Fernando Peixoto

escrito por vals em 15 de janeiro de 2012 – 18:41 -

Ele morreu na última madrugada. Fernando Peixoto tinha 74 anos. O ator, diretor, dramaturgo, jornalista, tradutor e historiador de teatro estava internado no hospital São Luiz, em São Paulo, devido a um câncer no intestino.
A Editora Hucitec, com a qual mantinha vínculo e por lá publicou a maioria dos seus livros, informa em nota que o corpo será cremado amanhã, às 11h, em Vila Alpina, em São Paulo. Read more »

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Poa em Cena – Histórias de amor líquido

escrito por vals em 24 de setembro de 2011 – 10:02 -

Ana Kutner contracena com holografia

Parte da equipe e das escolhas formais de Um navio no espaço ou Ana Cristina César, apresentado no festival em 2010, está presente na produção do Rio cujo título ratifica a influência do sociólogo e ensaísta polonês Zygmunt Bauman e seu livro Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos (2003).
A direção de Paulo José se deixa levar pragmaticamente pelos recursos audiovisuais que em raros momentos atingem a dimensão poética dominante na montagem anterior. As projeções ajudam a compor o espaço cenográfico (parede, janela, ponte). Ganham status, inclusive, de personagens holográficos contracenando com atores ao vivo. Read more »

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Curitiba – Murro em ponta de faca

escrito por vals em 9 de abril de 2011 – 19:10 -

Erica Migon é a alienada Marga no grupo de exilados

Ver Paulo José, 74 anos recém-completados, no Espaço Cênico (ex-ACT) de Curitiba, neste abril de 2011, na condição de diretor in loco do espetáculo que ele montou pela primeira vez em outubro de 1978, no Teatro de Arte Israelita Brasileira, o TAIB, em São Paulo, é testemunhar a construção de uma ponte histórica com o presente dessa arte viva no país. No Fringe até domingo, seguindo para temporada no Rio semana que vem, Murro em ponta de faca introduz gerações de espectadores a uma face menos disseminada da dramaturgia de Augusto Boal (1931-2009), contraponto aos instrumentos técnicos do Sistema Coringa ou do Teatro do Oprimido. Aqui, seu espírito crítico convive surpreendentemente bem, para quem não conhecia o texto, com as convenções do drama burguês, digamos assim, os personagens psicologicamente delineados, as contradições explícitas, o conflito pessoal levado ao ato extremo da vida numa peça em que três casais atravessam as angústias da condição do exílio político que o autor conheceu na pele. Read more »

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Curitiba – Trilhas sonoras de amor perdidas

escrito por vals em 5 de abril de 2011 – 23:45 -

Weber e Natália na montagem de Hirsch que estreou no festival

Uma peça “radiofônica” perfeita para escutar, difícil de ver. Trilhas sonoras de amor perdidas põe a agulha no toca-discos como num flashback afetivo da Sutil Companhia de Teatro ao saudar o seu principal sucesso, A vida é cheia de som e fúria, 11 anos atrás, uma obra cativa aos seus admiradores. Muito do que o núcleo de Felipe Hirsch e Guilherme Weber evoluiu em termos de sofisticação de linguagem, de lá para cá, recua de forma impressionante no primeiro ato da produção que estreou no final de semana. É massante a estrutura em que o narrador lembra as fitas cassetes que gravou para a namorada e outras investidas. Um rosário de sobe-som das canções pop dos anos 1990 ou pregressas torna a relação com o público bastante restritiva. Quem partilha as lembranças do universo do encenador e autor, aqui uma espécie de DJ, dança e se cansa porque a montagem não sampleia, ou vai samplear mais tarde, quando a conexão já oscilou. Read more »

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Para ver no Fringe

escrito por vals em 9 de março de 2011 – 15:33 -

Relaciono 13 espetáculos – nove deles aos quais já assisti e outros quatros por simbiose – na programação do Fringe no Festival de Curitiba que abre no dia 29 de março, mas a mostra paralela no dia seguinte. Também destaco no evento uma mesa-redonda com dramaturgos de Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Curitiba e outras localidades. Além de um encontro com Paulo José em que traz a público o processo em andamento de Murro em ponta de faca, peça de Augusto Boal que ele montou pela primeira vez em 1978. No post seguinte, enumero as criações pelas quais vale a pena o espectador arriscar-se na busca por trabalhos de qualidade entre cerca de 370 opções.Sete vezes a dramaturgia ímpar de Francisco Carlos

Cena do espetáculo Românticos da catedral bêbada, texto e direção de Francisco Carlos

Por que: Agenda obrigatória no Festival para sincronizar a dramaturgia singular e inominável desse autor amazonense. É um privilégio contar com o repertório do diretor radicado em São Paulo. Seu texto e sua cena jorram um ímpeto parabólico do nosso tempo. Um quê da escrita urgente e poética de Oswald de Andrade. Há uma forte carga existencial, pois formado em filosofia e infuenciado pela antropologia. Borra territórios culturais e desconcerta os sentidos do caos para fazer história. Os sete espetáculos percorrem as categorias de peças que ele denomina “pensamentos selvagens” (a tetralogia Jaguar cibernético) e “fenômenos extremos urbanos” (Banana mecânica, Namorados da catedral bêbada e Românticos da idade mídia). As apresentações fazem parte da Conexão Roosevelt, segmento capitaneado pela Companhia de Teatro Os Satyros, cuja sede na praça paulistana tornou-se espaço cativo aos experimentos de Francisco Carlos. Read more »

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Paulo José e o ciclo “O espectador crítico”

escrito por vals em 14 de setembro de 2010 – 1:31 -

O ator Paulo José em cena de Um navio no espaço, que abriu o ciclo O espectador crítico no Poa em Cena - foto: Walter Carvalho

Ontem à tarde, aqui em Porto Alegre, iniciamos o ciclo O espectador crítico no charmoso Café Bertoldo, o bar possivelmente mais brechtiano de Porto Alegre, na Casa do Teatro tocada por Zé Adão Barbosa. O diretor e ator Paulo José e o poeta e jornalista Fabrício Carpinejar, dois gaúchos, refletimos sobre Um navio no espaço ou Ana Cristina César, que faz última sessão nesta terça-feira na programação do 17º Porto Alegre em Cena. O aspecto mais dissonante foi quanto ao ponto de vista do espetáculo que indaga incisivamente sobre o porquê de a poeta e escritora ter cometido suicídio aos 31 anos, em 1983. Carpinejar e eu concordamos que essa questão “desvirtua” da elegia que o trabalho presta à autora de Aos teus pés. Read more »

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Poa em Cena, Porto Alegre

escrito por vals em 10 de setembro de 2010 – 11:14 -

Os japoneses do Sankai Juku apresentam hoje a última sessão de Tobari em Porto Alegre - foto: Creative Fotografia/Poa em Cena/Divulgação PMPA

O músico e compositor sérvio-bósnio Goran Bregovic e sua orquestra cigana impagável, como nos filmes do também sérvio Emir Kusturica; o norte-americano Bob Wilson e sua versão de Dias felizes, de Beckett, produção italiana protagonizada por Adriana Asti; e a dança butô pungente dos japoneses do Grupo Sankai Juku. A 17ª edição do Porto Alegre em Cena larga com fôlego para a longa jornada das artes cênicas internacionais, brasileiras e gaúchas até 27 de setembro. Há muito mais, como a adaptação de O idiota, obra-prima de Dostoiévski, assinada pelo encenador lituano Eimuntas Nekrosius e com o seu Grupo Meno Fortas. É a quarta participação de Nekrosius no festival – seus espetáculos de Shakespeare e Goethe nunca foram a outros Estados, um criador cativo do coordenador-geral Luciano Alabarse. Read more »

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