A proliferação do teatro de grupo

escrito por vals em 9 de outubro de 2012 – 10:48 -

(breve artigo originalmente publicado na revista Bravo! deste mês, sob mote dos ‘Fatos mais relevantes da cultura brasileira nos últimos 15 anos’)

O teatro brasileiro viu crescer nos últimos 15 anos os espetáculos criados e produzidos em grupo. Isso evidencia uma admirável disposição dos artistas para a pesquisa permanente de conteúdos e formas de expressão. Em geral, o teatro de grupo possui ambições diferentes daquele com elencos avulsos, arregimentados por um diretor ou produtor, que prioriza o entretenimento convencional e a casa cheia.

Há três décadas coordenando o Centro de Pesquisa Teatral no Sesc-SP, o diretor Antunes Filho figura entre os precursores dessa tendência, que seduz cada vez mais a crítica e o público. Hoje, o fenômeno dos coletivos se espalha não só por São Paulo, onde se destaca o Teatro da Vertigem, mas também por cidades como Rio de Janeiro (Companhia dos Atores), Belo Horizonte (Galpão), Porto Alegre (Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz), Curitiba (Companhia Brasileira de Teatro) e Campinas (Lume). Read more »

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Com Nelson ao pé da cena

escrito por vals em 19 de julho de 2012 – 22:58 -


No sábado e domingo, 21 e 22 de julho, medio três mesas no encontro Com Nelson ao pé da Cena, no Itaú Cultural (av. Paulista, 149). Fiz a curadoria a convite da gerente de artes cênicas, Sonia Sobral. A entrada é livre.

São três mesas com pares de diretores que rememoram seus percursos criativos diante de uma peça comum de Nelson Rodrigues.

Na ordem das mesas, os textos abordados e seus respectivos diretores: Senhora dos afogados, com Ana Kfouri (RJ) e Antonio Edson Cadengue (PE); Toda nudez será castigada, com Cibele Forjaz (SP) e Paulo de Moraes (RJ); e Álbum de família, com Eid Ribeiro (MG) e Newton Moreno (SP). Read more »

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Garapa

escrito por vals em 29 de novembro de 2010 – 10:32 -

A atriz Luciana Lyra é Senhorinha na confluência de Nelson Rodrigues e Gilberto Freyre em Memória da cana, de Os Fofos - foto: Val Lima

Para todos os sinais machistas aos olhos de quem lê Nelson Rodrigues de chofre, não faltam entrelinhas para relativizá-los. Ao cotejar Álbum de família com os estudos sociológicos de Gilberto Freyre, o Grupo Os Fofos Encenam, de São Paulo, beija a mão da figura do patriarca, o coronelismo arraigado na história do Brasil, ao mesmo tempo em que o põe a nu. Valoriza o poder de negociação da mulher por meio de Senhorinha, a esposa que serve ao marido canalha em Memória da cana. É a personagem de Luciana Lyra quem vai puxar o cordão dessa travessia por cômodos e corredores da casa grande. Os óculos escuros com os quais ela passa boa parte do espetáculo, evitando ver o que lhe sabe nas entranhas, revelam subterrâneos da natureza humana, o plano primitivo não só no tabu do incesto, mas da imoralidade nas relações de exploração de classe que ainda pautam a contemporaneidade. Read more »

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