook, de Emilio García Wehb, de Felipe Hirsch, entre outros, para não falar de shows com Cida Moreira, Estrella Morente, Marianne Faithfull, Philip Glass… Vai até dia 23.

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Eduardo da Luz Moreira

escrito por vals em 29 de agosto de 2011 – 12:22 -

Eduardo Moreira como o médico e idealista Ástrov

O ator Eduardo Moreira tomou o bondinho de Santa Teresa, no centro do Rio, quando voltava sozinho da casa de familiares. Era a paisagem que costumava frequentar em visitava à cidade onde nasceu há 50 anos e passou a infância antes de migrar para Belo Horizonte. No sábado, por volta das 16h, o veículo no qual embarcara descarrilou numa curva. Como se viu e ouviu no noticiário, o acidente matou cinco passageiros e deixou outros 53 feridos, entre eles o fundador do Grupo Galpão. Read more »

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Representação brasileira premiada em Praga

escrito por vals em 21 de junho de 2011 – 2:22 -

Cena do espetáculo do Teatro da Vertigem destacado em Praga

O Brasil recebeu nesta segunda-feira, 20, a Triga de Ouro, a distinção mais importante da Quadrienal de Praga: Espaço e Design Cênico, a PQ11, que se estende até dia 26 na capital da República Tcheca. É a segunda vez que o país é premiado como a melhor representação. A primeira foi em 1995. A Triga de Ouro é uma estatueta que simboliza uma carruagem romana puxada por três cavalos.
Realizada a cada quatro anos no país do leste europeu, a PQ constitui evento internacional de proa em sua área. Reúne trabalhos contemporâneos numa variedade de disciplinas e gêneros do design da performance. São figurinos, palco, espaços não-convencionais, iluminação, sonoplastia, e arquitetura teatral para dança, ópera, teatro, site specific, performances multimidiáticas, artes performáticas, etc. Read more »

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Aimar Labaki busca montagens sobre cultura judaica

escrito por vals em 9 de junho de 2011 – 10:59 -

Priscilla Herrerias em Réquiem, premiada em 2007

O dramaturgo Aimar Labaki é curador da terceira edição do Concurso de Montagens Teatrais do Centro da Cultura Judaica, em São Paulo, com inscrições até 25 de julho. A iniciativa destinada a criadores do Estado pode contemplar até três projetos, cada um com R$ 36 mil. Os temas devem ser relacionados direta ou indiretamente à cultura judaica. O público alvo não importa: adulto, juvenil ou infantil. O formato do lugar, tampouco: sala, rua ou espaço alternativo. Read more »

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“Jornal Nacional” ignora José Renato

escrito por vals em 2 de maio de 2011 – 22:08 -

Zé Renato testemunhou primeiros passos de gerações de artistas

Milton Gonçalves, Dina Sfat, Paulo José, Eva Wilma, Oduvaldo Vianna Filho, Flávio Migliaccio, Juca de Oliveira, Lélia Abramo, Lima Duarte… Quantos seriam precisos para convencer a pauta do telejornal de emissora aberta mais popular do Brasil ceder alguns dos seus frames para informar a morte do diretor e cofundador do Teatro de Arena, há 58 anos, berço de formação dos artistas que depois construíram o imaginário da telenovela brasileira? Não digo homenagear, informar. Read more »

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José Renato

escrito por vals em 2 de maio de 2011 – 11:49 -

Zé Renato e Zé Fernando no Congresso Brasileiro de Teatro

O ator, dramaturgo e biógrafo Oswaldo Mendes, do núcleo Arte Ciência no Palco, escreveu há pouco para dizer que José Renato Pécora morreu no início da madrugada desta segunda-feira, 2 de maio, em São Paulo. Ele sofreu enfarte. Tinha 85 anos.
“Terminada a sessão de ontem de 12 homens e uma sentença, ele foi jantar como de hábito no Planetas [restaurante frequentado pela classe teatral no bairro Bela Vista] e de lá uma amiga o levou ao Terminal do Tietê, onde ele pegaria o ônibus da meia-noite para o Rio. Ela o deixou na área de acesso ao terminal e, horas depois, recebeu ligação da enfermeira do Pronto Socorro de Santana, na Voluntários da Pátria, que localizou seu telefone no celular do próprio Zé Renato, comunicando a sua morte”, descreve Mendes, também jornalista. Read more »

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Para Antônio Araújo, Ostermeier traz Ibsen ao século XXI

escrito por vals em 20 de abril de 2011 – 11:23 -

Cena de Os espectros, direção de Ostermeier que Araújo comenta

Recém-concluído o período de workshops para o novo espetáculo do Teatro da Vertigem, que investiga o universo multicultural do bairro do Bom Retiro, em São Paulo – o escritor Joca Reiner Terron se debruça sobre uma primeira versão da dramaturgia até junho -, o diretor Antônio Araújo passa este abril e parte de maio na Universidade de Amsterdã, onde ministra um curso de oito semanas sobre Performance Urbana num programa de mestrado internacional. Ele aproveita a estada na capital holandesa para ir ao teatro. No último final de semana, foi ao espaço do Toneelgroep Amsterdam para conferir o terceiro Ibsen por Ostermeier em seu currículo de espectador. Os espectros, em cartaz até o final deste mês, vem somar-se à memória de Nora (2002), a versão do diretor alemão para Casa de Bonecas, e de Hedda Gabler (2005). Read more »

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Ney Piacentini vence pela quarta vez na Cooperativa Paulista

escrito por vals em 29 de março de 2011 – 15:26 -

Ney Piacentini durante fala no púlpito do Congresso Nacional de Teatro

A habilidade política de Ney Piacentini no manejo do Congresso Brasileiro de Teatro, culminado por ato prestigiado em peso pelo MinC, na tarde de domingo passado, foi embalada pela sua recondução, pela quarta vez consecutiva, à presidência da Cooperativa Paulista de Teatro (CPT). Um poder exercido desde 2005 por esse ator paranaense de Campo Mourão, com passagens por Florianópolis e radicado em São Paulo, cofundador da Companhia do Latão nos anos 1990, sujeito bem-humorado e conhecido nos bastidores pelo pavio curto quando confrontado. Read more »

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Geraldo Vandré e Chico de Assis

escrito por vals em 21 de março de 2011 – 12:07 -

A capa do livro-reportagem de Jeane Vidal

No final de 2007, participei da banca do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Jeane Vidal, no Jornalismo da Universidade Cruzeiro do Sul em São Miguel, São Paulo. O livro-reportagem Vandré – tempo de repouso é fruto de um raro encontro presencial e de conversas por telefone da Jeane com o recluso Geraldo Vandré, o compositor de canções de protesto nos anos 1960. Read more »

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Teatro em trânsito

escrito por vals em 20 de março de 2011 – 12:59 -

Luiz Carlos Vasconelos, pilotando

Em João Pessoa, sexta-feira passada, para assistir ao ensaio aberto de Retábulo, novo espetáculo do Piollin Grupo de Teatro (1977), deparei com folhetos em que o ator Luiz Carlos Vasconcelos, seu diretor, e outro artista expressivo da cena paraibana, o também diretor e ator Fernando Teixeira, protagonista de Esparrela (2009) e fundador do Grupo Bigorna de Teatro (1968), figuram como garotos-propaganda da campanha de conscientização da prefeitura por respeito à faixa de pedestre. Curioso ver os criadores nesse papel. Read more »

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Lélia

escrito por vals em 8 de fevereiro de 2011 – 11:06 -

Lélia Abramo (1911-2004)

A atriz Lèlila Abramo (1911-2004) foi dirigida no teatro por Zé Renato, Boal, Antunes, João das Neves, Walmor Chagas, entre outros - foto: Divulgação

Ela é a mais “policarpesca” das nossas atrizes, ouvi certa vez de Paulo José. Lélia Abramo completaria 100 anos hoje. Morreu em 2004, aos 93.  Pautou-se pela coerência radical nas lutas pela arte e pela cidadania. Era tida como “chata” por não ceder nas ideias e nas ações. Quer em tempos de guerra quer sob ditadura. Estava na Italia em plena Segunda Guerra Mundial. Sentiu na pele a invasão nazista. Em dezembro de 1944, em Roma, como não bastassem as agruras da época, atravessou uma experiência pessoal traumática: uma malsucedida cirurgia extirpou-lhe o ovário direito, o sadio, em vez do esquerdo, pondo fim à esperança de ter filhos. (No palco, não lhes faltaram figuras maternas, fértis ou não, em Lorca, Brecht, Górki, Ésquilo, Ibsen, Guarnieri…). Talvez tenha sido uma das razões pela qual sublimou tanto a luta dos artistas pela organização sindical, a resistência política ao regime militar no Brasil, o direito à criação do Partido dos Trabalhadores em contraste com o machismo reinante entre os metalúrgicos, Lula à frente, cuja maioria fazia ouvidos moucos à mulher e à atriz naquele ambiente de pré-abertura e redemocratização. Read more »

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Bate papo em sessão especial de Marcha para Zenturo

escrito por vals em 1 de fevereiro de 2011 – 13:55 -

Flyer da sessão especiald de Marcha para Zenturo

A sessão de Marcha para Zenturo na próxima sexta-feira, 4, no Centro Cultural São Paulo, será seguida de bate papo que mediarei com os cocriadores dos grupos XIX e Espanca! A iniciativa faz parte do Programa Cultural Vivo EnCena, que convida a classe artística, orientadores e estudantes de artes cênicas para sessão especial do espetáculo. Aos interessados, reservar ingresso gratuito pelo telefone 11 7420-1278, de terça a sexta-feira, das 14h às 18h. Read more »

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APCA 2010, em tempo

escrito por vals em 23 de dezembro de 2010 – 18:25 -

Registro os vencedores em teatro adulto e teatro infantil na reunião deste ano da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA). A festa de entrega do prêmio que existe há 54 anos deve acontecer em março de 2011 no Teatro Paulo Autran – Sesc Pinheiros, em São Paulo.


Teatro adulto


Grande prêmio da crítica:

Antunes Filho, pela inestimável contribuição ao teatro brasileiro


Espetáculo:
12 homens e uma sentença, direção de Eduardo Tolentino, com o Grupo Tapa


Diretor:

Rodolfo García Vázquez, com a Companhia de Teatro Os Satyros, por Roberto Zucco

Autor:

Samir Yazbek, por As folhas do cedro


Ator:

Danilo Grangheia, por Êxodos, o eclipse da terra


Atriz:

Bel Kovarick, por Dueto para um, direção de Mika Lins

Prêmio especial:

O idiota, direção de Cibele Forjaz, com a mundana companhia, pela realização do projeto


Votaram:
Afonso Gentil, Erika Riedel, Evaristo Martins de Azevedo, Jefferson del Rios, Luiz Fernando Ramos, Mauro Fernando, Maria Lúcia Candeias, Michel Fernandes e Vinício Angelici


Teatro infantil


Espetáculo infantil:

Circo de pulgas, direção de Teka Queiroz, com a Companhia Circo de Bonecos


Espetáculo jovem:
Música para cortar os pulsos, direção de Rafael Gomes, com o Empório de Teatro Sortido


Direção:

Espoleta, de Marcelo Romagnoli, com a Banda Mirim


Adaptação:

A mulher que matou os peixes e outros bichos, por Isabel Muniz, direção de Cristina Moura


Elenco:

O bobo do rei, direção de Angelo Brandini, com a Companhia Vagalum Tum Tum (Davi Taiu, Tereza Gontijo, Anderson Spada, Val Pires e Erickson Almeida)


Direção de arte:

Quem tem medo de curupira?, por Duda Arruk, direção de Débora Dubois e autoria de Zeca Baleiro


Figurinos:

O soldadinho e a bailarina, Gabriel Villela, também diretor


Votaram:
Dib Carneiro Neto, Gabriela Mancini e Gabriela Romeu

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Petrobas inscreve 201 grupos e seleciona sete

escrito por vals em 21 de dezembro de 2010 – 12:13 -

Cena de Nas rodas do coração, exemplo do projeto ônibus-palco com o qual As Graças percorrerá 12 Estados em nova peça - foto: João Caldas

O Programa Petrobras Cultural é dos mais ambicionados por grupos e companhias desejosos de assegurar sua manutenção, ao menos no médio prazo. O biênio 2011/2012 está garantido para sete dos 201 projetos inscritos neste segmento, conforme resultado divulgado no último dia 17. Eles foram contemplados para faixas anuais de R$ 100 mil, R$ 200 mil ou R$ 400 mil.

Integram o septeto: Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz (RS), Grupo Sobrevento (SP), Companhia As Graças (SP), Companhia do Feijão (SP), Grupo Baçaceira de Teatro (CE), Grupo Artes/Eventos Multimédia (MG) e Companhia dos Atores (RJ).

O site da estatal detalha o resultado e disponibiliza gráficos com as estatísticas desta edição. Também é possível conhecer os integrantes da comissão de seleção. Abaixo, relacionamos tudo que diz respeito a teatro entre as 16 áreas que dividiram a verba global de R$ 52,9 milhões – 3.446 projetos de todo o país e 149 eleitos.
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O território expandido do Oficina

escrito por vals em 17 de dezembro de 2010 – 15:23 -

Tenda erguida no terreno vizinho ao Teatro Oficina, em São Paulo, para receber as peças do projeto Dionisíacas - foto: Cassandra Mello

Em mais de uma década acompanhando as disputas territorial, cultural, ambiental e financeira do Teatro Oficina com o Grupo Silvio Santos, um dos momentos mais críticos foi quando vi a demolição a marretadas da pequena sinagoga dos imigrantes judeus erguida em 1929 na Rua da Abolição, uma das esquinas do quarteirão do Bixiga onde fica o estacionamento que teve as atividades suspensas para receber o repertório Dionisíacas de hoje a segunda-feira. Era 2005 e aquele despautério da memória de uma cidade indicava que o tão ameaçador empreendimento sairia brevemente do papel – shopping ou conjunto residencial, falou-se. Read more »

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MinC atrasa pagamento a contemplados em editais e bolsas

escrito por vals em 7 de dezembro de 2010 – 17:45 -

Cerca de 300 projetos selecionados entre agosto e setembro por meio de editais e bolsas do Ministério da Cultura (MinC) ainda não receberam suas respectivas parcelas. Os proponentes são artistas das áreas de teatro, dança, circo, teatro de rua, circulação de espetáculos, periódicos de cultura, multimídia, pontos de cultura, etc. Os resultados foram anunciados no Diário Oficial e no site do MinC. Além de não repassar a verba às categorias escolhidas, não foram divulgados os suplementes e tampouco liberados os recursos suplementares prometidos, conforme relata a Companhia do Feijão, sediada em São Paulo.

“Também não foi divulgado o edital de manutenção de grupos e companhias do Fundo Setorial de Artes Cênicas. Já estamos no fim do ano, os artistas e grupos estão pressionando a Funarte, o Minc, mas nada adianta. A Funarte alega que já não pdoe fazer nada e que o problema está no Ministério de Cultura”, afirma a atriz Fernanda Haucke, integrante da Companhia do Feijão.

Em nota conjunta anunciada hoje e focada nos pontos de cultura contemplados, o secretário-executivo do MinC, Alfredo Manevy, e o secretário de cidadania cultural, TT Catalão, afirmam: “Os vencedores dos editais têm o direito de receber os recursos. Infelizmente, decorrente da legislação eleitoral e do atual contingenciamento, estamos vivendo atrasos no pagamento (…). Mas os pagamentos serão normalizados ainda em dezembro, conforme informações que já recebemos dos ministérios da área econômica”.

Desde 2003, o MinC lançou cerca de 250 editais públicos. “Em todos estes anos, o MinC sempre cumpriu e honrou compromissos assumidos. Por isso, solicitamos a compreensão e solidariedade de todos (solidariedade, aliás, que sempre tivemos e contamos) neste esforço de fim de ano, onde toda a equipe do Ministério da Cultura estará dedicada a normalizar a situação de prêmios, editais, seleções”, continua a justificativa oficial.

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Ileana e Miguel

escrito por vals em 4 de dezembro de 2010 – 16:36 -

Ileana Diéguez, pesquisadora da Universidad Autónoma Metropolitana, no México, que esteve em Porto Alegre - foto: UAM/Divulgação


Miguel Rubio Zapata, diretor e dramaturgo cofundador do Grupo Cultural Yuyachkani, do Peru - foto: Diego Rojas

Ela nasceu em Cuba e vive no México. Ele, nasceu e vive no Peru. Iliena Diéguez trilhou as artes cênicas pela perspectiva da investigação acadêmica em diálogo permanente e direto com os criadores. Miguel Rubio Zapata mirou a prática e a pesquisa em criação elegendo pontos de contato com a reflexão desde dentro. Os cinco dias de convivência com eles em Porto Alegre permitiram-me testemunhar seus discursos e atitudes para com o teatro. Uma amizade de décadas que tem interseção com o Grupo Cultural Yuyachkani, do qual o diretor e dramaturgo Miguel é cofundador e Ileana, sua interlocutora privilegiada e provocadora nas últimas décadas. Os artistas da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz fizeram a ponte e sobre ela atravessamos a jornada do seminário que friccionou teatro, performance e política. Ileana será traduzida no Brasil, no início de 2011, com Cenários liminares. teatralidade, performance e política (editora UFBA, por Luis Alberto Alonso e Angela Reis). Miguel finaliza um livro de entrevistas e anotações que nortearam sua convivência com mestres da cena latino-americana, como o colombiano Enrique Buanaventura, o uruguaio Atahualpa del Cioppo e Antunes Filho, com quem foi uma espécie de observador participativo de uma oficina do diretor brasileiro num dos encontros da Escuela Internacional de Teatro de America Latina y el Caribe (EITALC). Ileana voou ontem à noite de volta para casa. Na madrugada de hoje, prestes a embarcar também, Miguel circulava no aeroporto carregando nas mãos um chapéu branco elegante, à maneira dos panamás, cujo trançado artesão em material sintético o levou a comprar a fim de experimentar no figurino de uma das atrizes numa das cenas de El último ensaio, no repertório desde 2008, na passagem em que ela interpreta uma diva do canto lírico inspirada na peruana Yma Sumac. Prova de que o espetáculo nunca acaba, contrariando seu caráter efêmero, reinventado a cada sessão com solitude e cumplicidade raras como as acima.

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Seminário do Ói Nóis em Porto Alegre

escrito por vals em 1 de dezembro de 2010 – 12:22 -

Particpo em Porto Alegre do seminário Teatro, performance e política, organizado pela Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo, iniciativa da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz. Partilhamos o tema Ileana Diéguez, pesquisadora do México; Miguel Rubio Zapata, diretor cofundador do Grupo Cultural Yuyachkani, do Peru; a professora e pesquisadora Silvana Garcia, da USP; e a pesquisadora Stela Fischer, de São Paulo, que vem lançar e discorrer sobre seu livro recém-lançado, Processo colaborativo e experiências de companhias teatrais brasileliras (editora Hucitec), um estudo sobre as práticas coletivizadas nas criações de Latão, Lume, Ói Nóis e Vertigem. Minha fala, ontem, aproximou os espetáculos A título personal, do Teatro La Candelaria, 44 anos de atividade em Bogotá, e El último ensaio, do Yuyachkani, prestes a completar 40 anos atuando em Lima. Trabalhos estreados em 2008 e que aproximam-se em pontos formais e de conteúdo, como escrevi em artigo editado ontem pelo Segundo caderno do jornal Zero Hora e disponibilizado na íntegra no blog de artes cênicas do periódico gaúcho, Quarta parede. O encontro marca ainda o lançamento da nona edição da revista Cavalo louco editada pelo Ói Nóis.

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Amores alados, dores terrenas

escrito por vals em 19 de novembro de 2010 – 14:12 -

Priscilla Carvalho e Leonardo Ventura atuam na peça O primeiro dia depois de tudo, texto e direção de Leo Lama - foto: Heloísa Bortz

Se escrever, não dirija. Os dramaturgos dão de ombros para isso. Samir Yazbek, Mário Bortolotto, Claudia Schapira, Roberto Alvim e Newton Moreno, entre outros, estão cada vez mais apossados da cena. Também. Em sua produção sazonal e de soslaio, Leo Lama se assume espirituoso na busca pelo que se deduz uma reza, um mantra sobre os conflitos de que são feitos o teatro e a vida. Particularmente quando a dois, como no microcosmo da experiência mais recente, O primeiro dia depois de tudo. A peça de 20 anos atrás ganhou um novo tratamento sobre a enésima história de amor. Tornar a palavra imagem é que são elas. Read more »

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Petronio Nascimento, Companhia do Feijão

escrito por vals em 29 de setembro de 2010 – 18:32 -

Petronio Nascimento na roda de Reis de fumaça, de 2004, na Companhia do Feijão

A última vez que o vi foi em maio, na Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo. Ele estava na plateia do Centro Cultural São Paulo para assistir ao espetáculo do grupo angolano que a Companhia do Feijão conheceu em Luanda (Hotel Komarca, com Companhia Henrique Artes). Deixa uma bela história com o teatro, como contou Estêvão Bertoni na Folha de hoje: Read more »

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Antifesta

escrito por vals em 11 de setembro de 2010 – 19:55 -

O sexteto no autocrítico Fiesta, espetáculo do Chile criado em colaboração com a diretora Trinidad González - foto: Daniel Olivares

Um saco plástico vazio vaga pelo espaço cênico na mão de um ator. O movimento lento é finalizado ao estatelar o rosto de uma atriz. Fiesta, o espetáculo representante do Chile no Mirada, é sobre o sufoco da boca para fora. Destina ao texto dramático um papel diminuto para falar do excesso com que tanto se recorre às palavras, nas interrelações presenciais e virtuais, para não dizer nada. O ocaso. A direção de Trinidad González, em criação colaborativa com os atores, apóia-se na estridência gestual, nos grunhidos vocais para gritar a urgência com que deseja chamar a atenção para a sociedade chilena e global dos dias que correm – a peça estreou em Santiago em 2009 despertando autocrítica. Read more »

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Cosmogonia peruana

escrito por vals em 7 de setembro de 2010 – 13:15 -

A vitrine que aborda o homem andino em Hecho en el Perú, do Grupo Cultural Yuyachkani - foto: Diana Taylor

Aos 40 anos, a serem completados em 2011, o Grupo Cultural Yuyachkani prima por desbravar novos suportes e formas nutrindo-se de sua memória, ou seja, do próprio eixo constitutivo de sua linguagem e de sua convicção ideológica que o distingue profundamente na paisagem teatral da América do Sul. Assistir aos seus espetáculos é, a um só tempo, percorrer a biografia do núcleo e do país. Os seis nichos da instalação Hecho en Perú – vitrinas para un museo de la memória alinham a certidão de nascimento aos sulcos da palma das mãos nas quais se lê os calos do passado e se espreita o futuro. Read more »

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Colhões e o coração

escrito por vals em 4 de setembro de 2010 – 17:28 -

O ator Roberto Álamo, carregado, protagoniza Urtaín, espetáculo da Compañía de Teatro Animalario, fundada em Madri em 1996 - foto: Divulgação

A Compañía de Teatro Animalario traz para o Mirada, em última sessão hoje, um espetáculo que toca o coração e o colhão de um país, sua Espanha natal. Urtaín centra na vida do boxeador-título ovacionado e nocauteado pelo mesmo sistema que se nutriu de sua fama enquanto ela durou, os anos 1960 e 1970 sob ditadura franquista. O resultado é acachapante, um adjetivo suspeitoso, mas pertinente ao conjunto da obra: a dramaturgia densa de Juan Cavestany, cujo embrião foi um roteiro cinematográfico do próprio, a encenação inventiva de Andrés Lima e as atuações precisas, a começar por Roberto Álamo, o dínamo no centro do ringue, um cenário realista para tantos golpes verbais, físicos, ideológicos, hipócritas, bregas, passionais, humorados e doloridos. Uma autocrítica impiedosa do país da corrida de touros e do apelo às vezes artificioso do flamenco.

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Colhões e a voz

escrito por vals em 4 de setembro de 2010 – 15:19 -

Javier Medina (dir.) em De monstruos y prodigios: la historia de los castrati, montagem do mexicano Teatro de Ciertos Habitantes - foto: Divulgação

Não é pouca a ambição dos mexicanos do grupo Teatro de Ciertos Habitantes em De monstruos y prodígios: la historia de los castrati. O espetáculo de abertura do Mirada – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos toma o fenômeno da castração de meninos imberbes na Europa do século XVI, sob o álibi da excelência no canto soprano, e costura-o por cerca de 250 anos num painel histórico, social, político e cultural que antepõe o erudito e o popular, barbárie e civilização, ciência e religião, razão e emoção, França dominadora e Itália insurgente. O dualismo é pano de fundo na direção de Claudio Valdés Kuri, que valoriza o espírito e o materialismo barrocos traduzindo-os na acumulação de gêneros e linguagens (o melodrama, a farsa, o grotesco, a ópera, o teatro de animação) e na desmesura da arena que forra o palco de areia e, em duas passagens, é ocupada pelos galopes de um cavalo branco. Read more »

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Alberto Guzik

escrito por vals em 26 de junho de 2010 – 23:45 -

Conheci Guzik durante entrevistas coletivas, as primeiras de que participei relativas a estreias em São Paulo por volta de 1992, 1993. Mas só fui conversar com ele no Festival de Curitiba de 1994, quando cobria para O Diário de Mogi, de Mogi das Cruzes. Fui mostrar os primeiros textos do Caderno A ao jornalista e crítico do Jornal da Tarde que há uma década substituía Sábato Magaldi no mesmo jornal.

A despeito do vozeirão grave, do jeitão introvertido de quem parecia estar sempre brabo – a imagem de crítico corroborava isso -, ele foi bastante simpático e generoso. Marcamos um almoço no mesmo dia, no extinto restaurante Mostarda, atrás do também extinto hotel Araucária, em frente ao Teatro Guaíra, onde antigamente funcionava o QG do festival.

“Nunca queira ser maior que os deuses do teatro. Eles não perdoam” – foi a frase que guardei para sempre daquela primeira conversa pessoal. Read more »

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