Aimar Labaki busca montagens sobre cultura judaica

escrito por vals em junho 9, 2011

Priscilla Herrerias em Réquiem, premiada em 2007

O dramaturgo Aimar Labaki é curador da terceira edição do Concurso de Montagens Teatrais do Centro da Cultura Judaica, em São Paulo, com inscrições até 25 de julho. A iniciativa destinada a criadores do Estado pode contemplar até três projetos, cada um com R$ 36 mil. Os temas devem ser relacionados direta ou indiretamente à cultura judaica. O público alvo não importa: adulto, juvenil ou infantil. O formato do lugar, tampouco: sala, rua ou espaço alternativo. leia mais »

Pela Lei de Fomento em Porto Alegre

escrito por vals em maio 26, 2011

Apoie o abaixo-assinado (petição pública) pelo Fomento ao Trabalho Continuado em Artes Cênicas para a Cidade de Porto Alegre. Ele foi aprovado em 2009, luta de artistas de dança, de teatro e da população. Só que em seu primeiro edital o orçamento previsto de R$ 220 mil foi cortado em mais da metade. Agora, a ameaça é de que a Prefeitura o reduza ainda mais. A mobilização é pela imediata abertura do período de inscrição de projetos para a Lei de Fomento local com os recursos que o Legislativo votou em agosto de 2009. Assine.

Enquanto isso, o projeto de lei que cria o Prêmio Teatro Brasileiro, o Fomento federal, está em tramitação no Congresso. Tramita desde 2007, já aprovado por comissões decisivas como a de Educação e Cultura, em dezembro passado. O Prêmio Teatro Brasileiro é um programa ainda mais potente que a pioneira Lei de Fomento paulistana, de 2002, dada a escala federal, óbvio, e a meta de triangular os suportes de manutenção, produção e circulação com foco tanto em grupos de pesquisa como em produtores independentes.


Abaixo-assinado pelo Fomento ao Trabalho Continuado em Artes Cênicas para a Cidade de Porto Alegre


Prêmio Teatro Brasileiro

Veronese, Tolcachir

escrito por vals em maio 21, 2011

Oscar Nuñez e María Figueras são Vânia e Sônia por Veronese

Finalmente os espectadores de São Paulo têm a chance de assistir a duas produções recentes do chamado teatro independente argentino. São criações de Daniel Veronese e Claudio Tolcachir, encenadores referenciais no teatro portenho que já circularam, um ou outro, ou ambos, por cidades como Porto Alegre, Londrina e Santos.
Adaptação de Veronese para Tio Vânia, a montagem de Espía a una mujer que se mata, de 2006, com sessões até amanhã no Sesc Belenzinho, é dos trabalhos mais emblemáticos do estilo despojado e substancioso do diretor. Em artigo publicado esta semana no portal idança.net, um balanço sobre a primeira edição do Mirada – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos, em outubro de 2010, anotei: leia mais »

Mostra Latino-Americana – Fragmentos de liberdade…

escrito por vals em maio 4, 2011

Fernando Montes e parte do elenco do Grupo Varasanta

A história não-oficial do bicentenário da Colômbia pelo Teatro Varasanta é uma aula. Uma “aula” capciosa de como apropriar-se do discurso institucional e transformá-lo em material cênico com a legitimidade que a arte concede. A grande arte. Em pleno marco da efeméride, a ode patriótica vem no contrapé: a bandeira tricolor, os hinos de louvação civil e religiosa, as cartas e tratados coloniais e todo o arcabouço de identidade que os livros didáticos costumam enfiar goela abaixo são desconstruídos em células de tons trágicos, alegóricos e performativos. leia mais »

Mostra Latino-Americana – Café quente em noite fria…

escrito por vals em maio 4, 2011

Glauco Garcia em cena com o Grupo Caos e Acaso, de Londrina

2011. O grupo fala em reafirmar um teatro popular. Saúda o Teatro do Oprimido, as técnicas e a filosofia irradiadas por Augusto Boal no exílio, o Brasil sob ditadura. Cita outros dramaturgos que resistiram com talento, Gianfrancesco Guarnieri, Oduvaldo Vianna Filho. E leva para a cena a exploração de homens e mulheres no campo, narrativa de Café quente em noite fria ou O ensaio sobre a lenda do ouro verde. Nenhuma novidade temática para o país que, ainda agora, governado por uma militante torturada pelos militares, brande a bandeira do “Brasil sem miséria”. Só a estupidez ignoraria o vão das injustiças na larga base da pirâmide social. Mas o que surpreende no trabalho do Grupo Caos e Acaso de Teatro é deparar em sua cena com a tradução fundamentada da pesquisa de luz, do espaço cênico, da projeção, do acompanhamento musical ao vivo e, o ápice, munir seus atores com poética mínimas para aflorar sua capacidade inata de comediante na acepção mais nobre. leia mais »

“Jornal Nacional” ignora José Renato

escrito por vals em maio 2, 2011

Zé Renato testemunhou primeiros passos de gerações de artistas

Milton Gonçalves, Dina Sfat, Paulo José, Eva Wilma, Oduvaldo Vianna Filho, Flávio Migliaccio, Juca de Oliveira, Lélia Abramo, Lima Duarte… Quantos seriam precisos para convencer a pauta do telejornal de emissora aberta mais popular do Brasil ceder alguns dos seus frames para informar a morte do diretor e cofundador do Teatro de Arena, há 58 anos, berço de formação dos artistas que depois construíram o imaginário da telenovela brasileira? Não digo homenagear, informar. leia mais »

José Renato

escrito por vals em maio 2, 2011

Zé Renato e Zé Fernando no Congresso Brasileiro de Teatro

O ator, dramaturgo e biógrafo Oswaldo Mendes, do núcleo Arte Ciência no Palco, escreveu há pouco para dizer que José Renato Pécora morreu no início da madrugada desta segunda-feira, 2 de maio, em São Paulo. Ele sofreu enfarte. Tinha 85 anos.
“Terminada a sessão de ontem de 12 homens e uma sentença, ele foi jantar como de hábito no Planetas [restaurante frequentado pela classe teatral no bairro Bela Vista] e de lá uma amiga o levou ao Terminal do Tietê, onde ele pegaria o ônibus da meia-noite para o Rio. Ela o deixou na área de acesso ao terminal e, horas depois, recebeu ligação da enfermeira do Pronto Socorro de Santana, na Voluntários da Pátria, que localizou seu telefone no celular do próprio Zé Renato, comunicando a sua morte”, descreve Mendes, também jornalista. leia mais »

Mostra Latino-Americana de Teatro – Formas de brincar

escrito por vals em maio 1, 2011

Volante distribuído na intervenção do ERRO Grupo

O ERRO Grupo parte com tudo para cima do tema do desejo mercantil sobre a mulher. Suas três atrizes engolem o espectador masculino ou congênere com closes cavalares de olhos e bocas pintados pela imagem do gozo a qualquer custo. A persuasão está na berlinda. Alguém ainda tem dúvida por que a indústria da cerveja força a barra com corpos esculturais? Sobrou até para as devassas. A máquina da voracidade com que essa carne é historicamente barateada ganha um conteúdo contundente em Formas de brincar.
Já que as campanhas publicitárias, quem diria, soam cada vez menos subliminares, vão direto ao ponto, a intervenção delicia-se nas entrelinhas do território lúdico do sexo, aquele sobre o qual a atenção pública cai de joelhos sem pestanejar. É como se a obra jogasse com a mesma moeda – e assumisse seus riscos. Sarah Ferreira, Luana Raiter e Paula Felitto posam de beldades, tipos que se insinuam montadas em tamancos, molejos e malícias outras. Não demora, surgem uma a uma com novas roupagens da estereotipia feminina: a dançarina, a gueixa e a tradicionalista. Até arrancarem todas as fantasias e se despirem em pele de corpetes que as revelam joguetes entregues às carcaças de si. leia mais »

Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo – La mujer justa

escrito por vals em maio 1, 2011

Cena de La mujer justa, com o Teatro Circular de Montevideo

O Teatro Circular de Montevideo salvaguarda a luz do pensamento que a escrita de Sándor Márai infundi no leitor e no espectador. Escutá-lo é um antídoto, ainda que sua prosa, quase sempre, desça fundo ao inferno de cada um. Pior quando vai a pique amarrada aos tempos de guerra. Imaginar que “a dor não tem lágrimas nem palavras”, como sentencia o escritor alter ego do autor em La mujer justa, nos faz engolir em seco a aridez que a natureza humana é capaz de produzir. O niilismo, porém, não disfarça o sentimento de beleza. “Já não creio nas palavras, mas sigo amando-as.” leia mais »

Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo – Oxlajuj b’aqtun

escrito por vals em maio 1, 2011

Ritual cênico Oxlajuj b’aqtun, do grupo guatemalteco Sotzi'l

O espectador brasileiro urbano convidado a partilhar a cultura ritual dos maia-kaqchikel sente que o mundo é um grande quintal. A arquitetura da Sala Adoniran Barbosa, sua arena quadrada e vazada, é transformada num coração da selva em que a imaginação se deixa orquestrar pela música de sopro e percussiva, pelo incenso, pelo fogo, pelas máscaras, pelo espaço cênico circular que concerne ao fio da dramaturgia expressa por meio de outros elementos da cena que não só o verbo, “dialetos” outros à margem da cartografia teatral moldada pelo mundo ocidental. leia mais »

Para Antônio Araújo, Ostermeier traz Ibsen ao século XXI

escrito por vals em abril 20, 2011

Cena de Os espectros, direção de Ostermeier que Araújo comenta

Recém-concluído o período de workshops para o novo espetáculo do Teatro da Vertigem, que investiga o universo multicultural do bairro do Bom Retiro, em São Paulo – o escritor Joca Reiner Terron se debruça sobre uma primeira versão da dramaturgia até junho -, o diretor Antônio Araújo passa este abril e parte de maio na Universidade de Amsterdã, onde ministra um curso de oito semanas sobre Performance Urbana num programa de mestrado internacional. Ele aproveita a estada na capital holandesa para ir ao teatro. No último final de semana, foi ao espaço do Toneelgroep Amsterdam para conferir o terceiro Ibsen por Ostermeier em seu currículo de espectador. Os espectros, em cartaz até o final deste mês, vem somar-se à memória de Nora (2002), a versão do diretor alemão para Casa de Bonecas, e de Hedda Gabler (2005). leia mais »

Curitiba – Companhia Garagem 21

escrito por vals em abril 18, 2011

Paulo Campos e o Coelho na peça que trança Beckett e Arrabal

A Companhia Garagem 21, de São Paulo, foi ao Fringe com dois Beckett. Um, tomado como porto conceitual para experimentar fricções com Arrabal, autor espanhol que também pinta o absurdo com palavras. O outro, mais estrito às poderosas rubricas e ao pé da letra do dramaturgo irlandês. Sessenta minutos para o fim, a peça de 2008, apresentada dentro da Conexão Roosevelt, e Fim de partida, que teve estreia nacional no espaço Novelas Curitibanas, são umbilicais na formação do olhar e do ouvido do diretor Cesar Ribeiro, cujo modo de criação cultiva há 16 anos: o flerte contínuo com o cancioneiro pop, as histórias em quadrinhos, a estilização cinematográfica da luz e da edição com o blecaute, o silêncio e a distorção, enfim, tudo que soaria um amontoado trash a algumas suscetibilidades e encontra eco principalmente junto ao público jovem – ainda bem. Estilo que pode ser alinhado a três paranaenses que porventura flertam com as artes cênicas com eloquência afins: Paulo Biscaia Filho (Companhia Vigor Mortis), Paulo de Moraes (Armazém Companhia de Teatro) e Mário Bortolotto (Cemitério de Automóveis), cada um correndo em sua estrada. leia mais »

Curitiba – Tio Vânia (aos que vierem depois de nós)

escrito por vals em abril 11, 2011

Antonio Edson no papel-título com pendor cômico

O encontro do Grupo Galpão com Anton Tchekhóv, a vodka e a cachaça, pede aos atores movimentos de interiorização e exteriorização complementares que idealmente vão destilar organicidade aos personagens. Tio Vânia (aos que vierem depois de nós) é a tentativa de cohabitar esses continentes expressivos.
A intersubjetividade está para a dramaturgia do autor russo assim como o teatro popular para a linguagem do conjunto mineiro que historicamente bebe do circo, da rua e da música, entre outros elementos. O elenco do espetáculo que estreou em Curitiba ora conflui para uma terceira via ora retoma a pista mais conhecida (e segura), paradoxo à linha conceitual coassumida pela diretora convidada Yara de Novaes, do Grupo 3 de Teatro, que no ano passado montou O amor e outros estranhos rumores, adaptação de contos de Murilo Rubião. leia mais »

Curitiba – Anjo negro

escrito por vals em abril 11, 2011

Déo Garcez e Joana Seibel são Ismael e Virgínia

A popularidade de Nelson Rodrigues lotou praticamente todos os 700 lugares do Teatro da Reitoria nas sessões de Anjo negro. O espetáculo do Grupo Teatro Mosaico, de Cuiabá (MT), revelou-se bastante limitado em vários aspectos. Limitações que precisam ser situadas quanto à realidade da produção naquela capital do centro-oeste do país, em que um núcleo com 15 anos não significa, como se supõe, continuidade no trabalho de seus integrantes, aprimoramentos técnico e artístico que desaguem na solidez de linguagem. Esta vem prenunciada na percepção visionária do ator, encenador e produtor Sandro Lucose. Ele estudou no Rio de Janeiro e retornou ao Mato Grosso para lá radicar utopias. leia mais »

Curitiba – Amores (re)partidos

escrito por vals em abril 10, 2011

Perrone, Ana Paula e Mazé formam triângulo do texto de Daronco

Muito irregular Amores (re)partidos, a produção da Companhia Serial Cômicos que estreia no Fringe em sessões até hoje, último dia do Festival. O núcleo de Curitiba – em atividade desde 2005 – reúne dois textos curtos de Douglas Daronco. Ele percorre com fragilidade o chamado universo feminino. Não transcende lugares-comuns nos diálogos e situações. Mas deixa entrever potencialidades. O pior é que a encenação e a interpretação se encarregam de tornar a fruição ainda mais difícil. leia mais »

Curitiba – Murro em ponta de faca

escrito por vals em abril 9, 2011

Erica Migon é a alienada Marga no grupo de exilados

Ver Paulo José, 74 anos recém-completados, no Espaço Cênico (ex-ACT) de Curitiba, neste abril de 2011, na condição de diretor in loco do espetáculo que ele montou pela primeira vez em outubro de 1978, no Teatro de Arte Israelita Brasileira, o TAIB, em São Paulo, é testemunhar a construção de uma ponte histórica com o presente dessa arte viva no país. No Fringe até domingo, seguindo para temporada no Rio semana que vem, Murro em ponta de faca introduz gerações de espectadores a uma face menos disseminada da dramaturgia de Augusto Boal (1931-2009), contraponto aos instrumentos técnicos do Sistema Coringa ou do Teatro do Oprimido. Aqui, seu espírito crítico convive surpreendentemente bem, para quem não conhecia o texto, com as convenções do drama burguês, digamos assim, os personagens psicologicamente delineados, as contradições explícitas, o conflito pessoal levado ao ato extremo da vida numa peça em que três casais atravessam as angústias da condição do exílio político que o autor conheceu na pele. leia mais »

Curitiba – Homem piano – uma instalação para a memória

escrito por vals em abril 8, 2011

Luiz Bertazzo na sede da CiaSenhas de Teatro

O branco é associado à paz. O branco dá medo. É a cor dominante no espaço da CiaSenhas de Teatro, no centro velho de Curitiba, onde o taxista não quis me deixar porque “lá não tem teatro, lá só tem boca de fumo”, parando três quadras antes, irredutível. Não é desse medo hostil da defensiva, mais pavoroso do que os possíveis agentes, de que trata Homem piano – uma instalação para a memória, com duas sessões diárias programadas no Fringe até sábado. O roteiro tem a ver com esvaziar o HD pessoal das culpas que não são esquecidas, remoendo a impossibilidade do branco, o medo de preencher e ser preenchido. O eu e o ele de Luiz Bertazzo guiam os visitantes nesses entremeios. Desde a rua de paralelepípedos, a São Francisco, o performer fala ao microfone trechos da composição Lenda do pégaso, de Jorge Mautner, sobre o passarinho feio que virou cavalo alado na mitologia grega. “Pegue as mágoas e apague-as”, diz um verso. leia mais »

Curitiba – Sonhos para vestir

escrito por vals em abril 7, 2011

Sara Antunes interage continuamente com o público

Dirigir-se ao outro constitui prática e filosofia artísticas que Sara Antunes cultivou profundamente na cena do Grupo XIX de Teatro, do qual o espetáculo Hysteria (2000), revelado no mesmo Festival de Curitiba, é paradigmático. A interação permanece como sustentação no trabalho solo Sonhos para vestir, em que esse desejo de passagem da narrativa ficcional para o aqui e agora do espectador, em mão dupla, acresce um terceiro ponto de vista: o do documento pessoal. A morte recente de seu pai, um pensador, é um dos aspectos propulsores dessa criação a um só tempo elegia e chamado à vida em palavras e imagens. leia mais »

Curitiba – Oxigênio

escrito por vals em abril 6, 2011

Patrícia Kamis e Rodrigo Bolzan na obra da Companhia Brasileira de Teatro

O grande teatro do mundo cabe em Oxigênio. O autor russo Ivan Viripaev, de 36 anos, liquefaz um bloco maciço de ideias sobre a desordem global ao mesmo tempo em que mantém a chama acesa sobre uma história de amor trágica e, como todas, inevitavelmente ridícula. Macro e micropolíticas do poder bailam sobre as cabeças de Sacha, ele, e Sacha, ela, amantes narradores, pacifistas, guerrilheiros, seres instigados pelos poros e levados às últimas consequências – leiam-se contradições – no texto do autor inédito entre nós e na montagem de Marcio Abreu dentro da Companhia Brasileira de Teatro, sua sede no centro velho de Curitiba, no Largo da Ordem. leia mais »

Curitiba – Trilhas sonoras de amor perdidas

escrito por vals em abril 5, 2011

Weber e Natália na montagem de Hirsch que estreou no festival

Uma peça “radiofônica” perfeita para escutar, difícil de ver. Trilhas sonoras de amor perdidas põe a agulha no toca-discos como num flashback afetivo da Sutil Companhia de Teatro ao saudar o seu principal sucesso, A vida é cheia de som e fúria, 11 anos atrás, uma obra cativa aos seus admiradores. Muito do que o núcleo de Felipe Hirsch e Guilherme Weber evoluiu em termos de sofisticação de linguagem, de lá para cá, recua de forma impressionante no primeiro ato da produção que estreou no final de semana. É massante a estrutura em que o narrador lembra as fitas cassetes que gravou para a namorada e outras investidas. Um rosário de sobe-som das canções pop dos anos 1990 ou pregressas torna a relação com o público bastante restritiva. Quem partilha as lembranças do universo do encenador e autor, aqui uma espécie de DJ, dança e se cansa porque a montagem não sampleia, ou vai samplear mais tarde, quando a conexão já oscilou. leia mais »

Curitiba – Silêncio

escrito por vals em abril 4, 2011

O transformista na peça da SUBJÉTIL

O achado em Silêncio é sua capacidade de ser endógeno sem fechar janelas e portas à audiência que o visita e é introduzida à artilharia contra a ditadura do diretor e do dramaturgo. Conteúdo um tanto déjà-vu, aliás: a década passada foi pródiga em núcleos artísticos brasileiros que subverteram essa relação hierárquica. A natureza formal do trabalho da Companhia SUBJÉTIL, que, claro, também tem um diretor e autor na ficha técnica, Darlei Fernandes, “acumulando cargos”, é prova de que o antagonismo discursivo, nas raias da militância, pouco contribui para o debate estético em sua amplitude. No entanto, a metalinguagem, aqui, descola da óbvia exposição do avesso e cria um percurso independente em que inteligência e talento dão-se as mãos e produzem uma experiência singular. leia mais »

Curitiba – Preferiria não? – Por Margie Rauen

escrito por vals em abril 4, 2011

A atriz Denise Stoklos relê a obra de Melville

O texto a seguir é uma colaboração da criadora e pesquisadora Margie Gandara Rauen para o Teatrojornal. Ela acompanha a carreira de Denise Stoklos desde Um fax para Colombo (1992). Entre 2007 e 2009, coordenou um projeto de pesquisa e iniciação científica baseado na obra da atriz e integrado ao curso de Arte Educação da Universidade Estadual do Centro-Oeste/UNICENTRO, onde leciona e encabeça o Grupo de Pesquisa em Artes no campus de Guarapuava, a cerca de 250 quilômetros de Curitiba. Rauen também é diretora cênica, dramaturga e tradutora. Dois anos atrás, organizou o livro A interatividade, o controle da cena e o público como agente compositor, lançado pela editora da UFBA. Em tempo: não consegui assistir a Preferiria não? no festival.

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Curitiba – Iauretê

escrito por vals em abril 3, 2011

Kizza em imagem estlizada de Iauretê, do Grupo de Teatro Palmares Iñaron

O espetáculo Iauretê não consegue vencer os limites que a sua investigação de campo lhe impõe na hora de transformá-la em cena. O espetáculo do Teatro Palmares Iñaron, grupo de Salvador, risca o chão com os estudos afro-índígenas para um teatro étnico, ou etnodrama. Radica a mimese das ritualidades corporal e musical sem que esse material resulte propriamente em linguagem artística. A dramaturgia que poderia advir das livres adaptações da novela Meu tio, o iauaretê, de Guimarães Rosa, e do romance Maíra, de Darcy Ribeiro, soa truncada. As crises de consciência do homem que extermina onças em seu habitat, na história de Rosa, e do índio aculturado pela religião católica, conforme Ribeiro, perdem-se na meada didática com que a diretora e adpatadora Lia Spósito encara o espetáculo. leia mais »

Curitiba – No outro lado do mar…

escrito por vals em abril 3, 2011

Ana Maria Soares e Everton Machado

Doias anos atrás, a Companhia de Teatro Gente, de Salvador, trouxe ao Fringe um texto do angolano José Mena Abrantes, Amêsa – ou a canção do desespero, em que a personagem-título reafirma sua identidade e fala de violências que deixaram cicatrizes. Agora, é a vez de uma segunda peça do mesmo dramaturgo, diretor do grupo Elinga Teatro, de Luanda, o mais importante daquele país africano que fala português, entre outros dialetos, um páis conflagrado pela guerra civil após sua independência, num processo histórico transcorrido de 1975 até 2002. No outro lado do mar…, que teve quatro sessões e já se foi, deixa nas retinas a luminosidade etérea do seu chão de sal grosso reluzindo brancos, azuis e laranjas conforme avança a narrativa. Espaço cênico simbiótico para uma obra bastante sensorial em suas palavras evocativas. leia mais »

Curitiba – O butô do Mick Jagger

escrito por vals em abril 3, 2011

Ciliane Vendruscolo e Débora Vecchi na peça de Luiz Felipe Leprevost

Uma garagem de rock poderia ser o lugar mais convencional do mundo para esboçar uma história com duas vozes que cultuam seus ídolos tanto quanto uma à outra e vomitam suas dores sobre um mundo doente. A cultura pop, no entanto, não se dá de barato na composição de Luiz Felipe Leprevot para o texto e a direção de O butô do Mick Jagger, esse título sensacional de cara. Inexistem liquidificações ou platitudes em nome do vocalista dos Rolling Stones ou do Nirvana, Kurt Kubain, o cantor suicida citado como ventre nesse enredo sobre feridas da fama. leia mais »

Curitiba – O livro

escrito por vals em abril 1, 2011

Moscovis em cena de O livro, direção de Jatahy

A recepção ao espetáculo O livro foi bastante prejudicada em sua passagem por Curitiba. Mais um exemplo do quanto o artista cede à organização do festival e violenta a criação. Ou vice-versa. A montagem de Christiane Jatahy é prejudicada, de largada, pela escala monumental do espaço que não condiz com a proposta que intuímos intimista. A disposição das cadeiras, sem desnível suficiente, obstruiu o campo de visão, piada pronta para uma obra de Newton Moreno que toca em metáforas da leitura e da cegueira. Texturas. leia mais »

Curitiba – Tercer cuerpo (la historia de un intento absurdo)

escrito por vals em março 31, 2011

Daniela Pa, José María Marcos e Ana Garibaldi em cena - Divulgação.

“Como fazem os outros?”. A pergunta é lançada por uma das personagens na parte final, quando as emoções descarrilam de vez entre aquelas paredes e as cinco vidas compartidas um pouco ao acaso, um pouco pela sincronia de desejos frustrados. Tercer cuerpo (la historia de un intento absurdo) cozinha o estranhamento em banho-maria até furar todas as couraças e irromper. As tintas de uma sitcom, os contornos de uma comédia de costumes, essas camadas cintilantes ao espectador confortado pelo humor acabam revelando tumores d’alma. Mais um ponto para a dramaturgia e direção de Claudio Tolcachir, um dos sopros da cena contemporânea argentina com a sua companhia e escola de teatro Timbre 4, de Buenos Aires. leia mais »

Curitiba – Sua incelença, Ricardo III

escrito por vals em março 30, 2011

Marco França é Ricardo III na montagem de Gabriel Villela

Os mais de 30 anos de carreira de Gabriel Villela desautorizam qualquer noção de pureza nos campos do popular e do erudito. O encontro com o grupo Clowns de Shakespeare em Sua incelença, Ricardo III ratifica esse lugar da contaminação desbragada. A visão antropofágica do diretor casa-se, em parte, à pesquisa de linguagem do núcleo potiguar adepto das fontes hibridas. leia mais »

Ney Piacentini vence pela quarta vez na Cooperativa Paulista

escrito por vals em março 29, 2011

Ney Piacentini durante fala no púlpito do Congresso Nacional de Teatro

A habilidade política de Ney Piacentini no manejo do Congresso Brasileiro de Teatro, culminado por ato prestigiado em peso pelo MinC, na tarde de domingo passado, foi embalada pela sua recondução, pela quarta vez consecutiva, à presidência da Cooperativa Paulista de Teatro (CPT). Um poder exercido desde 2005 por esse ator paranaense de Campo Mourão, com passagens por Florianópolis e radicado em São Paulo, cofundador da Companhia do Latão nos anos 1990, sujeito bem-humorado e conhecido nos bastidores pelo pavio curto quando confrontado. leia mais »

O teatro e o governo Dilma, primeiro ato

escrito por vals em março 25, 2011

A ministra Ana de Hollanda em seu gabinete

Os trabalhadores do teatro têm seu primeiro encontro formal com o governo Dilma Rousseff neste sábado e domingo, quando a ministra Ana de Hollanda (Cultura) e seus principais subordinados na área, o presidente da Funarte, o ator Antonio Grassi, e o secretário de Políticas Culturais, o também ator Sérgio Mamberti, marcam presença no último dia do Congresso Brasileiro de Teatro. leia mais »