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A irresponsabilidade assumida de Raúl Ruiz
escrito por vals em 12 de fevereiro de 2011 – 19:48 -O cineasta chileno de 69 anos criou especialmente para o Festival Santiago a Mil Amledi, el tonto, sua releitura da obra medieval que teria inspirado Shakespeare a escrever Hamlet. Raúl Ruiz funde a fantasia dos contos de fada ao surrealismo na composição algo anárquica da cena. Espirituoso e bem-humorado, ele admite visitar o teatro com mais “irresponsabilidade” que sua maestria na sétima arte supõe em obras-primas como o longa Mistério em Lisboa, prêmio da crítica na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo no ano passado. Leia aqui a entrevista com ele, realizada antes de uma das sessões. Também registro no site o que vi nos nove dias de festival – que durou todo o janeiro -, entre espetáculos do suíço Christoph Marthaler, do chileno Guillermo Calderón, do peruano Miguel Ruibo Zapata e dos argentinos Claudio Tolcachir e Lola Arias.
Ileana e Miguel
escrito por vals em 4 de dezembro de 2010 – 16:36 -
Ileana Diéguez, pesquisadora da Universidad Autónoma Metropolitana, no México, que esteve em Porto Alegre - foto: UAM/Divulgação
Ela nasceu em Cuba e vive no México. Ele, nasceu e vive no Peru. Iliena Diéguez trilhou as artes cênicas pela perspectiva da investigação acadêmica em diálogo permanente e direto com os criadores. Miguel Rubio Zapata mirou a prática e a pesquisa em criação elegendo pontos de contato com a reflexão desde dentro. Os cinco dias de convivência com eles em Porto Alegre permitiram-me testemunhar seus discursos e atitudes para com o teatro. Uma amizade de décadas que tem interseção com o Grupo Cultural Yuyachkani, do qual o diretor e dramaturgo Miguel é cofundador e Ileana, sua interlocutora privilegiada e provocadora nas últimas décadas. Os artistas da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz fizeram a ponte e sobre ela atravessamos a jornada do seminário que friccionou teatro, performance e política. Ileana será traduzida no Brasil, no início de 2011, com Cenários liminares. teatralidade, performance e política (editora UFBA, por Luis Alberto Alonso e Angela Reis). Miguel finaliza um livro de entrevistas e anotações que nortearam sua convivência com mestres da cena latino-americana, como o colombiano Enrique Buanaventura, o uruguaio Atahualpa del Cioppo e Antunes Filho, com quem foi uma espécie de observador participativo de uma oficina do diretor brasileiro num dos encontros da Escuela Internacional de Teatro de America Latina y el Caribe (EITALC). Ileana voou ontem à noite de volta para casa. Na madrugada de hoje, prestes a embarcar também, Miguel circulava no aeroporto carregando nas mãos um chapéu branco elegante, à maneira dos panamás, cujo trançado artesão em material sintético o levou a comprar a fim de experimentar no figurino de uma das atrizes numa das cenas de El último ensaio, no repertório desde 2008, na passagem em que ela interpreta uma diva do canto lírico inspirada na peruana Yma Sumac. Prova de que o espetáculo nunca acaba, contrariando seu caráter efêmero, reinventado a cada sessão com solitude e cumplicidade raras como as acima.



