Mostra Latino-Americana – Fragmentos de liberdade…

escrito por vals em 4 de maio de 2011 – 1:11 -

Fernando Montes e parte do elenco do Grupo Varasanta

A história não-oficial do bicentenário da Colômbia pelo Teatro Varasanta é uma aula. Uma “aula” capciosa de como apropriar-se do discurso institucional e transformá-lo em material cênico com a legitimidade que a arte concede. A grande arte. Em pleno marco da efeméride, a ode patriótica vem no contrapé: a bandeira tricolor, os hinos de louvação civil e religiosa, as cartas e tratados coloniais e todo o arcabouço de identidade que os livros didáticos costumam enfiar goela abaixo são desconstruídos em células de tons trágicos, alegóricos e performativos. Read more »

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Mostra Latino-Americana – Café quente em noite fria…

escrito por vals em 4 de maio de 2011 – 1:10 -

Glauco Garcia em cena com o Grupo Caos e Acaso, de Londrina

2011. O grupo fala em reafirmar um teatro popular. Saúda o Teatro do Oprimido, as técnicas e a filosofia irradiadas por Augusto Boal no exílio, o Brasil sob ditadura. Cita outros dramaturgos que resistiram com talento, Gianfrancesco Guarnieri, Oduvaldo Vianna Filho. E leva para a cena a exploração de homens e mulheres no campo, narrativa de Café quente em noite fria ou O ensaio sobre a lenda do ouro verde. Nenhuma novidade temática para o país que, ainda agora, governado por uma militante torturada pelos militares, brande a bandeira do “Brasil sem miséria”. Só a estupidez ignoraria o vão das injustiças na larga base da pirâmide social. Mas o que surpreende no trabalho do Grupo Caos e Acaso de Teatro é deparar em sua cena com a tradução fundamentada da pesquisa de luz, do espaço cênico, da projeção, do acompanhamento musical ao vivo e, o ápice, munir seus atores com poética mínimas para aflorar sua capacidade inata de comediante na acepção mais nobre. Read more »

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Mostra Latino-Americana de Teatro – Formas de brincar

escrito por vals em 1 de maio de 2011 – 21:30 -

Volante distribuído na intervenção do ERRO Grupo

O ERRO Grupo parte com tudo para cima do tema do desejo mercantil sobre a mulher. Suas três atrizes engolem o espectador masculino ou congênere com closes cavalares de olhos e bocas pintados pela imagem do gozo a qualquer custo. A persuasão está na berlinda. Alguém ainda tem dúvida por que a indústria da cerveja força a barra com corpos esculturais? Sobrou até para as devassas. A máquina da voracidade com que essa carne é historicamente barateada ganha um conteúdo contundente em Formas de brincar.
Já que as campanhas publicitárias, quem diria, soam cada vez menos subliminares, vão direto ao ponto, a intervenção delicia-se nas entrelinhas do território lúdico do sexo, aquele sobre o qual a atenção pública cai de joelhos sem pestanejar. É como se a obra jogasse com a mesma moeda – e assumisse seus riscos. Sarah Ferreira, Luana Raiter e Paula Felitto posam de beldades, tipos que se insinuam montadas em tamancos, molejos e malícias outras. Não demora, surgem uma a uma com novas roupagens da estereotipia feminina: a dançarina, a gueixa e a tradicionalista. Até arrancarem todas as fantasias e se despirem em pele de corpetes que as revelam joguetes entregues às carcaças de si. Read more »

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Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo – La mujer justa

escrito por vals em 1 de maio de 2011 – 16:32 -

Cena de La mujer justa, com o Teatro Circular de Montevideo

O Teatro Circular de Montevideo salvaguarda a luz do pensamento que a escrita de Sándor Márai infundi no leitor e no espectador. Escutá-lo é um antídoto, ainda que sua prosa, quase sempre, desça fundo ao inferno de cada um. Pior quando vai a pique amarrada aos tempos de guerra. Imaginar que “a dor não tem lágrimas nem palavras”, como sentencia o escritor alter ego do autor em La mujer justa, nos faz engolir em seco a aridez que a natureza humana é capaz de produzir. O niilismo, porém, não disfarça o sentimento de beleza. “Já não creio nas palavras, mas sigo amando-as.” Read more »

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Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo – Oxlajuj b’aqtun

escrito por vals em 1 de maio de 2011 – 15:40 -

Ritual cênico Oxlajuj b’aqtun, do grupo guatemalteco Sotzi'l

O espectador brasileiro urbano convidado a partilhar a cultura ritual dos maia-kaqchikel sente que o mundo é um grande quintal. A arquitetura da Sala Adoniran Barbosa, sua arena quadrada e vazada, é transformada num coração da selva em que a imaginação se deixa orquestrar pela música de sopro e percussiva, pelo incenso, pelo fogo, pelas máscaras, pelo espaço cênico circular que concerne ao fio da dramaturgia expressa por meio de outros elementos da cena que não só o verbo, “dialetos” outros à margem da cartografia teatral moldada pelo mundo ocidental. Read more »

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