Para ver no Fringe

escrito por vals em 9 de março de 2011 – 15:33 -

Relaciono 13 espetáculos – nove deles aos quais já assisti e outros quatros por simbiose – na programação do Fringe no Festival de Curitiba que abre no dia 29 de março, mas a mostra paralela no dia seguinte. Também destaco no evento uma mesa-redonda com dramaturgos de Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Curitiba e outras localidades. Além de um encontro com Paulo José em que traz a público o processo em andamento de Murro em ponta de faca, peça de Augusto Boal que ele montou pela primeira vez em 1978. No post seguinte, enumero as criações pelas quais vale a pena o espectador arriscar-se na busca por trabalhos de qualidade entre cerca de 370 opções.Sete vezes a dramaturgia ímpar de Francisco Carlos

Cena do espetáculo Românticos da catedral bêbada, texto e direção de Francisco Carlos

Por que: Agenda obrigatória no Festival para sincronizar a dramaturgia singular e inominável desse autor amazonense. É um privilégio contar com o repertório do diretor radicado em São Paulo. Seu texto e sua cena jorram um ímpeto parabólico do nosso tempo. Um quê da escrita urgente e poética de Oswald de Andrade. Há uma forte carga existencial, pois formado em filosofia e infuenciado pela antropologia. Borra territórios culturais e desconcerta os sentidos do caos para fazer história. Os sete espetáculos percorrem as categorias de peças que ele denomina “pensamentos selvagens” (a tetralogia Jaguar cibernético) e “fenômenos extremos urbanos” (Banana mecânica, Namorados da catedral bêbada e Românticos da idade mídia). As apresentações fazem parte da Conexão Roosevelt, segmento capitaneado pela Companhia de Teatro Os Satyros, cuja sede na praça paulistana tornou-se espaço cativo aos experimentos de Francisco Carlos. Read more »

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Presença líquida

escrito por vals em 29 de novembro de 2010 – 10:09 -

Camila Gama em cena de Savana glacial, do núcleo Físico de Teatro, do Rio, sob direção de Renato Carrera e texto de Jô Bilac - foto: Val Lima

Uma das portas de entrada para Savana glacial é a do escritor diante de seu processo criativo. Jô Bilac, que passou pelo Festival Recife com Rebú (Companhia Teatro Independente), deleita-se agora com a metalinguagem. Há um narrador insinuado, o intelectual enredado por personagens desbotados, inclinados mais a figuras tateando um roteiro, situações cumulativas que permitem ao espectador também palmilhar o seu caminho. Um labirinto simbolizado pela perda de memória recente de que padece a mulher central. O contexto estilhaça as noções de realidade e ficção: o ponto de vista dela inquire aqueles que a cercam, e estes tanto procuram guiá-la pelo imediato como são transformados em seres imaginários. Read more »

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Orquestra de espasmos e espantos

escrito por vals em 23 de novembro de 2010 – 12:28 -

A partir da esquerda, Pismel, Marini, Verlings e Becker, integrantes da Companhia Teatro Independente em Rebú - foto: Fernando Filho

No país que cultua a telenovela como poucos, a Companhia Teatro Independente, do Rio, esmera-se na pesquisa empenhada do melodrama. Rebú descortina todos os elementos constitutivos daquela expressão esparramada do popular, a toada sentimental e patética, o elogio do artifício escancarado diante de um espectador tangido pela contenda do bem contra o mal. Para começo de conversa, uma pergunta tão longa como aqueles gestos dos atores afins: como expor os mecanismos tipificados da interpretação e do texto, no limite do didatismo, sem macular a fruição do espectador que está ali para se deixar enredar, emocional e poeticamente, se assim os artistas o permitirem? A encenação e a dramaturgia respondem à empreitada com inteireza. Surpreende a segurança com que o núcleo de jovens artistas experimenta e atualiza esses recursos longevos estando apenas na sua segunda montagem – não por acaso, sucessora da verve rodriguiana que nutriu Cachorro!. Read more »

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