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	<description>por Valmir Santos</description>
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		<title>Bogotá &#8211; Peeping Tom</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Apr 2012 18:00:57 +0000</pubDate>
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A companhia foi criada em 2000 e seu quarto espetáculo, 32 rue Vandenbranden (2009), talvez seja o que melhor traduza filosófica e cenicamente o seu nome: Peeping Tom.  Segundo a lenda britânica de Lady Godiva, do século XXI, a mulher do administrador de uma cidade pedia a ele para baixar os impostos dos camponeses [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://teatrojornal.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/04/32rue-31.jpg"><img src="http://teatrojornal.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/04/32rue-31-300x200.jpg" alt="" title="O sul-coreano Hun-Mok Jung - Herman Sorgeloos" width="300" height="200" class="aligncenter size-medium wp-image-4983" /></a><br />
</br>A companhia foi criada em 2000 e seu quarto espetáculo, <em>32 rue Vandenbranden</em> (2009), talvez seja o que melhor traduza filosófica e cenicamente o seu nome: Peeping Tom.  Segundo a lenda britânica de Lady Godiva, do século XXI, a mulher do administrador de uma cidade pedia a ele para baixar os impostos dos camponeses e o marido só o fez sob a seguinte condição: se desfilasse nua sobre um cavalo. Abraçada à causa, lá foi ela. Calhou de Peeping Tom ser o único par de olhos masculino a mirar aquele corpo, ainda que sob as frestas de uma janela, e por isso perdeu a visão. A condição de voyeur é trabalhada no palco sem o automático enquadramento temático e formal do cinema, mas fazendo uso dessa linguagem em sua transcendência pelas imagens, pela atmosfera etérea, conduzindo o espectador a uma viagem original em procedimentos da dança e do teatro rumo à ascese.<span id="more-4979"></span><br />
</br>O roteiro de ações físicas é inspirado no filme japonês <em>A balada de Naraiama</em> (1983), de Shohei Imamura, aquele de imagens dilacerantes, como a do filho carregando a mãe nas costas, abraçados pelo vento, subindo a montanha para pousá-la no cume até a morte, como reza a tradição local de que todo septuagenário deve ter igual destino. No mesmo vilarejo do final do século XIX, pais costumavam vender bebês para sobreviver. Essas misérias material e espiritual não aportam literais no palco. Antes, são essencialidades que tornam o espetáculo um fabuloso poema visual escrito no e com o corpo e o espaço cenográfico. A música também é celebrada à altura, com instantes como a suíte <em>O pássaro de fogo</em>, de Stravinski, e a canção <em>Shine on you crazy diamond</em>, da banda Pink Floyd.</p>
<p></br><a href="http://teatrojornal.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/04/32rue-5.jpg"><img src="http://teatrojornal.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/04/32rue-5-300x198.jpg" alt="" title="A belga Marie Gyselbrecht - Herman Sorgeloos" width="300" height="198" class="size-medium wp-image-4994" /></a></p>
<p></br>Pode haver melodia e letra mais clichês para apoiar um movimento em dança ou uma cena no teatro, em 2012, do que um hit da banda inglesa de rock progressivo explorada em muitas criações? Pois na sequência em que a soprano Eurudike De Beul canta, o ouvido, o coração e o olhar do espectador convergem para o sentimento de abandono que toma conta dos seis moradores das casas adaptadas em trailer ou contêiner na encosta de uma montanha, uma paisagem de nuvens escurecidas em que o chão e os tetos estão forrados de neve. É do alto de uma dessas moradias que Eurudike posiciona-se, pairando sua voz, como se dos céus, sobre a cabeça de homens e mulheres quem brincam feito crianças ou digladiam como se estivessem numa arena de feras.<br />
</br>A concepção dos diretores Gabriela Carrizo e Franck Chartier valoriza a gestualidade existencial tragicômica para uma narrativa convencional: forasteiros chegam a uma comunidade de códigos cerrados e contaminam seus habitantes da mesma forma que são contaminados por solidões, medos, violências, desconfianças, paixões, recalques e alguma solidariedade difusa. À noção fluída de coreografia na qual a virtuose dos solos não os isola, a obra avança também para uma dramaturgia de subtextos, assinada pela dupla Nico Leunen e Hildegard de Vuyst. A sobreposição de imagens de fundo e de primeiro plano concede ao público autonomia em sua percepção da narrativa.<br />
</br><a href="http://teatrojornal.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/04/32rue-1.jpg"><img src="http://teatrojornal.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/04/32rue-1-300x200.jpg" alt="" title="O sul-coreano Seoljin Kim - Herman Sorgeloos" width="300" height="200" class="aligncenter size-medium wp-image-4985" /></a></p>
<p></br>Há um componente sensorial no ato de observar as cenas de corpos em contínua transmutação para traduzir diálogos silenciosos, conflitos passionais, invejas de vizinhança, rasgos emocionais, o amor de perdição. O talento do núcleo de dançarinos e atores-criadores desenha essas figuras flutuantes e pesadas com recursos que suscitam a linguagem do circo (contorcionismo, ilusionismo) ou da dança butô japonesa no lirismo e na treva.<br />
</br>O tipo físico dos artistas reflete suas nacionalidades: Jos Baker é britânico; Seoljin Kim e Hun-Mok Jung, sul-coreanos; Sabine Molenaar, holandesa; Marie Gyselbrecht e a cantora Eurudike De Beul, belgas. Os diretores Gabriela e Chartier também são de nacionalidades distintas: ela é argentina e ele, francês. Todos radicados na Bélgica, país fértil em trabalhos referencias nas artes cênicas do mundo (Needcompany, Rosas, les ballet C de la B, Ultima Vez, etc). Boa parte desses criadores integrou algumas dessas companhias. Curiosamente, a dançarina brasileira Maria Carolina Vieira, ex-integrante do grupo catarinense Cena 11, passou por audição da Peeping Tom em fevereiro e agora compõe o elenco do espetáculo em revezamento com Sabine, que dançou em Bogotá. Tendo estreado seu quinto espetáculo no ano passado, <em>A louer</em> (para alugar), a companhia permanece inédita no Brasil, uma pena.<br />
</br>Um dos trunfos da Peeping Tom é expressar fortemente o rosto dos seus corpos, rosto ao ar livre ou emoldurado pelas janelas e luzes interiores das casas, humanizando a técnica não como fim em si mesma, mas ponte para uma fábula de alcance universal e em nada facilitadora, a constatar a complexidade/perplexidade dos seres em jogo. E na vida: o espetáculo é dedicado à dançarina, atriz e poeta Maria Otal (1927-2009), que colaborou com a criação e morreu dez dias antes da estreia. Atuar é sempre uma cerimônia de adeus.</p>
<p></br><a href="http://teatrojornal.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/04/32rue-41.jpg"><img src="http://teatrojornal.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/04/32rue-41-300x199.jpg" alt="" title="O britânico Jos Baker - Herman Sorgeloos" width="300" height="199" class="aligncenter size-medium wp-image-4984" /></a></p>
<p></br><a href="http://vodpod.com/watch/3174067-peeping-tom-32-rue-vandenbranden-2010">>> Trechos de 32 rue vandenbranden</a></p>
<p></br><a href="http://www.peepingtom.be/en">>> O site da companhia Peeping Tom</a></p>
<p></br>>> O jornalista viajou a convite da organização do festival e do Instituto Distrital de Turismo de Bogotá.</p>
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		<title>Bogotá &#8211; Teatro Varasanta</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Apr 2012 17:53:13 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://teatrojornal.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/04/latempestad.jpg"><img src="http://teatrojornal.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/04/latempestad-300x200.jpg" alt="" title="La tempestad, do Teatro Varasanta - Divulgação" width="300" height="200" class="size-medium wp-image-4943" /></a><br />
</br>Após banhar-se do tema do bicentenário da independência colombiana em <em>Fragmentos de libertad – 200 anos</em> (2010), o Teatro Varasanta &#8211; Centro para la Transformación del Actor persevera pensar o seu país em cena com perspectiva histórica. Agora, é Shakespeare quem lhe dá as senhas em <em>La tempestad</em>, sob as mãos do diretor polonês convidado Piotr Borowski (do Studium Teatralne, de Varsóvia), discípulo do compatriota Jerzy Grotowski.<span id="more-4942"></span><br />
</br>O grupo fundado em 1994, entre outros, pelo ator e diretor Fernando Montes toma o drama elisabetano, adaptado por Borowski, para refletir sobre perdão e esquecimento à luz da sociedade colombiana contemporânea. O desfecho no qual os personagens estão reconciliados com seus ideais e lugares, perdas e danos, passada a tormenta furiosa, é o que parece nortear a leitura do Varasanta. Ao trauma coletivo da violência é preciso responder com um arranjo igualmente conjunto das partes envolvidas.<br />
</br>Não se trata de uma visão romântica da paz para uma realidade fraturada na vida comum dos seus cidadãos, de certo modo ilhados dentro da própria casa. A alegoria encenada assume o conflito como motor autocrítico a partir da consciência de Próspero (por Montes), o soberano de poderes mágicos que leva a mão à consciência e recua após vingar-se dos inimigos e traiçoeiros que o destronaram do título de duque. Ele provoca o naufrágio do navio em que viajam, obrigando-os – ou as leis da natureza – a aportar no território onde se exilou.<br />
</br>A concepção cênica evita sublinhar as ações e aventuras do drama e concentra-se na moralidade por trás de cada indivíduo, o espaço íntimo das relações que determinam as posturas públicas. O acercamento dos tempos atuais implica figurinos urbanos, tailleurs e ternos que tiram a camada corporal que costuma ser enfática nas obras do Varasanta. Próspero vestindo traje social ou convalescendo num leito hospitalar permitem leituras caras aos conflitos sociais e políticos da Colômbia. Uma mesa de bilhar que avança em outro momento ilustra o que está em jogo.<br />
</br>Cabe à sedução de Miranda e à leveza alada de Ariel os encantamentos da ordem do anima e da arte. São esses instantes que religam o projeto à simbologia ritual do grupo que dedicada boa parte de sua investigação teatral ao campo da antropologia.<br />
</br>O espaço multiuso de sua sede é apropriado de modo essencial pelo encenador Borowski, corresponsável pela cenografia. O vazio é valorizado como o vento vital ou destruidor. As intervenções visuais mais evidentes surgem no painel de fundo, ao sabor dos desenhos abstratos e da variação de luz.<br />
</br>A intromissão do real na parte derradeira de <em>La tempestad</em>, quando uma jornalista e uma camponesa pisam o espaço cênico para relatar suas dores reais, vítimas da repressão, é um gesto abrupto e digno desses artistas. A coragem de abrir uma janela para o documento trazido pelo outro em meio às exigências da verticalização da pesquisa na qual um coletivo pode se converter numa bolha.<br />
</br>Em sua segunda sessão na semana de estreia, a coprodução do Festival Iberoamericano de Teatro de Bogotá ainda se aproximava do esboço. Nâo estava pronta. Evidenciava a fragilidade na combinação desses encontros com a estética do diretor polonês, com o corpo &#8220;encoberto&#8221;, com as vozes do real incorporadas. Os dados estão todos reconhecíveis na cena, resta equalizá-los em termos de dramaturgia e atuação. É no ator que está o ponto xis. A experiência a que assistimos pressupõe registro dramático em silêncios e diálogos enquanto o corpo apenas sussurra para deixar vir outros canais de expressão ora em dissintonia.<br />
</br><a href="http://teatrojornal.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/04/tempestad2_.jpg"><img src="http://teatrojornal.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/04/tempestad2_-300x200.jpg" alt="" title="La tempestad, do Teatro Varasanta - Divulgação" width="300" height="200" class="aligncenter size-medium wp-image-4945" /></a></p>
<p></br> <a href="http://www.citytv.com.co/videos/749630/fitb-2012-presenta-la-obra-la-tempestad">>> Trecho de La tempestad</a></p>
<p></br><a href="http://teatrovarasanta.blogspot.com.br/"><br />
>>O blog do grupo Teatro Varasanta</a></p>
<p></br><a href="http://www.teatrovarasanta.net/"><br />
>>O site do Varasanta</a></p>
<p></br>>> O jornalista viajou a convite da organização do festival e do Instituto Distrital de Turismo de Bogotá.</p>
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		<title>Bogotá &#8211; Mapa Teatro</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Apr 2012 13:18:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vals</dc:creator>
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Em sua jornada pelo imaginário social da Colômbia, desde 1984, o Mapa Teatro toca agora numa fratura exposta não só naquela sociedade, mas especialmente nos territórios vizinhos sul-americanos: o narcotráfico. O espetáculo mais recente do grupo, Discurso de un hombre decente, estreou em dezembro de 2011, em Bruxelas, e foi apresentado em terra natal na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://teatrojornal.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/04/discurso-mapa-teatro-1vale.jpg"><img src="http://teatrojornal.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/04/discurso-mapa-teatro-1vale.jpg" alt="" title="Conjunto musical em Discurso de un hombre decente - Divulgação" width="300" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-4905" /></a><br />
</br>Em sua jornada pelo imaginário social da Colômbia, desde 1984, o Mapa Teatro toca agora numa fratura exposta não só naquela sociedade, mas especialmente nos territórios vizinhos sul-americanos: o narcotráfico. O espetáculo mais recente do grupo, <em>Discurso de un hombre decente</em>, estreou em dezembro de 2011, em Bruxelas, e foi apresentado em terra natal na semana passada, dentro do Festival Iberoamericano de Teatro de Bogotá, seu coprodutor.<span id="more-4903"></span><br />
</br>O “homem” do título é o traficante Pablo Escobar, chefe do cartel de Medellín, morto em 1993. E o “discurso” tem sua gênese no bilhete encontrado no bolso de sua camisa quando assassinado, documento retrabalhado à luz da ficção na dramaturgia também concebida pela dupla de diretores Heidi e Rolf Abderhalden.<br />
</br>Se o chileno Guillermo Calderón escreveu em <em>Villa+discurso</em> uma mea-culpa fictícia para o último dia de governo da ex-presidente socialista Michelle Bachelet, o Mapa Teatro propõe um texto de posse presidencial para um dos inimigos públicos históricos do país.<br />
</br>O seguinte trecho da narrativa divisa o sarcasmo como recurso de criticidade: “Compatriotas: Me llamaban el monstruo, el loco, el Robin Hood criollo, el patrón, el papá. Hoy me llaman presidente y tengo una única certeza, soy el personaje más importante del mundo&#8230;. después del papa”.<br />
</br>Como demonstrado em espetáculos conhecidos do público brasileiro (<em>Testigo de las ruínas</em>, <em>Los santos inocentes</em>), o manejo do que é ou não realidade extrapola a plataforma do texto e vai à cena na incorporação de não-atores, inclusive homens ou mulheres vinculados aos episódios abordados.<br />
</br>Uma dessas “fusões” extraordinárias está na presença no elenco do maestro Danilo Jiménez, encabeçando o conjunto musical Marco Fidel Suárez com seus sopros e baixos sustentadores de uma típica orquestra popular interiorana do país de García Márquez. Pois nos tempos de Escobar, Jiménez foi vítima de um atentado a bomba em Medellín, onde quase morreu. Ele ficou mudo por um bom tempo. Vê-lo tocar e cantar hoje, com seu fiapo de voz, é um exemplo de emoção compatível à narrativa que contempla fatos históricos com a liberdade que as artes cênicas requerem.<br />
</br>Ao rapper Jeihhco, ícone da cultura urbana de Bogotá, é dada a voz do narrador de microfone em punho, revezando espaço com um estudioso do narcotráfico convocado da universidade para contextualizar as sequelas, entrevistado por uma apresentadora de televisão estereotipada em seu poço de ignorância.<br />
</br>Já que a hipérbole corre solta em <em>Discurso de un hombre decente</em> – não raro a realidade é mais absurda –, o cenário é propositadamente poluído por vasos de plantas como a sugerir a selva amazônica. Esse coração das trevas e dos embaralhamentos fica envelopado a maior parte do espetáculo, atrás de uma tela inteiriça sobre a qual são projetadas imagens documentais.<br />
</br>Por trás dessa grossa camada de aparente falta de sofisticação nos dispositivos que lança no palco, o Mapa é incisivo ao chamar o espectador à autocrítica, a começar pela plateia colombiana e as dissimulações de um país que militarizou seu cotidiano, da região amazônica aos centros urbanos.</p>
<p></br>O espectador estrangeiro pode ter a sensação, em algum momento, de que os conteúdos são demasiado colombianos. Mas é demovido pela extensão universal dos poderes colocados em xeque.</p>
<p></br>A nova performance do grupo elabora contravenções cênicas que desviam da representação. Escoa um presente mais paupável, como se os corpos de uma fotografia se desgarrassem do papel para dar seu testemunho.</p>
<p></br>Para quem acompanha o Mapa Teatro apenas a partir da década passada, intuímos que o livro cênico da história contemporânea que escreve e reescreve dispensa o manifesto declarado e concentra-se na arte como veículo autônomo das ideias e ideologias visitadas. Seus espetáculos são sempre uma celebração ao teatro por caminhos nada convencionais. Ou ainda uma sublimação das urgências colombianas no encontro da cena com o público, construindo e revolvendo memórias.</p>
<p></br><a href="http://www.mapateatro.org/">>> O site do Mapa Teatro</a></p>
<p></br><a href="http://www.festivaldeteatro.com.co ">>> O site do XIII Festival Iberoamericano de Teatro de Bogotá &#8211; 23 de março a 8 de abril de 2012<br />
</a></p>
<p></br>>> <em>O jornalista viajou a convite da organização do festival e do Instituto Distrital de Turismo de Bogotá.<br />
</em></p>
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		<title>Balaio</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Apr 2012 18:16:03 +0000</pubDate>
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O espetáculo Balaio é como um filme do leste europeu: cores gris para uma dança desesperada sobre a lápide fria do carinho, do amor e do reconhecimento.
Gestado no ventre do Centro de Pesquisa Teatral (CPT), em suas variantes do ator e da dramaturgia, carrega o DNA da série Prêt-à-Porter coordenada por Antunes Filho há 13 [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://teatrojornal.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/04/balaio5vale.jpg"><img src="http://teatrojornal.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/04/balaio5vale-300x200.jpg" alt="" title="Cristiano Salomão em O pai, de Balaio - Otavio Dantas" width="300" height="200" class="aligncenter size-medium wp-image-4846" /></a><br />
</br>O espetáculo <em>Balaio</em> é como um filme do leste europeu: cores gris para uma dança desesperada sobre a lápide fria do carinho, do amor e do reconhecimento.<br />
</br>Gestado no ventre do Centro de Pesquisa Teatral (CPT), em suas variantes do ator e da dramaturgia, carrega o DNA da série <em>Prêt-à-Porter</em> coordenada por Antunes Filho há 13 anos e atualmente na décima edição.<span id="more-4843"></span> </p>
<p></br>Fosse o <em>Prêt-à-Porter 11</em>, <em>Balaio</em> atenderia aos mesmos códigos dessa modalidade de criação na qual os atores despontam autorais no sentido mais amplo do termo – e até onde o crivo de Antunes alcança, diga-se.<br />
</br>Como nos trabalhos anteriores, ainda que em produção descolada do CPT, o septeto da vez assume a direção conjunta e ainda estrutura texto, cenografia, figurinos, luz, música, etc. Cada um desses elementos passa por subtrações na base do menos é mais.<br />
</br>A sequencia de três histórias autônomas, ao cabo, possibilita nexos não explícitos entre os temas e formas. Um traço significativo é o do abandono.<br />
</br>Em <em>O pai</em>, são os filhos que projetam essa figura ancestral através da memória e das sensações. Cristiano Salomão, Isabel Wilker e Mariana Delfini narram a seco pedaços delicados e amargos dessa relação, inclusive quando ela inexiste. Constroem paisagens sussurradas, trianguladas entre si e com o espectador. Na perspectiva das cenas que vêm depois, esta se assume despojada, transmitindo também impressão de acanhamento em certas passagens.<br />
</br>Num crescendo, a transição de cenas é exposta aos olhos do público. Luz sempre geral, branca. Atores fazendo a contrarregragem, movimentando os poucos objetos aqui e ali. Quem não está em cena no Espaço Beta do Sesc Consolação, no âmbito do projeto Primeiro Sinal, permanece nas laterais e espreita os colegas em ação. Todos, por sua vez, são observados pela audiência.<br />
</br><a href="http://teatrojornal.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/04/balaio4vale.jpg"><img src="http://teatrojornal.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/04/balaio4vale-200x300.jpg" alt="" title="Stella Prata em A quadratura do círculo, de Balaio - Otavio Dantas " width="200" height="300" class="aligncenter size-medium wp-image-4847" /></a></p>
<p></br>O tom lírico modifica-se completamente a partir da segunda cena da noite. <em>A quadratura do círculo</em> é a dramaturgia que mais instiga, com Stella Prata e Carolina Sudati. A máscara circense da primeira expõe a condição do artista na sociedade, os obstáculos do ofício, sua marginalidade, suas idiossincrasias e, principalmente, o seu duplo. Há um cadáver, por Sudati. Há um crime. Há o público como cúmplice. Há um terceiro interlocutor imaginário. E há o discurso dessa colombina, por Prata, de sonoridade rascante, voluptuosa e desassossegada diante do ato consumado.<br />
</br>O desfecho do espetáculo é ainda mais exasperante com <em>Narizes bem preparados</em>. A criação rompe radicalmente a austeridade naturalista do <em>Prêt-a-porter</em> e faz da desestabilização o seu norte. Camila Turim e Nathália Corrêa cumprem partituras simultâneas e contrastantes nas dimensões poética e épica.<br />
</br>A passionalidade transborda na presença de Corrêa, magnetizante no descontrole que desenha, no olhar tempestivo. Ela costura corações de galinha feito um colar que põe em seu dorso ou os pisoteia às dezenas. Ao esmagar a metáfora sentimental, esta se torna ainda mais incômoda, ápice da montagem.<br />
</br>Tão independente quanto contíguo a Antunes, <em>Balaio</em> alimenta a percepção colateral de que os últimos experimentos no âmbito do <em>Prêt-à-Porter</em> produzem sínteses cada vez mais bem urdidas em suas ideias e expressões.<br />
</br>O espetáculo concretiza a carnalidade da dramaturgia que também é da cena. Conjunção da qual a terceira parte do <em>Prêt-à-Porter 10</em>, <em>Cruzamentos</em>, de 2011, já dava notícias com as atuações de Geraldo Mário e Marcelo Szpektor.<br />
</br>Em suma, as dores do mundo são íntimas, expõe esse <em>Balaio</em> árido, úmido,  visceral.</p>
<p></br><a href="http://balaio.posterous.com/">>> Blog do espetáculo Balaio</a></p>
<p></br><a href="http://teatrojornal.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/04/balaio2vale.jpg"><img src="http://teatrojornal.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/04/balaio2vale-200x300.jpg" alt="" title="Nathália Corrêa em Narizes bem preparados, de Balaio - Otavio Dantas" width="200" height="300" class="aligncenter size-medium wp-image-4845" /></a></p>
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		<title>Ivan e os cachorros</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Mar 2012 18:23:26 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[O realismo sociológico pode abrigar formas libertárias, confirma Ivan e os cachorros. A narrativa sobre um garoto abandonado que sobrevive nas ruas de Moscou acolhido entre os 4 e os 6 anos por uma matilha, como noticiaram jornais russos no início da década de 1990, não fez a equipe de criação refém do sentimentalismo atávico [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://teatrojornal.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/03/Ivan-e-os-Cachorros-vale.jpg"><img src="http://teatrojornal.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/03/Ivan-e-os-Cachorros-vale.jpg" alt="" title="Ivan e os cachorros - Diego Bresani" width="300" height="200" class="size-full wp-image-4784" /></a><br />
</br>O realismo sociológico pode abrigar formas libertárias, confirma <em>Ivan e os cachorros</em>. A narrativa sobre um garoto abandonado que sobrevive nas ruas de Moscou acolhido entre os 4 e os 6 anos por uma matilha, como noticiaram jornais russos no início da década de 1990, não fez a equipe de criação refém do sentimentalismo atávico quando se trata de assumir o ponto de vista de uma criança.<span id="more-4773"></span><br />
</br>A história desse Pixote moscovita impúbere foi escrita pela inglesa Hattie Naylor a partir de fatos reais. Sua peça originalmente radiofônica, de mesmo nome, é transposta para o palco em solo de Eduardo Mossri traduzido e dirigido por Fernando Villar, pesquisador da UnB.</p>
<p></br>Uma meticulosa partitura física permite ao ator evidenciar as pulsações interiores do personagem cuja capacidade de fabular está à flor da pele, reflexo da idade, independente da infância roubada. </p>
<p></br>A dramaturgia constrói um labirinto invisível. O espectador é conduzido por ruas, becos, terrenos baldios e um conjunto habitacional sem que tais espaços sejam cenografados.</p>
<p></br>Antes, a concepção cenográfica de Ulisses Cohn é a de um território frio, chão e fundo neutralizados pelo branco, remissão à neve, e aquecidos pela luz de Marisa Bentivegna. Ela alterna cromaticamente cada cena, pontuando a briga dos pais, a morte do morador de rua lançado às chamas por outros embriagados e famintos, o cerco de uma gangue também formada por menores, a lenta conquista da cohabitação na toca dos cães, e por aí vai.</p>
<p></br>Em sua atuação sincrônica, Mossri ainda opera a mesa de som e um gravador antigo, de rolos. A modulação de luz e de som não institui automatismo à movimentação corporal. A multiplicidade de ações confere um caráter performativo que desvia o relato da identificação piegas e valoriza a experiência dos sentidos artísticos colocados em campo.</p>
<p></br>A encenação de Villar instaura uma sensibilização da escuta e da visão por meio da ambientação sonora, do off com diálogos em russo dos adultos feito radionovela (bem cuidada montagem de Gregory Slivar), das projeções que ilustram os cães e a autoimagem idílica do garoto (multimídia de Mônica Luni e Oriol Abella). Por vezes, esses mesmos recursos podem soar reiterativos ou ofuscar um fala ou outra, ofegante, mas não deixam de constituir uma janela onírica em contraste com o uivo dilacerante do terno Ivan na cidade que o consome nesse rito de passagem tão perverso quanto prematuro.</p>
<p></br><a href="http://teatrojornal.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/03/Ivan-e-os-Cachorros-2-vale.jpg"><img src="http://teatrojornal.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/03/Ivan-e-os-Cachorros-2-vale.jpg" alt="" title="Ivan e os cachorros -  Diego Bresani " width="300" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-4803" /></a><br />
<em></br>Observação: o autor do artigo fez parte da comissão que selecionou espetáculos do 15º  Cultura Inglesa Festival, em 2011, quando</em> Ivan e os cachorros<em>, uma produção de Brasília, estreou na programação.</em></p>
<p></br><a href="http://www.culturainglesasp.com.br/wps/portal/agenda/home/detalhe?WCM_GLOBAL_CONTEXT=/wps/wcm/connect/eventos/eventos/eventos/c76474004a1774f6b64bfffee0588fca&#038;DATA=01/02/2012&#038;CATEGORIA=Todos&#038;UNIDADE=unidade">>> Temporada no Cultura Inglesa de Pinheiros até 1º/4/2012</a></p>
<p></br><a href="http://www.ivaneoscachorros.com.br/">>> O blog da peça</a></p>
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		<title>Prêmio Shell (2003-2011)</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Mar 2012 13:17:34 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Terminou ontem minha participação no júri do Prêmio Shell de Teatro em São Paulo. Foram nove anos de mais angústia no início do que no final da &#8220;gestão&#8221;.
Na noite de entrega, o momento mais difícil é o intervalo em que a comissão se reúne, cerca de duas horas antes, para definir os vencedores entre os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Terminou ontem minha participação no júri do Prêmio Shell de Teatro em São Paulo. Foram nove anos de mais angústia no início do que no final da &#8220;gestão&#8221;.<br />
</br>Na noite de entrega, o momento mais difícil é o intervalo em que a comissão se reúne, cerca de duas horas antes, para definir os vencedores entre os indicados nos primeiro e segundo semestres do ano anterior.<span id="more-4740"></span></p>
<p></br>Quando o público chega ao espaço do evento, jurados e criadores cumprimentam-se aqui ou ali, naturalmente. Naturalmente, aspas, porque ficava um bocado constrangido em trocar abraços com artistas contemplados ou não na cerimônia minutos depois. Mas a partir do segundo ano passei a exercer certo distanciamento emocional (bebendo da convenção teatral).<br />
</br>Sabemos que uma comissão implica correlação ou tensão de olhares. Felizmente, os debates internos nunca resvalaram na desqualificação da opinião do outro. Percepções unânimes ou medidas pela régua da maioria flagraram instantâneos dessa linha de tempo. E aprendi ainda que nem sempre a premiação é justa &#8211; se outras as cinco cabeças escaladas para ler a temporada, o resultado poderia ser distinto.<br />
</br>Foi um privilégio testemunhar, na noite passada, as presenças da crítica e pesquisadora Mariangela Alves de Lima e da historiadora Maria Thereza Vargas, sendo a primeira homenageada pelos 40 anos de ofício e a segunda a acompanhá-la pela amizade, premiada na categoria especial em 1998 pela organização do livro <em>Giramundo: Myrian Muniz, o percurso de uma atriz</em> (editora Hucitec). Presenças e cumplicidades de ambas para com o cotidiano da arte do teatro inscrito na expressão contemplativa de seus rostos.<br />
</br>A cada dois anos, o integrante mais antigo do júri dá vez a outro profissional, tanto na comissão de São Paulo como na do Rio. Entre os paulistas, o cenógrafo e figurinista Carlos Colabone soma-se agora às dramaturgas Marici Salomão e Noemi Marinho e aos pesquisadores Mario Bolognesi e Alexandre Mate.<br />
</br>Abaixo, os indicados e os ganhadores dessa 24ª edição.</p>
<p></br>Autor:<br />
Gustavo Colombini por <em>O silêncio depois da chuva</em><br />
Paulo Faria por <em>Cine camaleão – A boca do lixo</em><br />
<strong>Leonardo Moreira </strong>por <em>O jardim</em><br />
Nelson Baskerville e Verônica Gentilin por <em>Luis Antônio &#8211; Gabriela</em></p>
<p></br>Direção:<br />
José Fernando de Azevedo e Lucienne Guedes por <em>Cidade fim/ cidade coro/ cidade reverso</em><br />
Marcio Aurélio por <em>A ilusão cômica</em><br />
Cibele Forjaz por <em>O idiota – uma novela teatra</em>l<br />
Leonardo Moreira por <em>O jardim</em><br />
<strong>Nelson Baskerville </strong>por <em>Luis Antônio – Gabriela</em></p>
<p></br>Ator:<br />
Jarbas Homem de Mello por <em>Cabaret</em><br />
<strong>Rodrigo Bolzan </strong>por <em>Oxigênio</em><br />
Vinícius Meloni por <em>Cidade fim/ cidade coro/ cidade reverso</em><br />
Marcos Felipe por <em>Luis Antônio &#8211; Gabriela</em><br />
Roney Facchini por <em>Menecma</em></p>
<p></br>Atriz:<br />
Lavínia Pannunzio por <em>A ilusão cômica</em><br />
<strong>Roberta Estrela D’Alva </strong>por <em>Orfeu mestiço – Uma hip-hópera brasileira</em><br />
Ester Laccava por <em>A árvore seca</em><br />
Lavínia Pannunzio por <em>A serpente no jardim</em></p>
<p></br>Cenário:<br />
F. E. Kokocht e Paulo Faria por <em>Cine camaleão – A boca do lixo</em><br />
Marisa Bentivegna por <em>O silêncio depois da chuva</em><br />
Laura Vinci por <em>O idiota – uma novela teatral</em><br />
<strong>Marisa Bentivegna </strong>por <em>O jardim</em></p>
<p></br>Figurino:<br />
F. E. Kokocht e Paulo Faria por <em>Cine camaleão – A boca do lixo</em><br />
Márcio Medina e Carol Bedra por <em>Prometheus – A tragédia do fogo<br />
</em>Camila Murano por Luis Antônio &#8211; Gabriela<br />
<em>Joana Porto</em> por <em>O idiota – uma novela teatral</em></p>
<p></br>Iluminação:<br />
Paulo Cesar Medeiros por <em>Cabaret</em><br />
<strong>Rodolfo García Vázquez e Leonardo Moreira Sá</strong> por  <em>Cabaret stravaganza</em><br />
Alessandra Domingues por <em>O idiota – uma novela teatral</em><br />
Marcos Felipe e Nelson Baskerville por <em>Luis Antônio &#8211; Gabriela</em></p>
<p></br>Música:<br />
Eugênio Lima e Roberta Estrela D’Alva por <em>Orfeu mestiço – Uma hip-hópera brasileira</em><br />
<strong>Gregory Slivar </strong>por <em>Prometheus – A tragédia do fogo</em><br />
Beto Quadros por <em>Um dia ouvi a lua</em><br />
Luis Aranha por <em>Marulho: o caminho do rio&#8230;</em></p>
<p></br>Categoria especial:<br />
Grupo Barracão Teatro pela pesquisa e criação de <em>Diário baldio – Um espetáculo de máscaras<br />
</em>Grupo Teatro Popular de Ilhéus pela sátira em cordel em <em>O inspetor geral<br />
</em>Jean Pierre Kaletrianos pela preparação vocal de <em>Prometheus – A tragédia do fogo </em><br />
<strong>Grupo Tapa</strong> pela defesa da política de repertório no projeto O repertório de verão, Grupo Tapa e Cia</p>
<p></br>Homenagem:<br />
<strong>Mariangela Alves de Lima</strong> pelos 40 anos de trabalho ininterrupto e inestimável, dedicado à crítica e à pesquisa do teatro brasileiro.</p>
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		<title>O ano Bob Wilson no Brasil</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Mar 2012 14:17:14 +0000</pubDate>
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De 14 a 20 de abril ele apresenta no Sesc Belenzinho o solo A última gravação de Krapp (2009), atuando como o velho septuagenário de Samuel Beckett a reboboniar seu passado &#8211; mesma idade do artista [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://teatrojornal.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/03/A-Ultima-Gravacao-de-Krapp-2009-Foto-Lucie-Jansch_06-vale1.jpg"><img src="http://teatrojornal.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/03/A-Ultima-Gravacao-de-Krapp-2009-Foto-Lucie-Jansch_06-vale1.jpg" alt="" title="A última gravação de krapp - Lucie Jansch" width="200" height="300" class="size-full wp-image-4705" /></a><br />
</br>Vem aí uma sequência de criações de Bob Wilson no país, com passagens confirmadas por São Paulo e Porto Alegre.</p>
<p></br>De 14 a 20 de abril ele apresenta no Sesc Belenzinho o solo <em>A última gravação de Krapp</em> (2009), atuando como o velho septuagenário de Samuel Beckett a reboboniar seu passado &#8211; mesma idade do artista norte-americano. Escrevi <a href="http://teatrojornal.com.br/blog/2010/03/um-moleque-no-jardim-da-velhice-bob-wilson-vibra-com-beckett/">aqui</a> quando assisti em Bogotá, em 2010.<span id="more-4700"></span></p>
<p></br>E novembro será o mês de extraordinária concentração de obras assinadas pelo encenador.</p>
<p></br>A companhia alemã Berlliner Ensemble traz dois espetáculos para o Sesc Pinheiros: <em>A ópera dos três vinténs</em>, de Brecht (7 a 11/11), que o coordenador do Porto Alegre em Cena, Luciano Alabarse, também confirma como extensão do festival naquele mês; e <em>Lulu</em>, de Wedekind.</p>
<p></br>Segundo a Gerência de Ação Cultural do Sesc-SP, <em>A ópera dos três vinténs</em> abriu a temporada de teatro de 2011 do Brooklyn Academy of Music (BAM), em Nova York, e <em>Lulu</em> fez parte do disputado programa de outono do Théâtre de la Ville, em Paris. Será a primeira vez que ambos os espetáculos poderão ser vistos consecutivamente numa mesma cidade.</p>
<p></br>E para arrematar o novembro wilsoniano, o Teatro Municipal de São Paulo anunciou a ópera <em>Macbeth</em>, versão da peça de Shakespeare composta por Verdi (23 a 30/11), sob sua direção cênica e regência de Abel Rocha, como Irineu Franco Perpetuo escreveu na <em>Folha</em>.</p>
<p></br>Foi o mesmo Municipal que introduziu Bob Wilson no país em 1974, com a encenação de <em>A vida e a época de Joseph Stálin</em> durante o Festival Internacional de São Paulo então coordenado por Ruth Escobar. À época, sob censura militar, o nome do ditador soviético foi substituído por &#8220;Dave Clark&#8221;.  </p>
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		<title>Fernando Peixoto</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Jan 2012 20:41:05 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Ele morreu na última madrugada. Fernando Peixoto tinha 74 anos. O ator, diretor, dramaturgo, jornalista, tradutor e historiador de teatro estava internado no hospital São Luiz, em São Paulo, devido a um câncer no intestino.
A Editora Hucitec, com a qual mantinha vínculo e por lá publicou a maioria dos seus livros, informa em nota que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ele morreu na última madrugada. Fernando Peixoto tinha 74 anos. O ator, diretor, dramaturgo, jornalista, tradutor e historiador de teatro estava internado no hospital São Luiz, em São Paulo, devido a um câncer no intestino.<br />
</br>A Editora Hucitec, com a qual mantinha vínculo e por lá publicou a maioria dos seus livros, informa em nota que o corpo será cremado amanhã, às 11h, em Vila Alpina, em São Paulo.<span id="more-4665"></span><br />
</br>Peixoto nasceu em Porto Alegre, colheu o período de inquietação cultural da cidade entre os anos 1950 e 1960. Foi aluno de Gerd Bornheim e do italiano Ruggero Jacobbi no curso de Arte Dramática da UFRGS. Integrou o Grupo Teatro de Equipe (1958-1962), ao lado de Mario de Almeida, Paulo José, Paulo César Peréio e outros. Então casado com Ítala Nandi, mudou para São Paulo em 1963, ambos passando a atuar no Oficina de Zé Celso.<br />
</br>O artista atravessou a ditadura civil-militar (1964-1985) escrevendo biografias de Brecht, Maiakovski e Sade; traduzindo Gorki, Brecht, Sartre. Ele pensou o teatro e criou para essa arte intensamente, tendo flertado ainda com roteiros para o cinema e a televisão.<br />
</br>O trecho a seguir faz parte de um dos capítulos do livro <em>Teatro em pedaços</em> (Hucitec, 1980), que reúne artigos e ensaios produzidos entre 1958 e 1977. Intitulado <em>Teatro e cultura contemporânea</em>, é a transcrição de conferência homônima realizada na Assembleia Legislativa gaúcha em 3 de outubro de 1975, da qual também fizeram parte Ivo Bender, Plínio Marcos, Paulo Pontes e André Forster.<br />
</br>São argumentos que, ponderado o contexto daqueles anos 1970, ainda carregam centelhas para refletir a produção teatral do Brasil quarenta anos depois. Palavras significativas do lugar que Fernando Peixoto sempre falou, dentro ou fora de cena.</p>
<p></br><div id="attachment_4667" class="wp-caption aligncenter" style="width: 210px"><a href="http://teatrojornal.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/01/fernando-peixoto-vale.jpg"><img src="http://teatrojornal.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/01/fernando-peixoto-vale.jpg" alt="" title="Reprodução/MinC/Fundacen" width="200" height="300" class="size-full wp-image-4667" /></a><p class="wp-caption-text">Peixoto em ensaio de Na selva das cidades (1967), no Teatro Oficina</p></div></p>
<p></br><em>Creio que o teatro brasileiro teria que buscar quatro caminhos, sobretudo: um seria o realismo, não como coisa estreita, como reprodução realista fotográfica da vida cotidiana. Enfim, não me refiro ao realismo enquanto escola literária, a um tipo de espetáculo, de dramaturgia que busca apenas a expressão de um universo psicológico, onde os personagens são indivíduos isolados do mundo em que vivem. Digo realismo numa concepção um pouco mais ampla. De confronto com a realidade. Acho que esta é uma das qualidades da arte. E é uma das grandes coisas que justificam nossa condição de artistas: confrontar e discutir a realidade, colocar em questão esta realidade. A intenção é refletir sobre aquilo que existe ao nosso redor. Este confronto com a realidade, a censura praticamente cortou. E em vez dele temos a fuga da realidade, temos o espetáculo que mistifica, que ilude. E que faz parte desta fábrica de ilusões montada, em termos de palco brasileiro.<br />
</br>Um outro aspecto, que chamaria a atenção, que acredito ser o caminho, junto com este, é o aspecto crítico. Acho que a arte só tem sentido se é uma atividade crítica, se dirige-se ao debate, se provoca reflexão no espectador. Para mini o espetáculo tem esta função. A forma dele ser consequente, de realmente envolver e respeitar o espectador. Uma das coisas que não acredito mais, que a história já nos mostrou que é errado, é o tipo de espetáculo que coloca a verdade no palco e fica dizendo esta verdade ao espectador. Isto não tem mais sentido. Nós não temos uma verdade no palco para dizer aos espectadores. Nós não estamos aqui como nos palcos para dizer soluções, mas para encaminhar soluções. Através do livre debate de ideias.<br />
</br>Creio que a grande função do teatro, sobretudo neste momento histórico, seria de provocar o debate, a reflexão a troca de ideias, porque só através disto poderemos conhecer mais a nossa realidade e poderemos realmente transformar a nossa realidade.<br />
</br>Este teatro crítico também não é permitido hoje, o que é permitido é aquele que não discuta valores pré-estabelecidos, ou seja, um teatro que considere tudo como eterno, imutável e sagrado.<br />
</br>Um terceiro aspecto que já o Brasil deveria se voltar seria ser além de realista crítico, é ser nacional. Todo processo social do país tem sido um processo de colonização. O nosso teatro, hoje mais do que nunca, sofre um processo de colonização total. Não só a importação de textos, que também tem sua origem na dificuldade de montar um texto brasileiro e é mais fácil tratar grandes problemas políticos com texto estrangeiro, a censura é até bastante mais compreensível por razões óbvias, com relação a texto estrangeiro. Também neste aspecto o teatro tem sido descaracterizado enquanto espetáculo nacional. Não há condições de se realizar, realmente não tem sido realizado. Importa-se, inclusive, espetáculos de fora. Ou seja, o que chamei uma vez de &#8220;teatro xerox&#8221;. Você apanha um espetáculo montado em outro lugar, reproduz inteiramente a encenação aqui no país.<br />
</br>Outro aspecto, além de realista, crítico, nacional, acredito que os caminhos do teatro brasileiro só adquirem sentido se forem populares. Se nos ligarmos à cultura popular, se buscarmos as bases populares e realizarmos uma cultura ligada a estas raízes. Sem estas raízes nós nos perdemos em abstrações, numa macaquice mal feita dos produtos estrangeiros. E fazemos um teatro que deve mais ou menos refletir isto que o Ivo Bender acabou de colocar. Ou seja, há um desinteresse do público sobre ele. Evidentemente nós não somos povo, nenhum de nós aqui é operário nem camponês, entretanto acho que o conceito de povo deveria também sofrer uma justa e dialética compreensão. O teatro popular, isso seria uma discussão muito longa, não é só o teatro feito pelo povo, nem se confunde também com a manifestação folclórica. O povo não encontra condições de produção, os meios de produzir não estão em suas mãos, embora ele faça teatro nas feiras, embora ele faça teatro no Nordeste, em condições incríveis, um teatro estranhíssimo, inclusive, fascinante em certo aspecto e ao mesmo tempo pobre em outro sentido, primitivo. Mas a classe média, com todas as indecisões, contradições, variações que ela possui, também nós, os intelectuais, temos uma tarefa: assumir o ponto de vista do povo, porque sem assumir este ponto de vista não vamos levar nossa cultura para a frente e sim para trás. Podemos ser úteis no nível de nos negarmos enquanto classe, voltarmos nossa cultura como uma arma que nos explique a nós mesmos, através de uma implacável contestação de valores falsos.<br />
</br>Este tipo de teatro popular também não temos tido condições de realizar ultimamente. Nós não temos condições de atingir o público popular como consequência da dificuldade de produção dos últimos anos. O povo desapareceu da cena. O povo, sempre quase que praticamente esteve ausente da plateia, mas ele estava presente no palco, a dramaturgia lançada pelo Teatro de Arena, sobretudo, lançada em 1957 ou 1958, até o grande período do teatro brasileiro, da dramaturgia brasileira, período inclusive que permitiu uma análise e uma pesquisa de uma forma de espetáculo brasileiro, uma forma de interpretação, uma forma de encenação, ligada às raízes brasileiras, esta aparição, esta presença do povo em cena desapareceu. Ela hoje aparece pelos cantos. Durante muitos anos aparecia como criado. Montei um espetáculo recentemente, o <em>Um grito parado no ar</em> [de Gianfrancesco Guarnieri], onde havia um personagem popular, que fazia um sucesso extraordinário, Euzébio, o contrarregra, que por uma série de circunstâncias virava ator.<br />
</br>Entretanto, muito depois, três anos após ter sido montado o espetáculo, é curioso pensar como o Euzébio, de <em>Um grito parado no ar</em>, era tão bem recebido pela plateia, pelo público; no fundo porque ele era exatamente o povo nesta imagem, ou seja, bom, simpático, honesto, generoso, modesto, puro, tudo certinho, mas era um personagem secundário, a problemática debatida na peça, também naquele momento, era uma problemática do pequeno burguês, o povo estava de longe quando Guarnieri, que é um exemplo bem claro da dramaturgia popular brasileira, quando ele escreveu <em>Botequim</em>, por exemplo, um personagem menos compreendido por todas as pessoas era o operário. A gente achava que aquilo não era verdade, que era repetição de fórmulas, e é muito curioso que o último espetáculo do Guarnieri, Me dá o Mote!, tenha sido bastante atacado em São Paulo, por alguns setores da crítica, não enquanto espetáculo ruim, nem enquanto defeitos que o espetáculo possui e alguns bastante graves, mas foi atacado por bastante pessoas, por uma razão só: porque falava em povo! Por que voltar a falar do povo? Muitos disseram isso. &#8220;Isto é uma coisa que não cabe a nós, é uma coisa que está distante, é uma coisa que não interessa mais&#8221;. Chegamos a este ponto. Mas estes críticos não perdem por esperar. A época da renda e da perfumaria não pode durar. O que está aí, dominando o país hoje, é histórico e portanto transitório. Não é eterno.<br />
</br>Este povo que não é mais protagonista, coloca este outro aspecto do teatro brasileiro. Levados pelas existências históricas que motivaram a criação da censura, levado pela rigidez, pela arbitrariedade do próprio exercício da censura o teatro brasileiro está deixando de cumprir estas quatro tarefas, que são uma só, uma coisa só: deixando de confrontar a realidade, deixando de ser crítico, de ser nacional e de ser popular. O que resta, deixando-se tudo isto de lado, é bastante lamentável. Este &#8220;lamentável&#8221; é a nossa necessidade de hoje. Este debate mostra inquietação e insatisfação. Este é um instante de especial importância para, sem medo, a gente desabafar o que pensa, problematizar nossa prática, encontrar caminhos para uma cultura de resistência.<br />
</em><br />
(Peixoto, Fernando. Teatro em pedaços. São Paulo: Hucitec, 1980, pp. 341-347).</p>
<p></br>>> <a href="http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_teatro/index.cfm?fuseaction=personalidades_biografia&#038;cd_verbete=742&#038;cd_item=20">Verbete sobre Fernando Peixoto na Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro<br />
</a></p>
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		<title>Sérgio Britto</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Dec 2011 14:11:41 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_4636" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://teatrojornal.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/12/krapp.jpg"><img src="http://teatrojornal.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/12/krapp-300x200.jpg" alt="" title="Ato sem palavras I - Guga Melgar" width="300" height="200" class="size-medium wp-image-4636" /></a><p class="wp-caption-text">O ator Sérgio Britto na pele do homem inerte de Samuel Beckett, em 2009</p></div>Uma forte lembrança de Sérgio Britto vem de 2009, corpo arqueado, o teatro e a vida inscritos no peito nu do homem desesperado para alcançar uma garrafa d’água no deserto e, quando  desiste, o objeto vai até ele, que não mais reage. A inação explícita de <em>Ato sem palavras I</em>, de Samuel Beckett. Na mesma noite, emendava <em>A última gravação de Krapp</em>, o velho rebobinando sua voz nas platitudes juvenis de uma existência que não foi. Mais Beckett. Esse projeto duplo, dirigido por Isabel Cavalcanti, mostrava o tamanho da coragem do artista ao vestir-se da forma e do conteúdo na solidão do palco sem o escudo da fragilidade física dos 85 anos de então. Sérgio Britto morreu esta manhã, no Rio, de insuficiência respiratória aguda. Tinha 88 anos, 66 de convívio teatral com atalhos para a televisão e, mais raramente, o cinema. Abaixo, uma foto de julho de 1961, aos 38 anos, estampando o programa de <em>O beijo no asfalto</em>, de Nelson Rodrigues, a quinta produção do Teatro dos Sete na qual contracenava com Fernanda Montenegro, Ítalo Rossi, Mário Lago, Oswaldo Loureiro e Suely Franco, entre outros, sob direção de Fernando Torres. Ocorre-me ainda lembranças da sua composição para o desmoronamento do caixeiro-viajante James Tyrone em <em>Longa jornada noite adentro</em>, de Eugene O&#8217;Neill, em 2003, ao lado de Cleyde Yáconis e com direção de Naum Alves de Souza.</p>
<p></br></p>
<p><div id="attachment_4642" class="wp-caption aligncenter" style="width: 210px"><a href="http://teatrojornal.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/12/brittovale1.jpg"><img src="http://teatrojornal.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/12/brittovale1.jpg" alt="" title="O beijo no asfalto - Reprodução" width="200" height="300" class="size-full wp-image-4642" /></a><p class="wp-caption-text">Como o infame repórter rodriguiano no Teatro dos Sete, aos 38 anos</p></div>
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		<title>A demissão de Mariangela Alves de Lima, 40 anos de crítica</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Dec 2011 21:02:15 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[A crítica Mariangela Alves de Lima, 40 anos de ofício em O Estado de S.Paulo, foi demitida na última sexta-feira. Choca a decisão administrativa do jornal: desligar a pensadora que inscreveu seu nome na história contemporânea do matutino e do teatro brasileiro sem que tal memória fosse ponderada.
Seguidora de Décio de Almeida Prado (1917-2000) e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A crítica Mariangela Alves de Lima, 40 anos de ofício em <em>O Estado de S.Paulo</em>, foi demitida na última sexta-feira. Choca a decisão administrativa do jornal: desligar a pensadora que inscreveu seu nome na história contemporânea do matutino e do teatro brasileiro sem que tal memória fosse ponderada.<span id="more-4590"></span><br />
</br>Seguidora de Décio de Almeida Prado (1917-2000) e de Sábato Magaldi, ambos projetados no Grupo Estado, ela tem o mérito de elaborar sua própria linguagem na interlocução ensaística com os leitores/espectadores/criadores. Sua recepção é marcada pelo horizonte das ideias: é para lá que, intuímos, deseja ser transportada por meio do espetáculo, ou para além dele, e sempre que possível fazendo-se acompanhar depois em sua escrita com igual disponibilidade e rigor. Pois ela preferiu não submeter-se ao racionamento mensal de textos no <em>Caderno 2</em>, medida drástica que também alcança colaboradores das demais áreas, culminando a precarização do trabalho nos últimos tempos.<br />
</br>As entrelinhas da notícia gritam ainda a desimportância das artes cênicas no jornalismo cultural brasileiro. A dissociação do pensamento crítico é paradoxal. Os últimos dez anos viram crescer a produção do teatro de pesquisa, do teatro musical e da comédia stand-up em muitas capitais, apesar de quantidade não rimar com qualidade, relativizamos. Expandiu também o circuito de festivais nacionais e internacionais. Há demandas de público para a presença ao vivo, olho no olho, nas suas variadas manifestações.<br />
</br>Os professores e pesquisadores de teatro Edelcio Mostaço (UDESC) e Sílvia Fernandes (USP), entre outros, endossam o abaixo-assinado a seguir, pedindo explicações ao <em>Estadão</em> e sugerindo que todos os interessados também se manifestem junto ao centenário matutino cuja cobertura de teatro e de dança, pelo menos dos anos 1990 para cá, mantinha fôlego na reportagem e na crítica, inclusive com mais de um titular nesta função. Os emails institucionais são: portal@grupoestado.com.br, fórum@grupoestado.com.br e falecom.estado@grupoestado.com.br.<br />
</br>Dado o cenário, resulta sincrônico o título da crítica que Mariangela assina na edição de hoje, página D2, relativa a <em>Hécuba</em>, encenação de Gabriel Villela protagonizada por Walderez de Barros: <strong><em>As faces da dor</em></strong>. </p>
<p></br><strong>*</strong></p>
<p></br><em>A crítica de teatro Mariangela Alves de Lima foi sumariamente demitida do jornal O Estado de S.Paulo. Alguém simplesmente lhe telefonou na última sexta-feira e lhe comunicou a decisão. Ela trabalhou por mais de 40 anos na casa e, ao longo desse período, consolidou uma carreira simplesmente inigualável – em tempo e qualidade – dentro de um órgão de comunicação.</p>
<p></br>O episódio é injustificável, visto por qualquer ângulo. Do ponto de vista da empresa, evidencia o menosprezo e o desrespeito para com o trabalho de seus funcionários. Há pouco mais de um ano outro nome de destaque conheceu situação assemelhada, deixando claro a norma trabalhista sumária da centenária instituição.</p>
<p></br>Mariangela ocupa posição singular no panorama teatral brasileiro na segunda metade do século XX, e também neste. Pautada por rigorosa formação estética e histórica, sempre conferiu a seus comentários a mais límpida expressão de uma recepção atenta, inteligente e iluminada sobre os rumos artísticos do país. Cumpriu, com zelo e atenção, sua função de testemunha participante nos rumos tomados pelo teatro nacional, dando-lhe não apenas destaque artístico como, em muitos casos, o sentido e a significação que ele não sabia ter alcançado. O teatro e a arte em geral necessitam serem pensados – e não apenas comercializados &#8211;  como supõem as mentalidades que apenas enxergam o mundo através das grades financeiras.</p>
<p></br>Pode-se compreender que uma empresa queira fazer ajustes em seu quadro funcional, mas deve, em todos os casos, observar normas trabalhistas e éticas mínimas, uma vez que sua função social ultrapassa a mera prestação de serviços. Uma opinião estampada nessa mídia cria diálogo social, influi sobre decisões, ajuda a formar mentalidades, expõe ao debate público ângulos analíticos e vozes submersas que, de outro modo, permaneceriam invisíveis e inaudíveis. E o teatro brasileiro reclama uma voz atuante como a de Mariangela, singular e parcimoniosa, exigente e atenta, para crescer e se desenvolver. </p>
<p></br>Nós abaixo-assinados, leitores assíduos de Mariangela Aves de Lima ao longo de sua brilhante carreira, acreditamos que o  jornal O Estado de S.Paulo, especialmente a editoria do Caderno 2, deve prestar esclarecimentos sobre a decisão autoritária e desrespeitosa não apenas com a crítica, mas com os artistas e os pesquisadores do teatro brasileiro.<br />
</em></p>
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