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Crítica

A anomalia que se abateu sobre a realidade e o imaginário do Brasil nos últimos meses é discutida com senso de urgência em obras nascidas da pesquisa teatral continuada. O poder de indignar-se vem coligado à disposição para empreender rupturas igualmente substanciais no terreno das formulações estéticas. Autodeclarados desde os sinais gráfico e de pontuação que carregam nos nomes, ruídos de ajuntamento, os espetáculos Gota d’água {PRETA} e [In]justiça constituem relevantes perspectivas de posicionamento nesse sentido, criticando de maneira contundente o racismo e a desigualdade social. Leia mais

Crítica

Tempo esgotado

27.3.2019  |  por Valmir Santos

Uma das premissas dos produtos da indústria cultural é a reviravolta na narrativa. O chamado plot twist equivale a uma mudança radical na direção esperada ou prevista de um romance, filme, série televisiva, história em quadrinhos, jogo eletrônico e outros suportes. No espetáculo Mágica de verdade, o grupo inglês Forced Entertainment enterra essa proposição e ilustra a perversa interdependência das acumulações de capital e de imagem na vida social cada vez mais reduzida a mercadoria. Leia mais

Crítica

O caráter não espetacular de Partir com beleza (Finir en beauté, 2014) confere uma cumplicidade ambígua ao relato do francês de ascendência marroquina Mohamed El Khatib. Percebe-se a iminência de naufragar por causa da identificação emocional do público com a experiência familiar de doença e morte da mãe, atalho para sentimentalismo. Ao mesmo tempo, o solo desencadeia condições de navegabilidade documental livre de encaixes categóricos do que venha a ser teatro, performance ou demais filiações. Leia mais

Crítica

Em 2000, Felipe Hirsch transpôs para a cena o romance em que o dono de uma loja de discos era fixado em classificar as cinco melhores ou piores canções pop com a régua das suas separações amorosas, entre outras tiradas. Lembramos de A vida é cheia de som e fúria porque as obsessões com as quais o diretor é confrontado em Democracia são de ordem institucional e mais complexas, também um espetáculo que partiu de um livro. Leia mais

Crítica

Retábulo de vozes

19.3.2019  |  por Valmir Santos

História de uma história coletiva, assim pode ser percebido o mais recente espetáculo do Grupo Sobrevento, Noite. Os criadores buscaram em lugares públicos e privados no entorno de sua sede, entre o Brás e o Belenzinho, memórias pessoais e urbanas que contribuíram para moldar a alma desses bairros do centro expandido de São Paulo. Leia mais

Crítica

Em estado de recusa

17.3.2019  |  por Beth Néspoli

Tudo mal havia começado quando um aventureiro chamado Diego Cao, o português, descobriu o estuário do rio Congo em 1482. Depois, no dia 26 de setembro do ano seguinte, ou seja, em 1885, uns gângsteres decidiram em Berlim que o Congo seria uma colônia francesa. E isso explica porque uma semana depois, 1960, nos emprestaram a independência em troca de um neocolonialismo negro no comando do país. Putos. Dois dias depois, em 1969, convidamos o marxismo e o leninismo pensando que iriam agradar, mas os europeus vieram em seus cavalos de conquistadores para acabar com a cultura do atraso, de golpes de estado e de tribalismos, e implantar a democracia de uma vez por todas.

Em tradução livre, o texto acima, com seus vertiginosos saltos temporais, é parte da dramaturgia de O alicerce das vertigens, do congolês Dieudonné Niangouna Leia mais

Reportagem

Para o sociólogo José de Souza Martins, “prestar atenção nos movimentos corporais de quem nos governa é um meio de compreender em tempo o que será o governo e de que tipo serão suas crises”. No caso do novo presidente, os idealizadores da Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, a MITsp, estavam de olho no discurso das “arminhas” com as mãos desde a campanha eleitoral. As formas de violência subjacente em muitas promessas de campanha tornaram-se concretas nas primeiras e longas 11 semanas de gestão – serão 208 até 2022. Leia mais