Mostra Latino-Americana – Café quente em noite fria…

escrito por vals em 4 de maio de 2011 – 1:10 -

Glauco Garcia em cena com o Grupo Caos e Acaso, de Londrina

2011. O grupo fala em reafirmar um teatro popular. Saúda o Teatro do Oprimido, as técnicas e a filosofia irradiadas por Augusto Boal no exílio, o Brasil sob ditadura. Cita outros dramaturgos que resistiram com talento, Gianfrancesco Guarnieri, Oduvaldo Vianna Filho. E leva para a cena a exploração de homens e mulheres no campo, narrativa de Café quente em noite fria ou O ensaio sobre a lenda do ouro verde. Nenhuma novidade temática para o país que, ainda agora, governado por uma militante torturada pelos militares, brande a bandeira do “Brasil sem miséria”. Só a estupidez ignoraria o vão das injustiças na larga base da pirâmide social. Mas o que surpreende no trabalho do Grupo Caos e Acaso de Teatro é deparar em sua cena com a tradução fundamentada da pesquisa de luz, do espaço cênico, da projeção, do acompanhamento musical ao vivo e, o ápice, munir seus atores com poética mínimas para aflorar sua capacidade inata de comediante na acepção mais nobre. Read more »

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Curitiba – Murro em ponta de faca

escrito por vals em 9 de abril de 2011 – 19:10 -

Erica Migon é a alienada Marga no grupo de exilados

Ver Paulo José, 74 anos recém-completados, no Espaço Cênico (ex-ACT) de Curitiba, neste abril de 2011, na condição de diretor in loco do espetáculo que ele montou pela primeira vez em outubro de 1978, no Teatro de Arte Israelita Brasileira, o TAIB, em São Paulo, é testemunhar a construção de uma ponte histórica com o presente dessa arte viva no país. No Fringe até domingo, seguindo para temporada no Rio semana que vem, Murro em ponta de faca introduz gerações de espectadores a uma face menos disseminada da dramaturgia de Augusto Boal (1931-2009), contraponto aos instrumentos técnicos do Sistema Coringa ou do Teatro do Oprimido. Aqui, seu espírito crítico convive surpreendentemente bem, para quem não conhecia o texto, com as convenções do drama burguês, digamos assim, os personagens psicologicamente delineados, as contradições explícitas, o conflito pessoal levado ao ato extremo da vida numa peça em que três casais atravessam as angústias da condição do exílio político que o autor conheceu na pele. Read more »

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Curitiba – Trilhas sonoras de amor perdidas

escrito por vals em 5 de abril de 2011 – 23:45 -

Weber e Natália na montagem de Hirsch que estreou no festival

Uma peça “radiofônica” perfeita para escutar, difícil de ver. Trilhas sonoras de amor perdidas põe a agulha no toca-discos como num flashback afetivo da Sutil Companhia de Teatro ao saudar o seu principal sucesso, A vida é cheia de som e fúria, 11 anos atrás, uma obra cativa aos seus admiradores. Muito do que o núcleo de Felipe Hirsch e Guilherme Weber evoluiu em termos de sofisticação de linguagem, de lá para cá, recua de forma impressionante no primeiro ato da produção que estreou no final de semana. É massante a estrutura em que o narrador lembra as fitas cassetes que gravou para a namorada e outras investidas. Um rosário de sobe-som das canções pop dos anos 1990 ou pregressas torna a relação com o público bastante restritiva. Quem partilha as lembranças do universo do encenador e autor, aqui uma espécie de DJ, dança e se cansa porque a montagem não sampleia, ou vai samplear mais tarde, quando a conexão já oscilou. Read more »

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Para ver no Fringe

escrito por vals em 9 de março de 2011 – 15:33 -

Relaciono 13 espetáculos – nove deles aos quais já assisti e outros quatros por simbiose – na programação do Fringe no Festival de Curitiba que abre no dia 29 de março, mas a mostra paralela no dia seguinte. Também destaco no evento uma mesa-redonda com dramaturgos de Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Curitiba e outras localidades. Além de um encontro com Paulo José em que traz a público o processo em andamento de Murro em ponta de faca, peça de Augusto Boal que ele montou pela primeira vez em 1978. No post seguinte, enumero as criações pelas quais vale a pena o espectador arriscar-se na busca por trabalhos de qualidade entre cerca de 370 opções.Sete vezes a dramaturgia ímpar de Francisco Carlos

Cena do espetáculo Românticos da catedral bêbada, texto e direção de Francisco Carlos

Por que: Agenda obrigatória no Festival para sincronizar a dramaturgia singular e inominável desse autor amazonense. É um privilégio contar com o repertório do diretor radicado em São Paulo. Seu texto e sua cena jorram um ímpeto parabólico do nosso tempo. Um quê da escrita urgente e poética de Oswald de Andrade. Há uma forte carga existencial, pois formado em filosofia e infuenciado pela antropologia. Borra territórios culturais e desconcerta os sentidos do caos para fazer história. Os sete espetáculos percorrem as categorias de peças que ele denomina “pensamentos selvagens” (a tetralogia Jaguar cibernético) e “fenômenos extremos urbanos” (Banana mecânica, Namorados da catedral bêbada e Românticos da idade mídia). As apresentações fazem parte da Conexão Roosevelt, segmento capitaneado pela Companhia de Teatro Os Satyros, cuja sede na praça paulistana tornou-se espaço cativo aos experimentos de Francisco Carlos. Read more »

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