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Ileana e Miguel
escrito por vals em 4 de dezembro de 2010 – 16:36 -
Ileana Diéguez, pesquisadora da Universidad Autónoma Metropolitana, no México, que esteve em Porto Alegre - foto: UAM/Divulgação
Ela nasceu em Cuba e vive no México. Ele, nasceu e vive no Peru. Iliena Diéguez trilhou as artes cênicas pela perspectiva da investigação acadêmica em diálogo permanente e direto com os criadores. Miguel Rubio Zapata mirou a prática e a pesquisa em criação elegendo pontos de contato com a reflexão desde dentro. Os cinco dias de convivência com eles em Porto Alegre permitiram-me testemunhar seus discursos e atitudes para com o teatro. Uma amizade de décadas que tem interseção com o Grupo Cultural Yuyachkani, do qual o diretor e dramaturgo Miguel é cofundador e Ileana, sua interlocutora privilegiada e provocadora nas últimas décadas. Os artistas da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz fizeram a ponte e sobre ela atravessamos a jornada do seminário que friccionou teatro, performance e política. Ileana será traduzida no Brasil, no início de 2011, com Cenários liminares. teatralidade, performance e política (editora UFBA, por Luis Alberto Alonso e Angela Reis). Miguel finaliza um livro de entrevistas e anotações que nortearam sua convivência com mestres da cena latino-americana, como o colombiano Enrique Buanaventura, o uruguaio Atahualpa del Cioppo e Antunes Filho, com quem foi uma espécie de observador participativo de uma oficina do diretor brasileiro num dos encontros da Escuela Internacional de Teatro de America Latina y el Caribe (EITALC). Ileana voou ontem à noite de volta para casa. Na madrugada de hoje, prestes a embarcar também, Miguel circulava no aeroporto carregando nas mãos um chapéu branco elegante, à maneira dos panamás, cujo trançado artesão em material sintético o levou a comprar a fim de experimentar no figurino de uma das atrizes numa das cenas de El último ensaio, no repertório desde 2008, na passagem em que ela interpreta uma diva do canto lírico inspirada na peruana Yma Sumac. Prova de que o espetáculo nunca acaba, contrariando seu caráter efêmero, reinventado a cada sessão com solitude e cumplicidade raras como as acima.
Seminário do Ói Nóis em Porto Alegre
escrito por vals em 1 de dezembro de 2010 – 12:22 -
Particpo em Porto Alegre do seminário Teatro, performance e política, organizado pela Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo, iniciativa da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz. Partilhamos o tema Ileana Diéguez, pesquisadora do México; Miguel Rubio Zapata, diretor cofundador do Grupo Cultural Yuyachkani, do Peru; a professora e pesquisadora Silvana Garcia, da USP; e a pesquisadora Stela Fischer, de São Paulo, que vem lançar e discorrer sobre seu livro recém-lançado, Processo colaborativo e experiências de companhias teatrais brasileliras (editora Hucitec), um estudo sobre as práticas coletivizadas nas criações de Latão, Lume, Ói Nóis e Vertigem. Minha fala, ontem, aproximou os espetáculos A título personal, do Teatro La Candelaria, 44 anos de atividade em Bogotá, e El último ensaio, do Yuyachkani, prestes a completar 40 anos atuando em Lima. Trabalhos estreados em 2008 e que aproximam-se em pontos formais e de conteúdo, como escrevi em artigo editado ontem pelo Segundo caderno do jornal Zero Hora e disponibilizado na íntegra no blog de artes cênicas do periódico gaúcho, Quarta parede. O encontro marca ainda o lançamento da nona edição da revista Cavalo louco editada pelo Ói Nóis.


