Curitiba – Companhia Garagem 21

escrito por vals em 18 de abril de 2011 – 0:37 -

Paulo Campos e o Coelho na peça que trança Beckett e Arrabal

A Companhia Garagem 21, de São Paulo, foi ao Fringe com dois Beckett. Um, tomado como porto conceitual para experimentar fricções com Arrabal, autor espanhol que também pinta o absurdo com palavras. O outro, mais estrito às poderosas rubricas e ao pé da letra do dramaturgo irlandês. Sessenta minutos para o fim, a peça de 2008, apresentada dentro da Conexão Roosevelt, e Fim de partida, que teve estreia nacional no espaço Novelas Curitibanas, são umbilicais na formação do olhar e do ouvido do diretor Cesar Ribeiro, cujo modo de criação cultiva há 16 anos: o flerte contínuo com o cancioneiro pop, as histórias em quadrinhos, a estilização cinematográfica da luz e da edição com o blecaute, o silêncio e a distorção, enfim, tudo que soaria um amontoado trash a algumas suscetibilidades e encontra eco principalmente junto ao público jovem – ainda bem. Estilo que pode ser alinhado a três paranaenses que porventura flertam com as artes cênicas com eloquência afins: Paulo Biscaia Filho (Companhia Vigor Mortis), Paulo de Moraes (Armazém Companhia de Teatro) e Mário Bortolotto (Cemitério de Automóveis), cada um correndo em sua estrada. Read more »

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Curitiba – Amores (re)partidos

escrito por vals em 10 de abril de 2011 – 9:31 -

Perrone, Ana Paula e Mazé formam triângulo do texto de Daronco

Muito irregular Amores (re)partidos, a produção da Companhia Serial Cômicos que estreia no Fringe em sessões até hoje, último dia do Festival. O núcleo de Curitiba – em atividade desde 2005 – reúne dois textos curtos de Douglas Daronco. Ele percorre com fragilidade o chamado universo feminino. Não transcende lugares-comuns nos diálogos e situações. Mas deixa entrever potencialidades. O pior é que a encenação e a interpretação se encarregam de tornar a fruição ainda mais difícil. Read more »

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Curitiba – Murro em ponta de faca

escrito por vals em 9 de abril de 2011 – 19:10 -

Erica Migon é a alienada Marga no grupo de exilados

Ver Paulo José, 74 anos recém-completados, no Espaço Cênico (ex-ACT) de Curitiba, neste abril de 2011, na condição de diretor in loco do espetáculo que ele montou pela primeira vez em outubro de 1978, no Teatro de Arte Israelita Brasileira, o TAIB, em São Paulo, é testemunhar a construção de uma ponte histórica com o presente dessa arte viva no país. No Fringe até domingo, seguindo para temporada no Rio semana que vem, Murro em ponta de faca introduz gerações de espectadores a uma face menos disseminada da dramaturgia de Augusto Boal (1931-2009), contraponto aos instrumentos técnicos do Sistema Coringa ou do Teatro do Oprimido. Aqui, seu espírito crítico convive surpreendentemente bem, para quem não conhecia o texto, com as convenções do drama burguês, digamos assim, os personagens psicologicamente delineados, as contradições explícitas, o conflito pessoal levado ao ato extremo da vida numa peça em que três casais atravessam as angústias da condição do exílio político que o autor conheceu na pele. Read more »

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Curitiba – Oxigênio

escrito por vals em 6 de abril de 2011 – 14:51 -

Patrícia Kamis e Rodrigo Bolzan na obra da Companhia Brasileira de Teatro

O grande teatro do mundo cabe em Oxigênio. O autor russo Ivan Viripaev, de 36 anos, liquefaz um bloco maciço de ideias sobre a desordem global ao mesmo tempo em que mantém a chama acesa sobre uma história de amor trágica e, como todas, inevitavelmente ridícula. Macro e micropolíticas do poder bailam sobre as cabeças de Sacha, ele, e Sacha, ela, amantes narradores, pacifistas, guerrilheiros, seres instigados pelos poros e levados às últimas consequências – leiam-se contradições – no texto do autor inédito entre nós e na montagem de Marcio Abreu dentro da Companhia Brasileira de Teatro, sua sede no centro velho de Curitiba, no Largo da Ordem. Read more »

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Curitiba – Silêncio

escrito por vals em 4 de abril de 2011 – 14:35 -

O transformista na peça da SUBJÉTIL

O achado em Silêncio é sua capacidade de ser endógeno sem fechar janelas e portas à audiência que o visita e é introduzida à artilharia contra a ditadura do diretor e do dramaturgo. Conteúdo um tanto déjà-vu, aliás: a década passada foi pródiga em núcleos artísticos brasileiros que subverteram essa relação hierárquica. A natureza formal do trabalho da Companhia SUBJÉTIL, que, claro, também tem um diretor e autor na ficha técnica, Darlei Fernandes, “acumulando cargos”, é prova de que o antagonismo discursivo, nas raias da militância, pouco contribui para o debate estético em sua amplitude. No entanto, a metalinguagem, aqui, descola da óbvia exposição do avesso e cria um percurso independente em que inteligência e talento dão-se as mãos e produzem uma experiência singular. Read more »

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Curitiba – No outro lado do mar…

escrito por vals em 3 de abril de 2011 – 12:51 -

Ana Maria Soares e Everton Machado

Doias anos atrás, a Companhia de Teatro Gente, de Salvador, trouxe ao Fringe um texto do angolano José Mena Abrantes, Amêsa – ou a canção do desespero, em que a personagem-título reafirma sua identidade e fala de violências que deixaram cicatrizes. Agora, é a vez de uma segunda peça do mesmo dramaturgo, diretor do grupo Elinga Teatro, de Luanda, o mais importante daquele país africano que fala português, entre outros dialetos, um páis conflagrado pela guerra civil após sua independência, num processo histórico transcorrido de 1975 até 2002. No outro lado do mar…, que teve quatro sessões e já se foi, deixa nas retinas a luminosidade etérea do seu chão de sal grosso reluzindo brancos, azuis e laranjas conforme avança a narrativa. Espaço cênico simbiótico para uma obra bastante sensorial em suas palavras evocativas. Read more »

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Curitiba – O butô do Mick Jagger

escrito por vals em 3 de abril de 2011 – 10:31 -

Ciliane Vendruscolo e Débora Vecchi na peça de Luiz Felipe Leprevost

Uma garagem de rock poderia ser o lugar mais convencional do mundo para esboçar uma história com duas vozes que cultuam seus ídolos tanto quanto uma à outra e vomitam suas dores sobre um mundo doente. A cultura pop, no entanto, não se dá de barato na composição de Luiz Felipe Leprevot para o texto e a direção de O butô do Mick Jagger, esse título sensacional de cara. Inexistem liquidificações ou platitudes em nome do vocalista dos Rolling Stones ou do Nirvana, Kurt Kubain, o cantor suicida citado como ventre nesse enredo sobre feridas da fama. Read more »

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Para arriscar-se no Fringe

escrito por vals em 9 de março de 2011 – 15:34 -

Caio Rodrigo é Verlaine em Pólvora e poesia, por Guerreiro, de Salvador

Elenco 19 criações inéditas para este espectador e que estarão em cartaz no Fringe do Festival de Curitiba, de 30 de março a 10 de abril. O teatro de pesquisa é o norte. Históricos de núcleos que acompanho, parcerias artísticas e intuições guiam-me a conhecer outras geografias e modos de fazer e produzir pelo Norte e Nordeste. São algumas referências entre as cerca de 370 montagens da mostra paralela vindas de 19 Estados e Distrito Federal, conforme a organização. No post anterior, menciono os trabalhos que já assisti. Read more »

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Para ver no Fringe

escrito por vals em 9 de março de 2011 – 15:33 -

Relaciono 13 espetáculos – nove deles aos quais já assisti e outros quatros por simbiose – na programação do Fringe no Festival de Curitiba que abre no dia 29 de março, mas a mostra paralela no dia seguinte. Também destaco no evento uma mesa-redonda com dramaturgos de Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Curitiba e outras localidades. Além de um encontro com Paulo José em que traz a público o processo em andamento de Murro em ponta de faca, peça de Augusto Boal que ele montou pela primeira vez em 1978. No post seguinte, enumero as criações pelas quais vale a pena o espectador arriscar-se na busca por trabalhos de qualidade entre cerca de 370 opções.Sete vezes a dramaturgia ímpar de Francisco Carlos

Cena do espetáculo Românticos da catedral bêbada, texto e direção de Francisco Carlos

Por que: Agenda obrigatória no Festival para sincronizar a dramaturgia singular e inominável desse autor amazonense. É um privilégio contar com o repertório do diretor radicado em São Paulo. Seu texto e sua cena jorram um ímpeto parabólico do nosso tempo. Um quê da escrita urgente e poética de Oswald de Andrade. Há uma forte carga existencial, pois formado em filosofia e infuenciado pela antropologia. Borra territórios culturais e desconcerta os sentidos do caos para fazer história. Os sete espetáculos percorrem as categorias de peças que ele denomina “pensamentos selvagens” (a tetralogia Jaguar cibernético) e “fenômenos extremos urbanos” (Banana mecânica, Namorados da catedral bêbada e Românticos da idade mídia). As apresentações fazem parte da Conexão Roosevelt, segmento capitaneado pela Companhia de Teatro Os Satyros, cuja sede na praça paulistana tornou-se espaço cativo aos experimentos de Francisco Carlos. Read more »

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