Posts Tagged ‘nota’
Mungunzá e Baskerville no circo da vida de Aglaja
escrito por vals em 18 de maio de 2010 – 18:32 -
A atriz Sandra Modesto em Por que a criança cozinha na polenta, direção de Nelson Baskerville para romance homônimo da romena Aglaja Veteranyi, com a Companhia Mungunzá Foto: Gabriel Kassrik
Em setembro de 2009, durante o Festivale, o Festival de Teatro do Vale do Paraíba, em São José dos Campos, escrevi uma crítica sobre Por que a menina cozinha na polenta, um espetáculo da Companhia Mungunzá de Teatro, de São Paulo, adaptado e dirigido pelo ator Nelson Baskerville.
Já assistira à montagem na primeira temporada em São Paulo, meses antes, no Teatro da Memória, e sai perturbado, no bom sentido, pela qualidade da investigação do projeto e por ser apresentado à história de cunho autobiográfico da romena Aglaja Veteranyi, filha de artistas de circo, poeta, professora de artes cênicas imigrante na Suíça e que pôs fim à vida em 2002, um ano depois do romance vir a público.
Retomo a crítica na sessão contracena por conta da nova temporada às terças-feiras no Espaço parlapatões (últimas sessões hoje e dia 25, sempre 21h). Read more »
Centro Cultural São Paulo fica oito semanas sem teatro
escrito por vals em 14 de maio de 2010 – 10:57 -O site do Centro Cultural São Paulo é direto: “Este mês não há programação de teatro”. Tomei um susto: maio todo sem teatro. E mais três semanas de junho sem espetáculos. O próximo está previsto para o dia 25 do mês que vem, uma reestreia, Determinadas pessoas – Weigel, monólogo com Esther Góes.
A razão oficial seria a ocupação das salas e espaços não convencionais com a extensa programação das Semanas de dança – diálogos, de 28 de abril a 20 de junho, projeto que a instituição articula de maneira ousada entre e com os artistas.
Mas, e a arte da convivência? Por que as atividades de uma área anulam as de outra?
Inacreditável que um dos principais equipamentos da cidade lime a agenda teatral por período tão longo.
Oito semanas sem nenhuma montagem no CCSP, uma das plateias mais diversas e assíduas da cidade. Um apagão cultural.
Variações sobre Célia Helena
escrito por vals em 13 de maio de 2010 – 8:45 -
Imagem do arquivo pessoal da atriz Cleyde Yáconis estampa a capa de Olhares, uma publicação da Escola Superior de Artes Célia Helena >> Reprodução
Prestes a completar 33 anos de atividades, uma das referências na formação de ator em São Paulo, o Célia Helena Teatro-escola recém incorporou a Escola Superior de Artes Célia Helena. No plano editorial, essa transição é representada pelo lançamento de uma revista voltada às artes cênicas.
Olhares chega com o desejo de fomentar o pensamento sobre o teatro, sua história, a produção de seu tempo e, sobretudo, abordar questões relativas à pedagogia do ator, conforme explica a sua editora e diretora artística da instituição, a atriz Lígia Cortez.
A noite de lançamento é nesta quinta-feira, dia 13, na Livraria Cultura. A cada número, Olhares trará um editor convidado. Quem responde pela primeira edição é o professor e pesquisador da USP Luiz Fernando Ramos, crítico da Folha de S.Paulo. A capa estampa Cleyde Yáconis em preto e branco, cujo perfil é assinado pelo ator, dramaturgo e jornalista Oswaldo Mendes, autor de biografias de Plínio Marcos e Ademar Guerra. A atriz de 86 anos dispõe fotos de seu arquivo pessoal, da capa às páginas finais, uma beleza imutável de fazer par à irmã Cacilda Becker. Read more »
A Medéia ventaneira de Suzano
escrito por vals em 7 de maio de 2010 – 11:14 -O produtor e ator Cleiton Pereira é um dos criadores a levantar vento forte nesse território que, finalmente, conta nos últimos anos com uma política pública mínima para a arte e a cultura. Vide o galpão destinado aos coletivos que floresceram após as edições da Mostra de Referências Teatrais. O encontro vai para a sexta etapa em 2010 e desde sempre incorpora grupos importantes da capital paulista e de outros cantos do Brasil, inquietando novos artistas e espectadores.
Nesta semana, o Contadores de Mentira chega para quatro sábados de maio (8, 15, 22 e 29) na sede da Companhia do Feijão com o espetáculo Curra – temperos sobre Medéia, sob direção e dramaturgia de Pereira. O espaço fica na Rua Teodoro Baima, 68, região da Praça da República. Sessões sempre às 21h. Ingressos de R$ 5,00 a R$ 15,00. Mais informações, telefone 11 3259-9086.
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A recepção da cena por meio da crítica genética
escrito por vals em 5 de maio de 2010 – 16:23 -
Roig (esquerda) e Errendasoro em cena de Acá estoy chico cuando era yo, espetáculo apresentado na 1ª Jornada de Crítica Genética >>Divulgação
Em meados de abril passei dois dias na Argentina na 1ª Jornada de crítica genética – el análisis de procesos creativos en artes escénicas. O encontro pioneiro foi organizado por um grupo de pesquisadores de Tandil, cidade da região central da Província (Estado) de Buenos Aires, a seis horas de ônibus da capital. Fui apresentar um paper baseado na obra do peruano Lino Rojas (1942-2005), do Grupo Pombas Urbanas, objeto de pesquisa em andamento. Por “n” motivos não registrei a experiência daqueles 16 e 17 do mês passado, mas o faço agora porque mobilizadora. Read more »
Ode a Reinaldo Maia
escrito por vals em 2 de maio de 2010 – 13:08 -
Faz dez anos que o Galpão do Grupo Folias mantém atividades no bairro de Santa Cecília, sob o Minhocão, na Rua Ana Cintra, região central de São Paulo.
Trata-se de uma rua diminuta, um pequeno beco com saídas, para ilustrar a perseverança desses raros artistas que insistem em temporadas de quinta a domingo, como no atual espetáculo Êxodos – O eclipse da terra.
Isso dá a ideia do lugar que esse coletivo – criado há 13 anos – fala no panorama paulista e brasileiro, suas circunscrições política e estética que jamais se anulam.
Na segunda-feira, 3 de maio, a partir das 21h, o espaço abre as portas para lembrar sua primeira década e lançar Teatro reunido, uma edição independente com peças de Reinaldo Maia, morto em abril de 2009, aos 57 anos. Serão lidos poemas inéditos do dramaturgo. Participam a cantora Cida Moreira e a Banda Hamlet, um time formado por Danilo Grangheia, Flávio Pires, Nina Blauth, Lucienne Guedes, Gabriel Carmona, Juoliana Gontijo, Luaa Gabanini, Luís Mármora, Pedro Felício, Daniel Infantini, Aline Santini, Sato, Anna Turra, Carla Stefan, Eugênio Lima, entre outros.
Jornada de uma anti-heroína
escrito por vals em 26 de abril de 2010 – 17:15 -
Atores da Companhia Harém Teatro (Pellé à direita) na peça que encerrou a V Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo >> Foto: Tainá Azeredo
Não bastasse a condição de pobre, mulher e nordestina, Raimunda carrega a pecha de feia, segundos os padrões de beleza, e leporina, de fala fanhosa. Do início ao fim, ela tem consciência de sua diferença. A autocrítica dessa personagem e a perseverança em suplantar sua condição parecem corresponder à própria história da Companhia Harém de Teatro, em atividade há quase 25 anos em Teresina, Piauí, e com a qual me encontro pela primeira vez em 18 anos de jornalismo de teatro na capital paulista, distantes 2.792 quilômetros. Read more »
Paisagem rarefeita
escrito por vals em 25 de abril de 2010 – 18:11 -
Atores da Companhia Teatro Avante, de Miami, em cena de Aire frío, uma livre versão para a peça do cubano Virgilio Piñera >> Foto: Tainá Azeredo
Inspiração profunda
escrito por vals em 24 de abril de 2010 – 17:55 -
Miguel de Zela (fundo) e Manuel Luna em Arguedas - los ríos profundos, espetáculo do grupo peruano Cuatrotablas >> Foto: Tainá Azeredo
Contar, mostrar, sonhar
escrito por vals em 23 de abril de 2010 – 11:38 -O teatro tem suas bandeiras à escolha de cada artista. Ao cidadão, do teatro e do mundo, conviria exercer igual liberdade. Argumentar sobre si e o seu entorno. Consciência esta que o El Bachín Teatro finca no tule que toma a boca de cena de cima a baixo. A tela transparente se interpõe como quarta parede, uma ironia para aquilo que se quer velado: a opção ideológica, as razões que movem o sujeito ao pisar o chão ao sair da cama ou deitar a cabeça no travesseiro ao final do dia. Os criadores da Argentina riscam o giz caucasiano de sua visão de mundo e a preenche com efeitos de estranhamento. Saúda a sua estrela-guia, Bertolt Brecht, sem que esse poeta da palavra e da cena seja levado ao altar com suas estratégias mais bem-sucedidas, passíveis de revisões na curva de cerca de um século dessas práticas. Read more »



