Curitiba – Companhia Garagem 21

escrito por vals em 18 de abril de 2011 – 0:37 -

Paulo Campos e o Coelho na peça que trança Beckett e Arrabal

A Companhia Garagem 21, de São Paulo, foi ao Fringe com dois Beckett. Um, tomado como porto conceitual para experimentar fricções com Arrabal, autor espanhol que também pinta o absurdo com palavras. O outro, mais estrito às poderosas rubricas e ao pé da letra do dramaturgo irlandês. Sessenta minutos para o fim, a peça de 2008, apresentada dentro da Conexão Roosevelt, e Fim de partida, que teve estreia nacional no espaço Novelas Curitibanas, são umbilicais na formação do olhar e do ouvido do diretor Cesar Ribeiro, cujo modo de criação cultiva há 16 anos: o flerte contínuo com o cancioneiro pop, as histórias em quadrinhos, a estilização cinematográfica da luz e da edição com o blecaute, o silêncio e a distorção, enfim, tudo que soaria um amontoado trash a algumas suscetibilidades e encontra eco principalmente junto ao público jovem – ainda bem. Estilo que pode ser alinhado a três paranaenses que porventura flertam com as artes cênicas com eloquência afins: Paulo Biscaia Filho (Companhia Vigor Mortis), Paulo de Moraes (Armazém Companhia de Teatro) e Mário Bortolotto (Cemitério de Automóveis), cada um correndo em sua estrada. Read more »

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Curitiba – Tio Vânia (aos que vierem depois de nós)

escrito por vals em 11 de abril de 2011 – 16:52 -

Antonio Edson no papel-título com pendor cômico

O encontro do Grupo Galpão com Anton Tchekhóv, a vodka e a cachaça, pede aos atores movimentos de interiorização e exteriorização complementares que idealmente vão destilar organicidade aos personagens. Tio Vânia (aos que vierem depois de nós) é a tentativa de cohabitar esses continentes expressivos.
A intersubjetividade está para a dramaturgia do autor russo assim como o teatro popular para a linguagem do conjunto mineiro que historicamente bebe do circo, da rua e da música, entre outros elementos. O elenco do espetáculo que estreou em Curitiba ora conflui para uma terceira via ora retoma a pista mais conhecida (e segura), paradoxo à linha conceitual coassumida pela diretora convidada Yara de Novaes, do Grupo 3 de Teatro, que no ano passado montou O amor e outros estranhos rumores, adaptação de contos de Murilo Rubião. Read more »

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Curitiba – Anjo negro

escrito por vals em 11 de abril de 2011 – 1:21 -

Déo Garcez e Joana Seibel são Ismael e Virgínia

A popularidade de Nelson Rodrigues lotou praticamente todos os 700 lugares do Teatro da Reitoria nas sessões de Anjo negro. O espetáculo do Grupo Teatro Mosaico, de Cuiabá (MT), revelou-se bastante limitado em vários aspectos. Limitações que precisam ser situadas quanto à realidade da produção naquela capital do centro-oeste do país, em que um núcleo com 15 anos não significa, como se supõe, continuidade no trabalho de seus integrantes, aprimoramentos técnico e artístico que desaguem na solidez de linguagem. Esta vem prenunciada na percepção visionária do ator, encenador e produtor Sandro Lucose. Ele estudou no Rio de Janeiro e retornou ao Mato Grosso para lá radicar utopias. Read more »

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Curitiba – Amores (re)partidos

escrito por vals em 10 de abril de 2011 – 9:31 -

Perrone, Ana Paula e Mazé formam triângulo do texto de Daronco

Muito irregular Amores (re)partidos, a produção da Companhia Serial Cômicos que estreia no Fringe em sessões até hoje, último dia do Festival. O núcleo de Curitiba – em atividade desde 2005 – reúne dois textos curtos de Douglas Daronco. Ele percorre com fragilidade o chamado universo feminino. Não transcende lugares-comuns nos diálogos e situações. Mas deixa entrever potencialidades. O pior é que a encenação e a interpretação se encarregam de tornar a fruição ainda mais difícil. Read more »

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Curitiba – Murro em ponta de faca

escrito por vals em 9 de abril de 2011 – 19:10 -

Erica Migon é a alienada Marga no grupo de exilados

Ver Paulo José, 74 anos recém-completados, no Espaço Cênico (ex-ACT) de Curitiba, neste abril de 2011, na condição de diretor in loco do espetáculo que ele montou pela primeira vez em outubro de 1978, no Teatro de Arte Israelita Brasileira, o TAIB, em São Paulo, é testemunhar a construção de uma ponte histórica com o presente dessa arte viva no país. No Fringe até domingo, seguindo para temporada no Rio semana que vem, Murro em ponta de faca introduz gerações de espectadores a uma face menos disseminada da dramaturgia de Augusto Boal (1931-2009), contraponto aos instrumentos técnicos do Sistema Coringa ou do Teatro do Oprimido. Aqui, seu espírito crítico convive surpreendentemente bem, para quem não conhecia o texto, com as convenções do drama burguês, digamos assim, os personagens psicologicamente delineados, as contradições explícitas, o conflito pessoal levado ao ato extremo da vida numa peça em que três casais atravessam as angústias da condição do exílio político que o autor conheceu na pele. Read more »

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Curitiba – Homem piano – uma instalação para a memória

escrito por vals em 8 de abril de 2011 – 9:20 -

Luiz Bertazzo na sede da CiaSenhas de Teatro

O branco é associado à paz. O branco dá medo. É a cor dominante no espaço da CiaSenhas de Teatro, no centro velho de Curitiba, onde o taxista não quis me deixar porque “lá não tem teatro, lá só tem boca de fumo”, parando três quadras antes, irredutível. Não é desse medo hostil da defensiva, mais pavoroso do que os possíveis agentes, de que trata Homem piano – uma instalação para a memória, com duas sessões diárias programadas no Fringe até sábado. O roteiro tem a ver com esvaziar o HD pessoal das culpas que não são esquecidas, remoendo a impossibilidade do branco, o medo de preencher e ser preenchido. O eu e o ele de Luiz Bertazzo guiam os visitantes nesses entremeios. Desde a rua de paralelepípedos, a São Francisco, o performer fala ao microfone trechos da composição Lenda do pégaso, de Jorge Mautner, sobre o passarinho feio que virou cavalo alado na mitologia grega. “Pegue as mágoas e apague-as”, diz um verso. Read more »

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Curitiba – Sonhos para vestir

escrito por vals em 7 de abril de 2011 – 19:12 -

Sara Antunes interage continuamente com o público

Dirigir-se ao outro constitui prática e filosofia artísticas que Sara Antunes cultivou profundamente na cena do Grupo XIX de Teatro, do qual o espetáculo Hysteria (2000), revelado no mesmo Festival de Curitiba, é paradigmático. A interação permanece como sustentação no trabalho solo Sonhos para vestir, em que esse desejo de passagem da narrativa ficcional para o aqui e agora do espectador, em mão dupla, acresce um terceiro ponto de vista: o do documento pessoal. A morte recente de seu pai, um pensador, é um dos aspectos propulsores dessa criação a um só tempo elegia e chamado à vida em palavras e imagens. Read more »

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Curitiba – Oxigênio

escrito por vals em 6 de abril de 2011 – 14:51 -

Patrícia Kamis e Rodrigo Bolzan na obra da Companhia Brasileira de Teatro

O grande teatro do mundo cabe em Oxigênio. O autor russo Ivan Viripaev, de 36 anos, liquefaz um bloco maciço de ideias sobre a desordem global ao mesmo tempo em que mantém a chama acesa sobre uma história de amor trágica e, como todas, inevitavelmente ridícula. Macro e micropolíticas do poder bailam sobre as cabeças de Sacha, ele, e Sacha, ela, amantes narradores, pacifistas, guerrilheiros, seres instigados pelos poros e levados às últimas consequências – leiam-se contradições – no texto do autor inédito entre nós e na montagem de Marcio Abreu dentro da Companhia Brasileira de Teatro, sua sede no centro velho de Curitiba, no Largo da Ordem. Read more »

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Curitiba – Silêncio

escrito por vals em 4 de abril de 2011 – 14:35 -

O transformista na peça da SUBJÉTIL

O achado em Silêncio é sua capacidade de ser endógeno sem fechar janelas e portas à audiência que o visita e é introduzida à artilharia contra a ditadura do diretor e do dramaturgo. Conteúdo um tanto déjà-vu, aliás: a década passada foi pródiga em núcleos artísticos brasileiros que subverteram essa relação hierárquica. A natureza formal do trabalho da Companhia SUBJÉTIL, que, claro, também tem um diretor e autor na ficha técnica, Darlei Fernandes, “acumulando cargos”, é prova de que o antagonismo discursivo, nas raias da militância, pouco contribui para o debate estético em sua amplitude. No entanto, a metalinguagem, aqui, descola da óbvia exposição do avesso e cria um percurso independente em que inteligência e talento dão-se as mãos e produzem uma experiência singular. Read more »

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Curitiba – Preferiria não? – Por Margie Rauen

escrito por vals em 4 de abril de 2011 – 12:44 -

A atriz Denise Stoklos relê a obra de Melville

O texto a seguir é uma colaboração da criadora e pesquisadora Margie Gandara Rauen para o Teatrojornal. Ela acompanha a carreira de Denise Stoklos desde Um fax para Colombo (1992). Entre 2007 e 2009, coordenou um projeto de pesquisa e iniciação científica baseado na obra da atriz e integrado ao curso de Arte Educação da Universidade Estadual do Centro-Oeste/UNICENTRO, onde leciona e encabeça o Grupo de Pesquisa em Artes no campus de Guarapuava, a cerca de 250 quilômetros de Curitiba. Rauen também é diretora cênica, dramaturga e tradutora. Dois anos atrás, organizou o livro A interatividade, o controle da cena e o público como agente compositor, lançado pela editora da UFBA. Em tempo: não consegui assistir a Preferiria não? no festival.

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