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Crítica

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No monte composto por milhares de partículas tênues ou na espessa lama que aos poucos seca na superfície do chão ou da pele, o pó é elemento essencial em dois trabalhos recentes do Grupo Sobrevento: Terra (2016) e Escombros (2017). A fonte primal do solo da natureza (donde a conhecida apropriação bíblica que modela o homem a partir da argila) está na base dramatúrgica capaz de instaurar campos narrativos de fertilidade e aridez, respectivamente. O primeiro espetáculo permite vislumbrar o caminho imaterial, a via do afeto. O segundo, a condição humana sob as formas do abandono material. Leia mais

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Minutos acesos no tempo

12.5.2018  |  por Kil Abreu

Existem ao menos duas frentes amplas e da maior importância no trabalho artístico audacioso da Trupe Sinhá Zózima, que há 11 anos concebe e apresenta seus espetáculos nos ônibus em trânsito pelas ruas de São Paulo, por vezes estacionados também. A primeira talvez seja mais evidente: a escolha política, o fazer do teatro um acontecimento não só rente ao cotidiano como, deliberadamente, próximo à vida de quem não o procura justo porque em geral precisa daquele tempo para ganhá-la. A decisão dos criadores, de permanecerem atuando nos seus lugares de classe de origem, se vista neste panorama de mais de uma década de militância já seria por si algo digno de admiração. Leia mais

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Em Curitiba

Talvez a cena mais emblemática na segunda noite de Extinção, no Festival de Curitiba, no mês passado, tenha sido a dos aplausos. Denise Stoklos vai à boca de cena ladeada por dez profissionais. Entre eles o codiretor Francisco Medeiros, numa extremidade da fila formada no palco, com quem trabalha pela primeira vez, e o cenógrafo J.C. Serroni, noutra ponta, que colaborou em um dos seus espetáculos nos anos 1980. Medeiros e Serroni são da mesma geração da atriz e versados em processos criativos verticais em equipe. Ela passou quase 40 dos 50 anos de carreira centrada em solos nos quais, em regra, controla funções-chave. Dirige, escreve e atua sozinha no que nomeia Teatro Essencial, buscando sistematizar atitude, pesquisa e treinamento em voz, corpo e memória. Leia mais

Crítica

Um homem precisa de outro homem. A vida pede companhia, troca, cumplicidade. Mas o afeto tem suas limitações. E mesmo o mais poderoso dos laços pode esbarrar na brutalidade do mundo. Sobre ratos e homens, montagem de 2016 que agora retorna em curta temporada no Itaú Cultural, traz a história de John Steinbeck (1902-1968) sobre trabalhadores desempregados que vagam pelo Oeste americano durante a Depressão Econômica dos anos 1930. Leia mais

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Em Curitiba

Artistas da montagem brasileira de A ira de narciso viram-se condicionados a inventar um nível de intimidade com o dramaturgo, o franco-uruguaio Sergio Blanco, sem jamais olhá-lo nos olhos nas etapas de pesquisa e ensaios – ele está radicado em Paris. Certa intimidade deveria ser atributo comum a qualquer meditação criativa a partir de dramaturgia alheia, seja o autor vivo ou morto, até para encorajar escolhas autônomas. Em dramaturgia própria cultiva-se o oposto, alguma margem de distanciamento. O ator Gilberto Gawronski e a diretora Yara de Novaes tourearam a trama Leia mais

Crítica

O mito grego de Antígona orienta a criação do oitavo espetáculo do grupo Teatro Máquina com dez anos de atuação em Fortaleza. Com estreia e curta temporada no Sesc Pompeia, em São Paulo, Nossos mortos modula a tragédia de Sófocles, escrita no século V, com dados históricos de um dos massacres ordenados pelo Estado brasileiro contra movimentos populares sociorreligiosos que despontaram no Nordeste, entre os séculos XIX e XX. Leia mais

Crítica

O Grupo Redimunho de Investigação Teatral dedicou boa parte dos seus 14 anos a erguer espetáculos em casarões antigos da região central de São Paulo, sempre com um pé no sertão de João Guimarães Rosa. O escrutínio da obra literária e a pesquisa pelo interior mineiro nortearam as encenações realizadas entre cômodos ou quintais, tendo uma delas alcançado o espaço público por excelência, a rua. Leia mais